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Desde que o Ibope apontou Haddad no 2º turno até quarta (3), Kroton acumula alta de 20,45% e Estácio subiu 18,79%, contra 8,4% do Ibovespa.
Em qualquer ano eleitoral, já é dado como certo que o período será de sobe-desce para as ações das empresas estatais em função de pesquisas de intenção de voto. O desempenho de candidatos mais ou menos amigáveis ao mercado pode empurrar esses papéis para cima ou para baixo. Mas nesta eleição - a mais estranha de todas - não são só essas ações mais óbvias que reagem. O discurso favorável ao armamento da população de Jair Bolsonaro tem impulsionado ganhos à empresa fabricante de armas Forjas Taurus. E há quem aponte que a performance de Fernando Haddad (PT) esteja sendo usada para motivar compras num setor que andava meio esquecido: o de educação.
Desde que as pesquisas mostram Haddad no segundo turno com Jair Bolsonaro as ações do setor dispararam. A primeira pesquisa do Ibope que mostrou esse cenário saiu na noite do dia 17 de setembro. Desde então até ontem, as empresas de educação estão em disparada. Kroton acumula alta de 20,45%; Estácio subiu 18,79%; Anima avançou 13,5%; Ser Educacional 11,2%. A única que caiu foi a Somos (-0,6%). No mesmo período, o Ibovespa avançou 8,44%, segundo a Economática.
Haddad esteve à frente da pasta de Educação de 2005 a 2012. Foi nesse período que surgiu o Fies, programa de financiamento estudantil. E há no mercado quem acredite - ou esteja disposto a apostar - que o programe pode voltar a crescer sob sua gestão, após ter minguado nos últimos anos.
“Sempre tem um louco que pode achar que vão abrir a torneira do Fies de novo”, afirma um analista especializado no segmento.
O Fies trouxe um passivo para as contas públicas, mas encheu o bolso das universidades privadas e deu uma bela ajudinha para as empresas de educação durante o governo petista. As empresas de educação se encheram de alunos Fies, principalmente a Kroton, que chegou a ter 60% de sua base de alunos vindos do programa, enquanto nas concorrentes, o percentual ficava em cerca de 40%. Isso porque ter um aluno Fies significava receitas garantidas: o governo pagava as universidades e o aluno ficava com o compromisso de pagar o governo depois de formado.
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O que se verificou , no entanto, foi que algumas faculdades cobravam valores maiores dos alunos Fies, que não tinham sensibilidade a preço durante o curso, uma vez que só pagariam depois de formados. Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) mostrou que, sem o controle das mensalidades pelo governo, as redes de ensino superior cresceram muito. De 2010 a 2015, o lucro da Estácio subiu 565%; o da Ser Educacional, 483%; e da Ânima, 819%. O lucro da Kroton, impulsionado também por uma série de aquisições, avançou 22.130%.
A partir da evolução do programa notou-se que inadimplência do aluno ficaria grande e o governo Dilma, já em função da necessidade de ajuste fiscal, passou a cortar o financiamento. A inadimplência dos alunos com o governo supera 50% e o rombo é maior que R$ 6,5 bilhões. Hoje, o programa é uma pequena fração do que foi. Sem receitas garantidas, intensificou-se a guerra por alunos e preços e o setor de educação perdeu o brilho na bolsa _ as empresas não apresentam o crescimento de antes.
Um gestor de fundo value investing diz ter a sensação de que a subida de Haddad alimentou o setor, mas sinceramente não acha a análise muito “justa”, já que quem acelerou o Fies foi seu sucessor no ministério, Aloizio Mercadante (2012-2014). Ele afirma ainda que hoje não há espaço fiscal nenhum para a retomada do Fies “do jeito que foi”. Embora reconheça que como a base atual do programa é muito pequena, há, sim, espaço para um “pequeno crescimento”.
No início desta semana o mercado parece ter embarcado na tese de que Bolsonaro poderia vencer a eleição no primeiro turno. A Ibovespa subiu 4,95% em três dias. As empresas de educação também surfaram na onda, embora com um ritmo muito mais modesto do que as estatais. Enquanto a Kroton se valorizou pouco mais de 4% nos últimos 3 dias, a Petrobras (PN) subiu quase 13%. Um gestor independente explica que o setor de educação ganha também quando o humor geral do mercado melhor. O motivo é que as empresas de educação são um setor de consumo e suas ações têm um beta alto (em outras palavras, terem grande relação com a variação do mercado).
“Elas surfam a melhora de sentido pra Brasil", disse. Ou seja, o otimismo do mercado nos últimos pregões com Bolsonaro também ajudou o setor.
Enquanto o mercado brasileiro reage a cada pesquisa eleitoral, uma empresa brasileira de educação, a Arco Educação, impressionou investidores da americana Nasdaq na semana passada. Ela saiu do país para fazer sua oferta inicial de ações e a demanda pelos papeis superou a oferta em dez vezes. Na estreia, a ação subiu 35%.
Se seu olho já cresceu e você pensou em investir no setor só por causa disso, vá com calma. Eu conversei com gestores e analistas que disseram que a percepção de valor da Arco nos EUA tem impacto zero para as empresas de educação listadas aqui.
“A Arco é bem diferente das companhias que estão listadas na B3, que são faculdades. Lá fora ela foi vista como uma empresa mais associada à tecnologia. Quem comprou os papéis foram fundos globais que investem em tecnologia, não em educação”, disse.
A Arco vende serviços e sistemas de ensino e a empresa mais próxima dela aqui seria a Somos Educação. “A Arco pode sim ser vista como concorrente da Somos. Agora está capitalizada, crescendo e ganhando cada vez mais fatia de mercado. O negócio da Arco é digital, mais moderno que as apostilas da Somos”, resumiu.
A Somos andou menos nesses pregões, mas ninguém que eu conversei quis cravar que essa moleza da ação da companhia reflete o movimento da rival. A empresa tem pouca liquidez e o controlador, a Tarpon, vendeu a companhia para a Saber, que pertence à Kroton. A operação está em fase final e avaliou a ação da Somos em R$ 23,75. O papel está abaixo disso, a R$ 22,65, e empresa pode fechar capital. Não precisa fazer muita conta para ver que não vale o risco.
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