Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Maria Carolina Abe

Maria Carolina Abe

É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país - entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora de Empresas no Seu Dinheiro.

SD ENTREVISTA

Retorno da Petrobras (PETR3, PETR4) à distribuição é ‘volta a passado não glorioso’ e melhor saída é a privatização, defende Adriano Pires

Especialista no setor de energia que quase assumiu o comando da petroleira na gestão Bolsonaro critica demora para explorar a Margem Equatorial e as MPs editadas pelo governo para tentar atrair data centers ao país

Maria Carolina Abe
Maria Carolina Abe
2 de outubro de 2025
6:05 - atualizado às 8:04
O especialista em energia Adriano Pires. Imagem: Divulgação

O mundo mudou, e o slogan ‘o petróleo é nosso’ já está ultrapassado, bem como o modelo de capital misto da Petrobras (PETR3, PETR4), que a cada quatro (ou oito) anos muda radicalmente de acionista majoritário. A saída seria a privatização, como foi feito com a Eletrobras há 3,5 anos. Quem defende isto é o especialista em energia Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e que quase assumiu o comando da petroleira no governo de Jair Bolsonaro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, Pires afirma que a decisão de voltar à distribuição de combustíveis é inteiramente de cunho político, sem a menor “racionalidade econômica”, prejudica o pequeno acionista e só reforça sua ideia de que privatizar é a melhor saída.

Pires critica, ainda, a demora para iniciar as campanhas exploratórias na Margem Equatorial, sabendo que o pré-sal já se encaminha para seu ponto de saturação, e vê problemas nas medidas provisórias editadas pelo governo para tentar atrair data centers para o Brasil.

Confira, a seguir, os principais trechos da conversa:

Seu Dinheiro: Vamos falar primeiro da decisão da Petrobras de voltar ao setor de distribuição. Como o senhor avalia esse anúncio?

Adriano Pires: Olha, eu acho que é muito ruim para o acionista da Petrobras. Essa intenção que a estatal declarou de voltar ao mercado de distribuição, tanto de combustível líquido quanto de gás GLP, é uma decisão de cunho político.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

São setores que não têm sentido para uma empresa do tamanho da Petrobras, uma petroleira que tem investimentos gigantes no pré-sal, que pretende agora investir, se Deus quiser, na Margem Equatorial.

Leia Também

É você tirar dinheiro de um negócio que tem uma taxa de retorno muito maior para um setor que no Brasil não precisa da Petrobras, o privado dá conta. Por isso que eu digo que não é uma decisão que tem racionalidade econômica, é uma decisão política.

Inclusive, chamam a atenção as declarações da presidente da Petrobras em relação ao GLP: “o setor hoje está com margens muito altas, então eu vou entrar para reduzir a margem”. Você conhece algum investidor que entra num setor para reduzir margem? Se a margem dele está alta porque está tendo prática de oligopólio, de monopólio, quem tem que ir lá olhar é o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica].

Volto a repetir: eu acho que é uma volta ao passado da Petrobras, que não é um passado glorioso. A gente vai repetir o erro outra vez. É aquela coisa de você gerenciar uma empresa olhando pelo retrovisor, e a gente tem que olhar para o para-brisa.

Seu Dinheiro: Podemos dizer que aumentou ou tem aumentado a intervenção política na Petrobras?

Adriano Pires: Eu não tenho a menor dúvida quanto a isso. Inclusive, desde a sua última campanha, o presidente Lula declarou, de uma maneira muito política, que a Petrobras era uma empresa que precisava ajudar o Brasil. Quando Lula ganhou a eleição, legitimamente, a gente sabia o que esse governo pensa da Petrobras. Então, o aumento da intervenção política e sindical não é nenhuma surpresa, porque isso aí é o que o atual acionista majoritário pensa da Petrobras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Este é um dos problemas, porque é uma empresa que muda de acionista majoritário a cada quatro ou oito anos. E quando muda, muda para valer mesmo. Eu acho que esse modelo de empresa de capital misto, Estado sendo acionista majoritário, e privado sendo minoritário, já há algum tempo não faz mais sentido. O mundo é outro… o mundo das décadas de 50 ou 60, a tecnologia, o pensamento das pessoas, todo aquele slogan de “o petróleo é nosso” é uma coisa que já ficou meio velha.

