Bradsaúde (SAUD3) recebe ‘waiver’ da B3 e ganha tempo para lançar follow-on na bolsa — mas há um preço a pagar
Companhia de saúde recém-estreada na bolsa ganha mais prazo para ajustar free float e preparar eventual oferta de ações

A recém-listada Bradsaúde (SAUD3) ganhou tempo para evitar uma corrida apressada ao mercado. Antes que a companhia precisasse acelerar uma oferta subsequente de ações (follow-on) em um mercado ainda instável, a B3 decidiu conceder um respiro extra à “novata” do setor de saúde.
A companhia obteve uma autorização extraordinária (waiver) para que continue listada no Novo Mercado mesmo sem cumprir, neste momento, o percentual mínimo de ações em circulação (free float) exigido pelo segmento mais elevado de governança corporativa da B3.
Na prática, a decisão dá tempo para a nova holding de saúde do Bradesco escolher uma janela mais favorável para ampliar o free float via oferta de ações.
Mas esse fôlego extra veio acompanhado de contrapartidas importantes — incluindo um “pedágio” que mexe diretamente no equilíbrio de forças dentro da governança da empresa.
Bradsaúde (SAUD3) ganha tempo para reorganizar o free float
Hoje, apenas 8,609% do capital social da Bradsaúde está efetivamente em circulação no mercado.
O percentual é consequência direta da reorganização societária concluída no fim de abril, que isolou os ativos de saúde do conglomerado do Banco Bradesco e deu origem à nova companhia listada na bolsa.
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O problema é que esse patamar está muito abaixo do exigido pelo Novo Mercado. Pelas regras da B3, as empresas precisam manter pelo menos 20% das ações em circulação — ou 15%, caso apresentem liquidez robusta nos primeiros meses de negociação.
Sem o waiver, a companhia poderia enfrentar pressão para acelerar uma oferta subsequente de ações em um ambiente ainda delicado para emissões na bolsa brasileira.
Agora, com a flexibilização concedida pela B3, a Bradsaúde ganhou prazo até 30 de outubro de 2027 para reenquadrar sua estrutura acionária.
Até lá, a companhia terá de atingir:
- 15% de free float, caso apresente liquidez considerada satisfatória; ou
- 20% de free float, caso o volume negociado não alcance os critérios mínimos da bolsa.
O “pedágio” da governança: a condição da B3 para o waiver
Se por um lado a Bradsaúde ganhou tempo para esperar uma janela melhor de mercado para realizar um follow-on sem pressa, por outro, terá de ceder espaço na governança.
Como condição para conceder o waiver, a B3 exigiu mudanças relevantes no estatuto social da companhia enquanto o free float permanecer abaixo do nível mínimo exigido.
Pela nova regra, a Bradsaúde terá até abril de 2027 para reduzir os quóruns mínimos necessários para o exercício de determinados direitos dos minoritários.
Na prática, isso significa que o percentual necessário para eleger um membro do conselho de administração em votação separada cairá para 6% do capital social.
Além disso, o percentual mínimo para solicitar nova avaliação em uma eventual oferta pública de aquisição (OPA) de fechamento de capital será reduzido para 5% das ações em circulação.
Segundo o comunicado, caso haja assembleia para eleição de conselheiros antes da alteração formal do estatuto, a empresa já se comprometeu a incluir a redução dos quóruns na própria pauta da reunião.
A saúde financeira da Bradsaúde
A BradSaúde fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido consolidado de R$ 1,3 bilhão e com uma rentabilidade anualizada (ROAE) de 24,8%.
Enquanto isso, os ativos financeiros encerraram o trimestre em R$28,6 bilhões. Já o capital social da Bradsaúde foi consolidado em 2.924.199.731 ações.
Vale lembrar que a nova holding reune operações como Bradesco Saúde, Mediservice, Atlântica Hospitais, Orizon e a participação no Fleury.
Do lado operacional, a BradSaúde alcançou a marca de 13,3 milhões de clientes no período, sendo 3,9 milhões de beneficiários de planos de saúde. Em termos líquidos, houve adição de 52 mil beneficiários em saúde no primeiro trimestre.
Já a sinistralidade (MLR) chegou a 79,1% no primeiro trimestre, queda de 1,4 ponto percentual (p.p) na comparação com o ano anterior.
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