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Reestruturação do governo

Bolsonaro define superministério da Economia e junta Agricultura e Meio Ambiente

Ideia do novo presidente é diminuir o número de ministérios para no máximo 16

Jair Bolsonaro
Uma das promessas de campanha do capitão reformado era enxugar o governoImagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que chefiará a Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PSL), confirmou nesta terça-feira, 30, que a gestão terá entre 15 e 16 ministérios. Após uma reunião da cúpula de Bolsonaro, na casa do empresário Paulo Marinho, Onyx também anunciou a fusão dos ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura. Já o da Economia unirá o da Fazenda, o do Planejamento e o da Indústria e Comércio.

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A questão estava sendo reavaliada por Bolsonaro durante a campanha. "O presidente não recuou em nada. Ele sempre disse que, assim como tem experiência em alguns Estados, como Mato Grosso, Agricultura e Meio Ambiente ficarão juntos", disse Lorenzoni. Um dos ministros já anunciados, o economista Paulo Guedes, comentou a proposta de criação de um superministério da Economia. "No programa, os três já estavam juntos", disse o economista.

Braço direito de Bolsonaro, o ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse que as conversas do núcleo duro do novo governo não chegaram às (indicações para) estatais. Ele disse que houve um significativo avanço, em torno de 80% dos ministérios na reunião desta terça. "Hoje, já foram decididos alguns dos nomes (ministérios). Por uma questão estratégica, nós vamos divulgar os nomes um pouquinho mais para frente", completou.

Onyx também ressaltou que será um governo "de absoluta união" e que irá trabalhar em sintonia. O deputado informou que Bolsonaro deve ir na próxima terça-feira a Brasília para começar a transição. "O presidente já tem uma lista de nomes (de ministros) e está fazendo a definição final. Acredito que nos próximos dias Bolsonaro deva liberar mais alguns nomes. Na segunda-feira, o presidente, depois de tomar decisão, vai nos permitir divulgar toda a estrutura", declarou.

Preocupação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota contrária à decisão. Segundo a entidade, é "imprescindível" que o Brasil tenha um ministério forte e independente para elaborar, executar e coordenar políticas públicas para o setor industrial.

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"Tendo em vista a importância do setor industrial para o Brasil, que é responsável por 21% do PIB nacional e pelo recolhimento de 32% dos impostos federais, precisamos de um ministério com um papel específico, que não seja atrelado à Fazenda, mais preocupada em arrecadar impostos e administrar as contas públicas", afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, em nota.

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Para Andrade, a excessiva concentração de funções em um único ministério reduziria a atenção sobre temas cruciais para a indústria, que ficariam diluídos "em meio aos incêndios que cotidianamente desafiam a gestão macroeconômica". "Nenhuma grande economia do mundo abre mão de ter um ministério responsável pela indústria e pelo comércio exterior forte e atuante", completou.

A entidade destacou que países como Inglaterra e Estados Unidos mantêm órgãos voltados para a política industrial. "A eventual perda de status do MDIC colocaria o Brasil, portanto, na contramão dessa tendência e reduziria a nossa capacidade em negociações internacionais", ressalta Andrade.

Na semana passada, após receber representantes da indústria ainda durante a campanha, Bolsonaro chegou a dizer que a incorporação do MDIC poderia ser repensada. Hoje, porém, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou a fusão. "Vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros", afirmou Guedes. A CNI não comentou a declaração do economista.

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