A grande discussão que a gente deveria ter é sobre privatizar a Petrobras. Qual seria o modelo de privatização? Eu não sei te dizer, tem várias opções. Acho que a gente tem que discutir coisas que façam o país criar musculatura, atrair investimento. Quando eu vejo a Petrobras declarar a intenção de voltar para a distribuição, defendo mais ainda que está na hora de discutir a privatização.

Seu Dinheiro: Falando agora de pré-sal, ainda é uma grande aposta ou já está chegando num ponto de saturação?

Adriano Pires: Eu acho que continua sendo uma grande aposta. Agora, evidentemente, a gente está chegando também ao ponto de saturação. Petróleo é como a gente: nasce, cresce e morre. Somos hoje o sétimo maior país produtor de petróleo do mundo e caminhamos para sermos o quinto com a produção do pré-sal. Mas, a partir de 2030, começa a ter uma queda do pré-sal, e a produção vai caindo ao longo do tempo.

A racionalidade de uma empresa de petróleo é sempre estar aumentando as suas reservas. Daí a gente estar preocupado com a Margem Equatorial. Ela é a grande aposta para ser a substituta da bacia de Santos com o pré-sal, assim como a bacia de Santos substituiu a bacia de Campos. Então, se você não começa, a partir de agora, uma campanha exploratória na Margem Equatorial, você pode, lá na frente, voltar até a ser importador de petróleo.

A gente tem que entender que entre uma campanha de exploração ser iniciada e o petróleo ser produzido, vão cinco, seis, sete anos. O risco está na mesa, o governo deveria se atentar. A gente está brincando com um assunto sério. O primeiro leilão que foi feito na Margem Equatorial foi em 2013. Então, estamos há 12 anos sem dar licença ambiental [por lá].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Seu Dinheiro: E a estratégia de diversificação da Petrobras para fontes renováveis, como o senhor avalia?

Adriano Pires: Eu também não gosto. Eu acho que o privado tem todas as condições de investir em fontes renováveis, não precisa da Petrobras. Em qualquer setor da economia em que a Petrobras entra, principalmente num governo que olha a Petrobras de uma forma eleitoreira, ela distorce o mercado, porque ninguém consegue competir com ela. A empresa chega lá, abaixa o preço, sobe o preço, porque o poder dela é muito grande. Então, eu acho que é outro erro que a Petrobras está cometendo.

Seu Dinheiro: Mudando um pouco de tema, temos visto um alto consumo de energia atualmente por conta da inteligência artificial e do uso de data centers. O que o senhor acha que o país deveria fazer para estar bem posicionado para competir nesse cenário?

Adriano Pires: Há hoje duas Medidas Provisórias (MPs) no Congresso, a 1.307 e a 1.318, sobre o data centers. E essas duas MPs cometem um erro básico: elas falam que o data center vai ter que consumir só energia renovável. A energia renovável tem coisas que são boas e coisas que não são boas, como tudo na vida.

Cada energia tem um atributo. O atributo das fontes eólica e solar é que elas beneficiam o meio ambiente. O atributo do gás natural, da energia nuclear, do próprio carvão, é que essas fontes dão segurança energética. O data center, em particular, precisa de segurança energética, porque ele é uma unidade que consome energia 24 horas por dia, 365 dias no ano. Não pode faltar energia, nem ter quedas de frequência.

Eu acho que é preciso fazer um mix. Se a gente fizer uma política que mostre para o investidor que a gente conhece o assunto e que o Brasil é um dos poucos países que tem uma diversidade energética fabulosa, o país seria imbatível. Esse é o primeiro ponto para se atrair investidores.

O segundo ponto é que a gente precisa reduzir a tarifa de energia no Brasil. A gente tem uma energia barata e uma tarifa cara. É um contrassenso. Por que acontece isso? Porque tem muita distorção na política do setor, a principal sendo uma quantidade gigante de subsídios. Então, a gente tem que limpar essa conta e direcionar subsídios para setores que realmente merecem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aqui no Brasil, as pessoas, as indústrias sempre acham que subsídio é uma coisa permanente. Subsídio é uma coisa que você dá por um determinado período para incentivar, depois não precisa mais. No caso clássico do setor elétrico, as energias eólica e solar não precisam mais do subsídio. Mas continua a ter um subsídio gigante.

Seu Dinheiro: O senhor avalia positivamente as mudanças que vêm sendo feitas na gestão da Eletrobras após a privatização?

Adriano Pires: Eu acho que é uma empresa que tem um potencial gigante. A empresa virou uma corporation, não é uma empresa que tem um acionista majoritário. Há acionistas relevantes, e a empresa está com uma gestão profissional. É uma companhia que vai dar muita alegria para o acionista nos próximos anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
UMA SOLUÇÃO?

Raízen (RAIZ4) faz proposta a credores para converter 45% da dívida de R$ 65 bilhões em ações, diz agência

2 de abril de 2026 - 12:02

A a empresa quer que ao menos 45% da dívida seja revertida em ações, deixando os credores com até 70% das ações ordinárias, a R$ 0,40 por papel

SEM RECUPERAÇÃO À VISTA

Squadra pede mudanças no conselho da Hapvida (HAPV3), reeleito apesar de “uma das maiores destruições de valor da história”

2 de abril de 2026 - 10:14

Confira os problemas na operadora de saúde, segundo a gestora, e quais as propostas da Squadra para melhorar o retorno aos acionistas da Hapvida

GARANTIA A CREDORES

Oi (OIBR3) recebe autorização para venda de seu principal ativo, mas dinheiro não vai para ela

2 de abril de 2026 - 8:53

A transação envolve toda a participação da Oi e de sua subsidiária na empresa de infraestrutura digital neutra e de fibra ótica por R$ 4,5 bilhões

MAIS PERTO DO NÍVEL MÁXIMO

Axia Energia (AXIA6) dá mais um passo na direção do carimbo final rumo ao Novo Mercado; saiba o que falta agora

1 de abril de 2026 - 19:54

O ponto central é a conversão das ações preferenciais (PN) em ordinárias (ON); em reuniões separadas, os detentores de papéis PNA1 e PNB1 deram o aval para a transformação integral dos ativos

ENTRE PERDAS E RECUPERAÇÃO

O prejuízo volta na Marisa (AMAR3), mas menor: o que o balanço do 4T25 revela sobre o futuro da varejista de moda

1 de abril de 2026 - 11:33

Empresa dá novos passos na reestruturação e melhora indicadores no ano, mas não escapa de um trimestre negativo; veja os números

ENTRE A GUERRA E AS ELEIÇÕES

Petrobras (PETR4) bate recordes, aumenta preço do querosene, e Bruno Moretti deixa conselho; entenda o que acontece na estatal

1 de abril de 2026 - 11:03

O anúncio da renúncia de Bruno Moretti vem acompanhado de novos impactos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

Time for Fun

Mais uma empresa deixará a bolsa: T4F (SHOW3) anuncia OPA para fechar capital por R$ 5,59 por ação

1 de abril de 2026 - 9:28

O preço por ação será de R$ 5,59, valor superior ao atual: as ações fecharam o pregão de terça-feira a R$ 4,44

SD ENTREVISTA 

Boa Safra (SOJA3) freia após crescer rápido demais, mas CEO revela: ‘estamos prontos para um grande negócio’

1 de abril de 2026 - 6:12

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, Marino Colpo detalha as dores do crescimento da Boa Safra e por que planos estratégicos devem incluir M&A nos próximos meses 

ALÉM DO MINÉRIO DE FERRO

No coração da estratégia da Vale (VALE3), metais básicos devem compor o motor de lucros da mineradora

31 de março de 2026 - 17:45

Subsidiária VBM salta de 10% para 26% do Ebitda da Vale e deve ganhar ainda mais peso com preços elevados e novos projetos

COMPOUNDER

Ação da Eneva (ENEV3) entra em clube seleto, segundo o BTG; banco projeta ganhos de até 30% e dividendos bilionários

31 de março de 2026 - 14:10

Com um fluxo de caixa mais estável, a empresa pode remunerar os acionistas. Se não encontrar novas oportunidades de alocação de capital, poderia distribuir R$41,5 bilhões em dividendos até 2032, 90% do valor de mercado atual, diz o BTG

ELE NÃO ERA O ÚNICO PROBLEMA

CEO sai, ação sobe: por que o mercado comemorou a saída de Rafael Lucchesi da Tupy (TUPY3)

31 de março de 2026 - 12:30

A saída de Rafael Lucchesi, alvo de críticas por possível interferência política, foi bem recebida pelo mercado e abre espaço para a escolha de um CEO com perfil técnico — em meio a desafios operacionais e à fraqueza do mercado norte-americano

REDUZINDO AS DÍVIDAS

MRV (MRVE3) faz a maior venda até então no plano de desinvestimento da Resia, nos EUA, por US$ 73 milhões; confira os próximos passos

31 de março de 2026 - 12:01

Desde o início do plano de desinvestimento da subsidiária, o total das vendas alcançam cerca de US$ 241 milhões, deixando um montante de US$ 559 milhões a serem alienados

SINAIS DE VIRADA?

Gol melhora, mas ainda não decola: prejuízo cai 72% e chega a R$ 1,4 bilhão no 4T25; veja os destaques do balanço

31 de março de 2026 - 11:22

Com Ebitda positivo e alavancagem em queda, aérea tenta deixar para trás fase mais aguda da crise; confira os números do trimestre

TÍTULOS DE DÍVIDA

Mais dinheiro na mesa: JBS (JBSS32) emite US$ 2 bilhões em bonds com taxas de até 6,4% ao ano

31 de março de 2026 - 10:55

Emissão recebeu avaliação BBB- pela Fitch Ratings; agência defende que a nota “reflete o sólido perfil de negócios da JBS”

VIROU A CHAVE

Nubank (ROXO34): mercado aperta “vender”, XP manda “comprar” — e vê rali de mais de 50% para as ações

31 de março de 2026 - 10:16

Na visão de analistas, preço dos papéis caiu em Wall Street, mas fundamentos não. Veja o que está por trás da recomendação

VIRADA ESTRATÉGICA

Fundadores deixam conselho da Natura (NATU3) pela primeira vez: por que analistas acreditam que a reestruturação na liderança é positiva

31 de março de 2026 - 9:46

A visão do BTG, J.P. Morgan e Citi sobre as mudanças é positiva, principalmente ao reforçar o compromisso da empresa de se reinventar e modernizar a governança

MOMENTO DE VIRADA

Natura (NATU3) dá mais um passo na reestruturação — e traz um gigante global para perto

30 de março de 2026 - 20:04

Companhia avança na reestruturação com novo acordo de acionistas, migração dos fundadores para conselho consultivo e a entrada da Advent International, que pretende comprar até 10% das ações no mercado

LÍDERES NO MEIO DA CRISE

Ações do Grupo Pão de Açúcar caem após mudanças no conselho de administração: assembleia reduz mandato e elege novos conselheiros

30 de março de 2026 - 14:10

Os acionistas elegeram a nova formação do colegiado, com maioria de membros independentes, reforçando práticas de governança alinhadas ao Novo Mercado da B3

VAI TER ACORDO?

Com fim da RJ, Americanas (AMER3) pode destravar venda do Hortifruti Natural da Terra, diz jornal

30 de março de 2026 - 10:03

O desinvestimento no Hortifruti Natural da Terra já estava no plano de RJ e era uma das opções para levantar recursos para a Americanas. No entanto, não houve acordo sobre o preço, diz Broadcast

RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

Credores avaliam cisão na Raízen (RAIZ4) e exigem aporte maior das controladoras Cosan (CSAN3) e Shell, diz jornal

29 de março de 2026 - 15:50

Bancos credores e os detentores de títulos de dívida estão entendendo que segregar os negócios de usinas e os de distribuição de combustíveis pode ter um sentido econômico relevante para todos

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia