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Estudo da Julius Baer mostra que tensões geopolíticas e incertezas macroeconômicas afetaram o custo — e estilo — de vida dos ultra-ricos

Pelo terceiro ano seguido, uma pequena cidade-Estado da Ásia desbancou metrópoles como Londres, Dubai, Paris e Nova York e se consolidou como a cidade mais cara do mundo para os indivíduos de alto patrimônio. Em bom português: Singapura é um lugar caro para se morar, especialmente se você quer ter um padrão de vida elevado, com jantares em restaurantes estrelados, marcas de luxo no guarda-roupa e voos em classe executiva.
A conclusão vem do 2025 Global Wealth and Lifestyle Report, feito pelo banco suíço Julius Baer.
O estudo avalia os custos de uma cesta de 20 serviços e produtos consumidos por pessoas influentes de 25 cidades ao redor do mundo. Isso inclui itens como relógios, jóias, bolsas, menus degustação e até mesmo os gastos com MBA e advogados. Este é um critério diferente, por exemplo, daquele usado pela consultoria Henley & Partners, que colocou Mônaco como a cidade mais cara do mundo.
Para entrar na seleção de “indivíduos de alto patrimônio”, é preciso ter no mínimo US$ 1 milhão na conta.
Veja a lista das 10 cidades mais caras do mundo para os endinheirados:
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É interessante notar, no entanto, que o custo da cesta avaliada pelo Julius Baer na verdade diminuiu 2% em dólar, em relação a 2024. Isso mostra uma reversão das tendências no mercado de bens de alto padrão, já que historicamente esses serviços e produtos têm um crescimento mais acelerado que os preços médios.
Alguns itens fugiram à regra e tiveram um aumento significativo de um ano para o ouro.
Foi o caso das passagens em classe executiva, que subiram 18,2%; e dos relógios, que ficaram 5,6% mais caros.
Já os serviços de saúde e os itens de tecnologia tiveram uma redução de preços, em 15,6% e 22,6% respectivamente.
Porém, vale notar que o estudo e o mapeamento de preços foi feito antes das tarifas de Donald Trump, portanto, esse fator-chave da economia atual não foi levado em consideração nesta edição.
"De maneira geral, os resultados deste ano mostram que a riqueza e os gastos entre indivíduos endinheirados continuam a crescer. No entanto, sinais de desaceleração no consumo e de uma crescente cautela podem indicar mudanças que estão por vir”, escreveram os autores do estudo.
O aumento da tensão geopolítica e a expectativa de um cenário macro mais turbulento devem entrar na conta e mudar as estratégias de gestão de riqueza nos próximos anos.
No ranking deste ano, o continente americano acabou ficando de fora. Apenas uma cidade nas Américas esteve entre as top 10 mais caras do mundo: Nova York.
São Paulo, que tem a devida fama de ser um lugar caro para se viver, caiu de 9º para 16º posição, segundo a Julius Baer. Lembrando que o banco faz um filtro sobre as cidades mais caras para quem tem mais de US$ 1 milhão e leva um padrão de vida bem superior ao do cidadão médio.
Londres manteve-se em uma posição elevada no ranking (2º lugar) principalmente por conta de seu status como um centro financeiro importante mundialmente, mas também pelo seu aspecto cosmopolita, histórico e cultural.
Singapura, mesmo com os preços elevados, foi considerada uma cidade bem agradável para se viver, devido ao ambiente político estável e os bons níveis de segurança, saúde e educação.
Outro aspecto da metrópole asiática destacado pelo estudo foi o seu protagonismo quando o assunto é turismo focado em bem-estar, ou wellness.
A proposta é muito bem-vinda em um contexto em que os temas de longevidade ganham cada vez mais espaço entre os indivíduos endinheirados.
O estudo mostra que praticamente todos os respondentes estão tomando atitudes práticas para envelhecer bem, incluindo reforçar a prática de exercícios físicos e ter uma alimentação saudável.
* Com informações da CNBC.
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