Menu
2018-11-21T13:47:47-02:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Renda fixa

LIG: o que você precisa saber sobre o novo investimento que os bancos vão oferecer

Letra Imobiliária Garantida começa a aparecer na prateleira do seu banco ou corretora a partir desta quarta-feira, quando começa o registro do novo título na B3

21 de novembro de 2018
5:32 - atualizado às 13:47
imóveis em São Paulo
Imagem: Shutterstock

A sopa de letrinhas dos investimentos ganha uma nova sigla a partir desta quarta-feira (21). Além dos já conhecidos CDB, COE, LCI e LCA, é provável que você comece a ver na prateleira do seu banco ou corretora a Letra Imobiliária Garantida. Ou simplesmente LIG.

A B3 liberou o registro da nova letra de crédito em seus sistemas a partir desta quarta-feira. Esse era o último passo do longo caminho traçado pela LIG para sair do papel.

Imagino que você agora esteja com várias dúvidas. Afinal, o que é a LIG? Por que ela foi criada? E, mais importante, vale a pena investir?

Dinheiro curto, prazo longo

Para responder a essas questões, cabe primeiro um pouco de história. E tem a ver com um caso mal resolvido no Brasil: o financiamento para a compra da casa própria.

A principal fonte de recursos que os bancos usam para emprestar aos clientes que querem comprar um imóvel vem do dinheiro que outros clientes depositam na caderneta de poupança.

O grande problema é que os financiamentos têm prazos longos, que podem chegar aos 30 anos, enquanto que o dinheiro da poupança tem liquidez diária e pode ser resgatado a qualquer momento.

Ou seja, em uma situação limite em que todos os investidores decidissem tirar o dinheiro da caderneta ao mesmo tempo, os bancos não conseguiriam honrar todos os saques.

É claro que esse cenário é improvável do ponto de vista estatístico, até porque os bancos conseguem controlar bem o comportamento dos fluxos da poupança. Mas não muda o fato que a caderneta não é o funding ideal para financiamento imobiliário.

A poupança contava com um saldo total de R$ 776 bilhões no fim de outubro, considerado mais que suficiente para dar conta da demanda por crédito. Mas essa situação pode mudar se o mercado imobiliário voltar a se aquecer.

Dupla garantia

Foi para suprir essas duas lacunas - dinheiro e prazo - que a letra imobiliária garantida foi criada. A LIG é um título emitido por instituições financeiras, assim como os CDBs e as outras siglas que eu menciono no começo desta matéria. Ou seja, o principal risco que você corre é o da instituição que emitiu os papéis.

A grande novidade da nova letra é que ela contará com uma garantia adicional. Em caso de problemas com o banco no qual você aplicou seu dinheiro, a LIG é garantida (por isso o nome) por uma carteira de financiamentos imobiliários que a instituição concedeu.

Essa carteira fica separada do patrimônio do banco que emitiu a LIG. Quer dizer, se a instituição financeira quebrar, os financiamentos que serviram de cobertura para a emissão dos papéis não vão se misturar com a massa falida e serão usados para pagar os investidores.

Além dessa dupla garantia, a letra conta com o apelo da isenção de imposto de renda tanto para pessoas físicas aqui no Brasil como para investidores estrangeiros. Outra novidade da LIG é a possibilidade de correção atrelada à variação cambial.

Sem liquidez e sem FGC

Mas quem estiver disposto a investir na LIG precisa abrir mão de um velho conceito: liquidez diária. Como o prazo mínimo de emissão da letra é de dois anos, não adianta bater na porta do banco para pedir o dinheiro de volta antes disso.

A nova letra imobiliária também não conta com outro atrativo que caiu no gosto do investidor brasileiro: a cobertura do fundo garantidor de créditos (FGC).

Pra que mais uma sigla?

Desde a criação até a regulamentação e o registro da LIG na B3 passaram-se mais de três anos. A primeira dúvida que surgiu foi sobre a real necessidade de mais um instrumento de captação para os bancos.

Afinal, já existem outros dois títulos disponíveis no mercado para o financiamento da casa própria: a letra de crédito imobiliária (LCI) e os certificados de recebíveis imobiliários (CRI).

Como ambos também contam com isenção de IR, por que alguém haveria de investir na LIG?

Falei com algumas pessoas do mercado a respeito, e eles me disseram que cada instrumento vai cumprir um papel específico.

Quando a LIG estiver consolidada, vai permitir com que os bancos consigam fazer emissões de prazos bem mais longos, algo que eles não conseguem nem com a LCI nem com o CRI, segundo me contou um executivo.

Isso porque a taxa de juros exigida pelos investidores para aplicar por um período tão longo hoje acaba inviabilizando o uso dos recursos para o financiamento imobiliário.

Mas a dupla garantia da LIG deve ajudar a reduzir essas taxas, além de ser uma fonte de recursos mais “casada” com o prazo dos empréstimos concedidos.

No melhor dos mundos, esse benefício pode se traduzir em juros menores para quem precisar tomar um financiamento para a compra da casa própria.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

seu dinheiro na sua noite

No mundo corporativo, quem não diversifica, se trumbica

De uns tempos para cá, uma antiga fala de Warren Buffett tem pipocado nas minhas redes. Nela, o megainvestidor diz que “diversificação não faz sentido para quem sabe o que está fazendo” — e ele, naturalmente, se coloca como um sábio. Longe de mim querer contrariar o oráculo do mercado financeiro, mas é preciso tomar […]

nos ares

Boeing realiza 1º voo do maior avião da família 737 MAX e inicia fase de testes

Empresa vem trabalhando para superar acidentes aéreos envolvendo a família de aviões 737 MAX. No Brasil, a Gol tem um pedido firme do 737-10

pix questionado

Procon-SP notifica bancos por brechas exploradas por ladrões de celulares

São requisitados esclarecimentos sobre dispositivos de segurança, bloqueio, exclusão de dados de forma remota e rastreamento de operações financeiras disponibilizados aos clientes vítimas de furto ou roubo

FECHAMENTO DA SEMANA

Juros futuros são grandes protagonistas da semana e ainda prometem mais emoção; dólar recua 1% e bolsa fica no vermelho

Com Copom duro e a sinalização de uma possível elevação nas taxas de juros nos EUA, os principais contratos de DI dispararam. Na semana, o dólar recuou com o forte fluxo estrangeiro e a bolsa seguiu o ritmo das commodities (mais uma vez)

Calendário completo

Banco Central: veja as datas das reuniões do Copom em 2022

O Copom é o órgão do BC responsável por definir, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia brasileira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies