Com governo ‘no jogo’, Congresso quer unificar propostas de reforma tributária
As propostas já em tramitação na Câmara e no Senado são ainda mais abrangentes que a pretendida pelo governo, mas nenhuma delas conseguiu deslanchar

Câmara e Senado devem criar uma comissão mista informal para chegar a uma "convergência" entre o pacote de reforma tributária que o governo deve enviar até o fim deste mês ao Congresso e as duas outras propostas que já tramitam em ambas as Casas. Não há ainda definição sobre a relatoria e a presidência dessa comissão. Sem o texto do governo, deputados e senadores disputavam o protagonismo da reforma, o que, na prática, inviabilizou a tramitação de novas medidas. A avaliação de líderes partidários é que isso mudou com a "entrada no jogo" da equipe econômica.
O jornal O Estado de S. Paulo antecipou nesta segunda-feira, 18, que o pacote do governo vai prever uma reforma em quatro fases, até meados de 2020. A primeira etapa estipula a criação de um imposto sobre o consumo, com a fusão do PIS e da Cofins, com alíquota entre 11% e 12%. Na segunda fase, prevista para o início do próximo ano, o plano é encaminhar a mudança no IPI, que será transformado em imposto seletivo. Na sequência, o governo vai se concentrar no IR de pessoas físicas (com o aumento da faixa de isenção e nova alíquota para os mais ricos) e na desoneração da folha salarial das empresas.
As propostas já em tramitação na Câmara e no Senado são ainda mais abrangentes, mas nenhuma delas conseguiu deslanchar. PEC idealizada pelo economista Bernard Appy - e apresentada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP) - cria o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), substituindo três tributos federais (IPI, PIS e Cofins), o ICMS, que é estadual, e o ISS, municipal. A mudança ocorreria em uma transição de dez anos até a unificação e em 50 anos até a compensação de eventuais perdas de arrecadação de Estados e municípios.
Já o texto do Senado, assinado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e líderes partidários, recupera o conteúdo do relatório do ex-deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) formulado na Câmara. Essa reforma também prevê a criação do IBS, mas com a extinção de nove tributos: IPI, IOF, PIS, Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide-Combustíveis (todos federais), ICMS (estadual) e o ISS (municipal). Além disso, Hauly avança e propõe o Imposto Seletivo para bens e serviços específicos. O IBS não incidiria.
"O governo não poderia ficar de fora desse processo tão relevante.
Sinaliza na direção que temos um avanço do ponto de vista da proposta do governo que estava represada há certo tempo", disse o líder da maioria, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator da proposta que tramita na Câmara.
Resistências
A reação do Congresso ao pacote do governo já veio por meio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-SP). Ele disse ao jornal O Estado de S. Paulo/Broadcast que o plano da equipe econômica não resolve o principal entrave tributário atual - a complexidade do ICMS. Maia disse que o governo do ex-presidente Michel Temer também tentou unificar apenas PIS e Cofins e não conseguiu ir adiante. "O governo anterior tentou avançar apenas com isso e não andou. Já avisei mil vezes à equipe econômica", afirmou ele.
Leia Também
Hauly disse que a reforma tributária é "100 vezes" mais importante do que a administrativa para a economia. "O secretário entrou no jogo, bem jogado, conhece tecnicamente e é formidável de diálogo", disse Hauly, referindo-se ao novo secretário especial da Receita, José Barroso Tostes Neto. O ex-deputado defende, porém, que a proposta não seja fatiada. "Estamos preparados para uma etapa única."
Para Gabriel Kanner, presidente do Instituto Brasil 200, a proposta de unificar o PIS e a Cofins é positiva por simplificar o ambiente de negócios. Mas ele vê com descrédito a possibilidade de aliar a desoneração da folha salarial e a reformulação do Imposto de Renda à manutenção da carga tributária.
"Dificilmente o governo vai conseguir reduzir Imposto de Renda sobre pessoa física e jurídica sem ampliar a base (de tributação). Não haverá outra solução que não o microimposto (um tributo sobre transação financeira, semelhante à CPMF)", afirmou ele.
O Instituto Brasil 200 é uma evolução do Movimento Brasil 200 - lançado no ano passado pelo empresário Flávio Rocha, presidente do grupo Riachuelo -, que tem entre suas bandeiras o retorno da CPMF.
O economista Fabio Klein, analista da Tendências Consultoria, também afirmou que o governo ainda não esclareceu como fará para manter a carga tributária atual. "Toda a estratégia que busque a simplificação faz sentido, porque desonera a produção brasileira e ganha competitividade", disse ele. "O desafio é como fechar a conta."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA
Lotofácil 3814 faz 2 novos milionários; Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 305 milhões
27 de outubro de 2026 - 5:58DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL