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Carta para explicar o não cumprimento da meta da inflação, escrita pelo presidente do Banco Central, pode dar “pistas” sobre a decisão do primeiro Copom de 2025
O primeiro Copom de 2025 acontece nos dias 28 e 29 de janeiro e marca também a primeira reunião de Gabriel Galípolo na cadeira de presidente do Banco Central.
Como principal indicado para substituir Roberto Campos Neto, a passagem de Galípolo como diretor de Política Monetária do Bacen foi marcada por eventos importantes. Como, por exemplo, o 5X4 na reunião de agosto do ano passado e, posteriormente, as suas declarações pró-aumento da Selic.
Assim, as expectativas com relação à postura do novo presidente do Banco Central no primeiro Copom do ano são altas. Contudo, Galípolo pode ter dado pistas dos próximos passos em carta enviada a Haddad no início de janeiro.
O ano de 2024 não foi fácil, especialmente na economia. O ano que começou com queda de juros, terminou com um novo ciclo de alta da Selic. E um dos principais motivos para essa “virada de maré” foi a questão fiscal brasileira.
No começo do ano, a tese de muitos analistas, gestores e especialistas do mercado era de que a combinação de inflação doméstica controlada, corte de juros nos EUA e um arcabouço fiscal com um controle mínimo das contas públicas seriam capazes de fazer a bolsa brasileira decolar.
Alcançamos os dois primeiros elementos da equação. Contudo, a questão fiscal, que à princípio parecia algo fácil de se resolver, acabou se transformando no principal entrave da economia brasileira no ano passado.
A demora em apresentar um pacote fiscal com medidas de controle dos gastos aumentou as incertezas do mercado em relação ao compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas.
E para tentar conter a alta dos preços, o Banco Central promoveu um aumento de 175 pontos percentuais no acumulado das três últimas reuniões de 2024.
Ainda assim, encerramos o último ano com a inflação acima da meta estabelecida pelo governo. Segundo dados do IBGE, em 2024 o IPCA ficou em 4,83%, sendo que a meta era de 3% com tolerância máxima de 1,5% para cima ou para baixo.
Em um cenário em que o Banco Central não consegue cumprir a meta de inflação, o presidente da autoridade monetária precisa encaminhar ao Ministério da Fazenda uma carta explicando os motivos de não ter alcançado o objetivo e quais serão as medidas adotadas ao longo do novo ano para cumprir a meta.
Assim, embora tenha mencionado poucas vezes a questão fiscal na sua carta — o que acendeu um alerta no mercado — Gabriel Galípolo apontou que “diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões [do Copom]”.
Ou seja, é possível que o “primeiro ato” de Galípolo como presidente do BC seja um novo aumento na taxa básica de juros.
Na carta enviada ao ministro Haddad, o novo presidente do Banco Central cita a possibilidade de ajustes de mesma magnitude na próxima reunião. Ou seja, existe a chance de uma nova alta de 100 pontos, o que levaria a Selic para 13,25%.
Por um lado, a alta dos juros pode ser encarada pelo mercado como um reforço da credibilidade do BC e compromisso em perseguir o cumprimento da meta de inflação em 2025.
Ainda assim, espera-se que os juros mais altos tenham um impacto negativo sobre os ativos de risco. E nesse contexto muitos investidores se questionam como investir diante da alta da Selic.
Pensando nisso, no dia 29 de janeiro, após a decisão do Copom, você poderá acompanhar ao vivo a Edição Especial do Giro do Mercado.
Neste programa, Paula Comassetto, jornalista e apresentadora dos portais Money Times e Seu Dinheiro, irá receber convidados especialistas no assunto para debater a decisão do Banco Central e comentar os possíveis desdobramentos do primeiro Copom de 2025.
Para assistir a transmissão ao vivo, basta fazer a sua inscrição gratuita, clicando no botão abaixo:
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