Em discurso para os gringos, Bolsonaro fala de reformas e Sergio Moro
Presidente fez uma espécie de carta da apresentação delineando princípios liberais na economia e conservadores nos costumes

O esperado discurso do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) não trouxe novidades para nós por aqui, mas pode ser visto como uma carta de apresentação do novo governo à comunidade financeira internacional.
Em sua breve fala, menos de 10 minutos, Bolsonaro reafirmou o compromisso com as reformas “que precisamos e que mundo espera”, que Sergio Moro, é o “homem certo” para realizar o combate à corrupção, e que o desenvolvimento econômico não será dissociado da preservação do meio ambiente.
Na área econômica, foram reafirmados os compromissos de reduzir a carga tributária, simplificar a vida de quem produz, estabilidade macroeconômica, respeito aos contratos, privatizações e equilíbrio das contas públicas.
O tema reforma da Previdência foi mencionado na sessão de perguntas, junto com a reforma tributária e a vontade de diminuir o tamanho do Estado e “tirar o peso do Estado de cima de quem produz”.
O presidente também estabeleceu uma meta para o ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Brasil vai figurar entre os 50 melhores países para se fazer negócios até o fim de seu mandando em 2022. Atualmente o país está em 109º lugar no ranking “Doing Businiess”.
Na área de comércio internacional, liderada pelo ministro Ernesto Araújo, a ideia é dinamizar as relações sem viés ideológico, integrar o Brasil ao mundo e seguir as melhores práticas internacionais, como as da OCDE.
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Bolsonaro também afirmou que o país fará uma “defesa ativa” da reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando eliminar práticas desleais e garantir segurança jurídica às trocas comerciais.
Ao longo do discurso, Bolsonaro vez menções de “estar de braços abertos”, de aprofundar laços de amizade e de relações comerciais, e da necessidade de “parceiros com tecnologia” para desenvolvimento da biodiversidade.
Bolsonaro defendeu que o Brasil é o país que “mais preserva o meio ambiente” e que nenhum lugar tem tantas florestas como o país. A fala pode ser vista como uma resposta às constantes críticas de agentes internacionais com relação à leniência do país com o tema ambiental. "Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco", disse.
Segundo o presidente, apenas 9% do território é dedicado à agricultura, que cresce em função da “tecnologia e competência” do produtor rural, e que menos de 20% é dedicado à pecuária. São essas commodities que ajudam no saldo superavitário da balança comercial e “alimentam boa parte do mundo”.
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O presidente também falou em um “Brasil grande”, de paz, liberdade e democracia e em resgatar valores e defender a família, os direitos humanos e a propriedade privada. Ecoando o ideal de “liberal na economia e conservados nos costumes”.
Bolsonaro afirmou que “conseguimos” a vitória na eleição mesmo gastando menos de US$ 1 milhã e “sendo injustamente atacado”. “Assumi o Brasil em crise ética, moral e econômica. Temos o compromisso de mudar nossa história”, afirmou.
Por duas vezes, Bolsonaro enfatizou que “pela primeira vez” um presidente montou uma equipe de ministros qualificados, de perfil técnico, e sem aceitar ingerência político-partidária, que só gerou, no passado, “ineficiência e corrupção”.
Perguntado sobre as relações com a América do Sul, Bolsonaro defendeu que cada país deve manter sua hegemonia e que “não queremos uma América do Sul bolivariana” e que a “esquerda não prevalecerá nessa região, algo bom para a América do Sul e para o mundo”.
Sem conseguir mais detalhes com relação às propostas para economia, corrupção e comércio internacional, o fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, encerrou a sessão falando que em 2020 acontecerá a edição regional do evento no Brasil e que essa será a oportunidade para vermos os resultados das transformações propostas pelo presidente.
Veja o discurso de Bolsonaro na íntegra:
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