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Bolsa e dólar hoje

Ibovespa fecha em alta puxado mais uma vez pela Gol

Pelo quinto dia consecutivo de pregão, a ação PN da companhia se destaca entre as maiores altas

18 de dezembro de 2018
10:14 - atualizado às 19:47
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
O papel da companhia aérea representa o quinto maior volume de negócios da Bolsa.  - Imagem: Seu Dinheiro

A Bolsa de Valores de São Paulo abriu a terça-feira no azul e assim seguiu durante todo o dia, puxada -  novamente - pela ação PN da Gol, que pelo quinto dia consecutivo de pregão se destaca entre as maiores altas. Isso após a empresa reiterar que está comprometida em seguir com os planos de incorporação da Smiles, em meio a especulações sobre a entrada de capital estrangeiro. A queda significativa do petróleo também beneficia a empresa diante da previsão de custos menores, embora em relação à Petrobras, a performance de commodity penaliza os papéis, que estiveram entre as maiores baixas. O Ibovespa, depois de dois dias no negativo, terminou o dia com alta de 0,24% e 86.610 pontos.

O dólar que operava com o viés de baixa ante o real, inverteu o sinal e fechou o dia com valorização de 0,10%, cotado a R$ 3,90, refletindo uma leitura mais cautelosa da ata do Copom, vista por profissionais do mercado como menos dovish (suave) que o comunicado. "Acho que a ata corrige o excesso de otimismo, impedindo uma eventual aposta de corte de juro no ano que vem", observa Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.

Voo prolongado

A Gol PN subiu 6,04% e liderou as maiores altas do Ibovespa. Depois de anunciar que vai revisitar o plano de incorporação da companhia de redes de fidelidade de clientes Smiles, as ações da companhia aérea voltaram a subir hoje e ficaram entre as mais negociadas, com alta de 3,93%. Depois que a controversa proposta original, que previa a migração da companhia aérea para o Novo Mercado, foi rejeitada por uma comissão da B3, o governo eliminou limites para o investimento estrangeiro no setor. Então, a Gol afirmou que vai analisar "outras opções" diante do novo cenário do setor aéreo que, na opinião da administração da companhia, "potencializa a criação de valor aos acionistas da companhia, ao autorizar o controle não brasileiro da Gol".

Na cola

Na cola da Gol, outra empresa que resolveu subir pelo segundo dia consecutivo foi a Embraer. As ações da Embraer (ON) tiveram alta de 0,94%, ainda reflexo, segundo operadores, dos termos anunciados ontem da parceria entre a companhia e a Boeing para a criação de uma nova empresa de aviação comercial. Em comunicado, as duas empresas informaram que a americana pagará cerca de US$ 4,2 bilhões (R$ 16,4 bilhões) pela compra, US$ 400 milhões a mais do que o divulgado inicialmente.

Piuí!

As ações ordinárias da Rumo Logística, maior operadora de ferrovias do Brasil, avançaram 1,63%. Em relatório, o Credit Suisse diz que o mercado está otimista com a expansão da malha ferroviária para Sorriso, no Mato Grosso, e as opções de um modelo de trem com 120 vagões. No documento, os analistas dizem que há algum receio com a transição na presidência. Eles lembram que muitos estão otimistas com a "possibilidade de virar a página da lava jato no curto prazo e com o boom de relicitações por vir". "Porém ainda existem muitos preferindo esperar que a lava jato seja 100% resolvida e com algum receio de competição nos próximos leilões".

Comprou, caiu

As units da Taesa sofreram queda de 2,19%. Na noite de ontem, a companhia, que é uma das maiores empresas brasileiras de transmissão de energia elétrica, informou que fechou contrato para aquisição de linhas de transmissão que pertenciam à Âmbar, braço de energia do Grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A Taesa, majoritariamente controlada pela Cemig, adquiriu 100% da São João Transmissora de Energia e da São Pedro Transmissora de Energia, além de 51% das ações da Triângulo Mineiro Transmissora de Energia e da Vale do São Bartolomeu Transmissora de Energia.

Petrobras emperra

No Ibovespa, a queda das ações da petrolífera limitou os ganhos do índice, principalmente aos 48 do segundo tempo, quando houve uma forte desaceleração. As ações ON e PN recuaram 3,38% e 3,80%, respectivamente, e lideram as maiores baixas em meio à queda significativa do petróleo - por conta de um aumento na produção russa.

Estácio

Mudanças na administração repercutiram positivamente nas ações da Estácio Participações nesta manhã, com a indicação de Eduardo Parente para a presidência da companhia. Mas não durou nada. As ações caíram 1,69% e são o maior tombo do pregão.

Mais cedo, a empresa anunciou que seu conselho de administração aprovou a destituição de Pedro Thompson do cargo de diretor presidente e escolheu Eduardo Parente para substituí-lo. A ação ON chegou a subir mais de 2%. Embora Parente tenha passagens por grandes empresas, analistas questionam uma troca de comando anunciada em dezembro, um período em que as empresas do setor tipicamente já estão engajadas na captação de alunos para o próximo ano. "O mercado de educação tem trazido desafios relevantes e o nome apontado é de alguém de fora do setor", pondera um profissional do mercado financeiro que pediu para não ser identificado.

No comando da Estácio desde 2016, Thompson assumiu em meio ao processo de fusão da empresa com a Kroton, o qual mais tarde seria barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Com o fracasso da fusão,  a empresa ingressou então em uma reestruturação. Demitiu professores e fechou campi em busca de melhorar sua eficiência.

Metálica

Apesar da queda no mercado internacional no preço das commodities metálicas, as mineradoras e siderúrgicas tiveram um dia bom, reforçando a influencia dos banco. A Vale ON subiu 0,37%, a Gerdau PN, 0,79% e as units do Santander, 3,19%.

Pessimismo

Mesmo com o bom resultado de hoje, a Bolsa paulista acumula perdas de mais de 3% em dezembro, refletindo falta de fôlego diante do pessimismo em relação a uma desaceleração global. Hoje, levantamento do Bank of America Merrill Lynch com gestores globais apontou que apenas 9% dos investidores entrevistados esperam uma recessão econômica em âmbito mundial em 2019. No entanto, 53% dos consultados esperam que o crescimento global desacelere nos próximos 12 meses, na pior perspectiva para a economia mundial desde outubro de 2008. "Os investidores estão próximos da extremidade 'bearish'", disse o estrategista-chefe de investimentos do banco, Michael Hartnett.

 *Com Estadão Conteúdo

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