Menu
2019-01-29T11:09:51-02:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Novo ciclo

Crédito cresce 5,5% em 2018 e marca primeira alta real desde 2014

Desempenho reverte quedas nominais de 0,5% em 2017 e de 3,5% em 2016. Crédito livre e bancos privados puxam a recuperação

29 de janeiro de 2019
11:09
Bandeira Dinheiro imóveis
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois de dois anos de contração nominal e três de retração real (descontada a inflação), o mercado de crédito apresentou recuperação em 2018. A alta nominal do estoque foi de 5,5%, para R$ 3,26 trilhões. Em termos reais o avanço foi de 1,7%.

Em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB) esse estoque representa 47,4%, breve alta em comparação com os 47,2% de 2017, e interrompendo uma sequência de dois anos de retração. Na máxima recente, o crédito/PIB esteve ao redor de 53%.

Os dados de 2018 mostram uma profunda transformação do mercado, que parece estar em condições de experimentar um novo ciclo de crescimento sustentado depois da “ressaca” promovida pelo exagero de atuação estatal que se observou desde a crise de 2008.

O crescimento do ano é creditado exclusivamente ao mercado livre, que teve crescimento de 11,2%, para R$ 1,762 trilhão, maior desde 2012, enquanto o crédito direcionado recuou 0,6%. A perda dinamismo do crédito direcionado vem desde o fim de 2016 e reflete não as condições de mercado, mas sim uma decisão do governo que reduzir o tamanho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e deixar de usar os demais bancos públicos como instrumento de política para fiscal.

O conjunto dos bancos públicos completou o terceiro ano seguido de retração, com a carteira encolhendo 0,5%, para R$ 1,664 trilhão. Os privados nacionais tiveram crescimento de 11,7%, para R$ 1,110 trilhão, melhor resultado desde meados de 2012. Os estrangeiros tiveram avanço de 14,2%, para R$ 485 bilhões.

No auge das políticas anticíclicas de Guido Mantega e Dilma Rousseff, a expansão da carteira dos bancos públicos chegou a ser de 40%. O movimento foi liderado pela expansão, em mesmo ritmo, do crédito do BNDES, que fecha 2018 com baixa de 8,9%, marcando o terceiro ano de retração.

A tese é que quanto maior o crédito direcionado, que é definido pelo governo, maior o custo do dinheiro para os demais tomadores que não têm acesso às linhas do BNDES e de outros programas governamentais. É a teoria da “meia entrada”, quem acessa o crédito direcionado paga meia entrada nos juros, enquanto o restante paga a entrada inteira e mais um pouco para compensar esse favorecimento a setores escolhidos.

Juros

A taxa média de juro do sistema fechou o ano em 23,3% contra 25,6% no fim de 2017 e 32,2% no encerramento de 2016. Considerando os recursos livres para as pessoas físicas, a taxa média ficou em 35,6%, recuando de 40,3% em 2017 e de 51,8% em 2016.

O famigerado spread, diferença entre o custo do dinheiro para o banco e para o tomador final, encerrou o ano em 17 pontos percentuais, contra 18,9 pontos um ano antes. Já a taxa de captação dos bancos foi de 6,3% ao ano, recuando de 6,7% em 2017.

Inadimplência

A taxa média de calotes fechou 2018 em 2,9%, entres as menores da série histórica. Olhando a inadimplência com recursos livres para pessoas físicas, a taxa foi de 3,8%, também entre as menores, recuando de 4,9% em 2017 e 5,6% em 2016.

No lado das empresas, os dados mostram um retorno às médias históricas depois de um período taxas recordes e calotes na linha dos 6%. A taxa média fechou o ano em 2,7%, sugerindo uma “limpeza” de balanços, que já vem permitindo uma retomada do crédito, que avançou 11,3%, para R$ 974 bilhões, considerando recursos livres.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Efeito reverso

Elon Musk fez piada sobre o Dogecoin na TV aberta — e as cotações desabaram

Elon Musk fez a aguardada participação no SNL no último sábado, fazendo piada sobre si mesmo e falando do Dogecoin — mas a cotação caiu forte

Pesquisa da FGV

Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos

Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Expansão

SPX Capital assume operações do Carlyle no país

As operações do Carlyle no Brasil serão absrovidas pela SPX Capital. Com isso, a gestora de Rogério Xavier se expande em private equity

ESTRADA DO FUTURO

Um pé no abismo e outro na casca de banana: como identificar ações de empresas decadentes

Excesso de otimismo, planos mirabolantes e desprezo pela inovação estão entre as receitas para uma empresa falhar, segundo o gestor que se dedicou a descobrir empresas terríveis

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies