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Leitura do parecer sobre a reforma da Previdência aos deputados da CCJ mantém a cautela no mercado financeiro, enquanto a guerra comercial recrudesce no exterior
O mercado financeiro segue atento às movimentações no Congresso envolvendo a reforma da Previdência, neste dia de leitura do parecer (14h30) sobre a admissibilidade da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Até lá, a sessão local deve ser novamente arrastada, com os negócios no exterior também à deriva.
Trata-se da primeira etapa da proposta do governo sobre as novas regras para aposentadoria no Congresso e o relator da proposta na CCJ da Câmara, Marcelo Freitas, deve pedir a aprovação na íntegra, sem sugerir alterações na aposentadoria rural nem no benefício a idosos e deficientes de baixa renda que não conseguiram se aposentar, o chamado BPC. A expectativa é que as mudanças ocorram apenas na próxima fase, já na comissão especial.
A oposição, porém, promete votar contra. Mesmo assim, o partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL, que conduz a relatoria na CCJ e comanda a presidência da comissão, tem certeza de que o parecer será aprovado. Após a apresentação do relatório, cabe pedido de vista do processo, mas a votação deve ocorrer na semana que vem, em 17 de abril.
O governo já conta com aproximadamente 40 votos a favor da reforma da Previdência na CCJ, de um total de 66. Na comissão, basta apenas maioria simples para ser aprovada e seguir, então, para a comissão especial, que analisa o mérito da proposta. É nela que devem acontecer modificações no texto, ao longo das dez primeiras sessões.
No mercado financeiro, a leitura do parecer hoje e a votação na CCJ na semana que vem já estão “na conta”. O que interessa é o que vem depois. O temor é de que haja atraso no cronograma e uma “desidratação” forte da proposta, reduzindo a economia a ser gerada nos cofres públicos para menos de R$ 1 trilhão.
Enquanto aguardam a apresentação do parecer do relator aos integrantes da CCJ para analisar se a proposta enviada pelo Executivo fere algum princípio constitucional, o mercado também monitora o exterior, onde a guerra comercial parece ganhar novos rivais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor novas tarifas contra a Europa, o que atinge as bolsas dos dois lados do Atlântico Norte.
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A Casa Branca analisa a possibilidade de sobretaxar 11 milhões de euros em bens europeus importados, como forma de contestar os subsídios atribuídos pelo Velho Continente à Airbus. É bom lembrar que a fabricante francesa de aeronaves rivaliza com a norte-americana Boeing, que sofre duras perdas após dois acidentes fatais com o 737 MAX. Segundo o governo Trump, os subsídios à Airbus causam “efeitos adversos” nos EUA.
A lista de itens que podem ter tarifas adicionais de importação inclui helicópteros de passageiros, queijos e vinhos, entre outros. Em reação, as ações de empresas do setor de tecnologia e fabricantes de bens domésticos lideram as perdas entre as bolsas europeias. Os índices futuros em Nova York também apontam para uma abertura fraca, após uma sessão de leves oscilações na Ásia.
O confronto entre EUA e Europa levanta dúvidas em relação às negociações comerciais com a China, diante da imprevisibilidade de Trump e da resiliência do presidente chinês, Xi Jinping. Apesar dos estreitos laços econômicos e geopolíticos, EUA e União Europeia (UE) estão prestes a iniciar negociações comerciais, elevando o risco de uma guerra também na região.
Nos demais mercados, o euro e a libra estão de lado, antes das encontros-chave do Banco Central Europeu (BCE) e da primeira-ministra britânica, Theresa May, com a UE sobre o Brexit, amanhã. Já nas commodities, o petróleo avança mais, sendo que o barril do tipo WTI se aproxima da marca de US$ 65, em meio à escalada da tensão na Líbia. Os metais básicos também sobem, com o cobre no maior nível em nove meses.
O encontro de primavera (no Hemisfério Norte) do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) começa hoje em Washington e o relatório sobre as perspectivas econômicas globais é o destaque da agenda econômica lá fora. No Brasil, o calendário está mais fraco, mas traz como destaque as vendas no varejo brasileiro em fevereiro.
A previsão é de ligeiro crescimento, nas duas bases de comparação, com o desempenho sendo beneficiado pelo maior número de dias úteis, já que o carnaval neste ano ocorreu em março. Enquanto o crescimento em fevereiro deve oscilar ao redor de 0,2%, o aumento no confronto com o mesmo mês do ano passado deve ser de 1,5%.
Os números efetivos serão divulgados às 9h. No mesmo horário, será conhecido o desempenho da indústria em diferentes localidades em fevereiro. Antes, às 8h, saem indicadores da FGV sobre o emprego no país no mês passado. Já o exterior traz apenas a divulgação do relatório Jolts sobre o total de vagas disponíveis nos EUA em fevereiro (11h).
Os convidados do Market Makers desta semana são Axel Blikstad, CFA e fundador da BLP Crypto, e Guilherme Giserman, manager de global equities no Itaú Asset
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