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A contratação da assessoria vem na esteira de dias difíceis para a Ambipar, que precisou recorrer à Justiça para evitar cobranças de credores. O que fazer com as ações agora?
A Ambipar (AMBP3) tem mais um pregão amargo na bolsa brasileira nesta quarta-feira (1). As ações da empresa de soluções ambientais chegaram a desabar quase 20% nas primeiras horas do pregão, após a companhia contratar a BR Partners (BRBI11) para assessorá-la em sua crise financeira. Por volta das 12h30, os papéis caíam 14,67%, cotados a R$ 7,27.
A informação foi antecipada pelo Pipeline e confirmada pelo Seu Dinheiro.
A contratação da assessoria vem na esteira de dias difíceis para a Ambipar, que precisou recorrer à Justiça para evitar cobranças de credores que poderiam resultar em um rombo financeiro de mais de R$ 10 bilhões.
Além da situação financeira, a empresa também vivencia instabilidades na alta cúpula, com saída de membros importantes na diretoria, inclusive do CFO, João Arruda.
Ontem, a Ambipar obteve uma decisão favorável no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que decidiu manter de pé o escudo protetor que impede credores de executarem dívidas — em especial, o Deutsche Bank.
A Justiça negou o pedido urgente do Deutsche Bank, que tentava suspender imediatamente a decisão que deu à Ambipar 60 dias de proteção temporária.
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A decisão do TJ-RJ impede que credores acelerem dívidas vinculadas, após um conflito que envolveu exigências adicionais de garantias relacionadas aos green bonds, títulos de dívida verdes emitidos no exterior.
A medida dá à companhia um fôlego adicional para negociar suas dívidas e evita um efeito-dominó que poderia agravar sua crise financeira. Essa, porém, é uma blindagem provisória — e pode anteceder uma recuperação judicial se as negociações falharem.
Segundo a Ambipar, o grupo precisou recorrer à Justiça devido à pressão do Deutsche Bank sobre contratos de empréstimos e derivativos que somam US$ 550 milhões.
De acordo com a companhia, o banco passou a exigir garantias adicionais muito acima do devido, calculadas com base em títulos que ainda não haviam sido entregues, drenando mais de R$ 200 milhões do caixa da empresa.
O perigo imediato era que o Deutsche Bank cobrasse mais R$ 60 milhões no dia seguinte, sob pena de declarar o vencimento antecipado da dívida.
Com quase todos os contratos financeiros da Ambipar contendo cláusulas de vencimento cruzado, isso poderia provocar um efeito-dominó, elevando o risco de insolvência imediata. O Banco Santander também havia enviado uma notificação similar.
A avaliação de um gestor de ações que conversou com o Seu Dinheiro é que a situação de alavancagem da Ambipar é “bem ruim” — e pode ser ainda pior do que a reportada.
A empresa registrou uma dívida líquida de 2,5 vezes o Ebitda no último trimestre. Porém, essa conta considera um Ebitda sem ajustes de aluguéis e arrendamentos que precisam ser considerados, segundo o gestor. Quando ajustada por esses parâmetros, a alavancagem chegaria a 3,7 vezes, nas contas do especialista.
Para um gestor, a Ambipar poderia ter tomado outro caminho antes de ser necessária uma proteção judicial, como a venda de ativos, piso no freio do “excesso de investimento” e capitalização por meio da venda de participações em negócios como a Response.
Porém, agora que essa alavanca foi acionada, especialistas avaliam que o caminho mais provável para a Ambipar é a negociação com credores, com eventual alongamento de dívidas ou troca de créditos.
Caso não haja adesão ampla, o passo seguinte poderia ser uma recuperação extrajudicial, que é um processo relativamente mais rápido, ou uma recuperação judicial, que é um processo litigioso mais demorado.
Segundo Angelo Belitardo, gestor da Hike Capital, em ambos os casos, é comum a entrada de capital novo via financiamento DIP ou de um novo sócio estratégico e conversão de dívidas em ações — o que tende a reduzir drasticamente o valor por ação existente.
Segundo fontes no mercado, o fundo do poço para a Ambipar (AMBP3) ainda pode ter um alçapão. Só no último mês, as ações já caíram 44% — e a expectativa de analistas e gestores é que os papéis ainda devem enfrentar forte volatilidade nas próximas semanas.
Isso porque a performance futura dependerá quase que exclusivamente do desenrolar das negociações da companhia com os credores.
Na avaliação do UBS BB, a blindagem da Ambipar é um desenvolvimento negativo, que se soma às preocupações sobre a rotatividade no alto escalão e a alavancagem.
Na visão de Belitardo, da Hike, a queda brusca das ações da Ambipar (AMBP3) nos últimos dias é coerente com o aumento do risco de crédito, somado ao ruído de governança.
Para ele, movimentos assim tendem a manter a volatilidade elevada nos próximos dias, visto que há catalisadores pendentes, como a evolução da disputa com credores, termos da negociação, eventuais covenants cruzados e a própria percepção do mercado sobre a liquidez da Ambipar.
Seja para investidores com posição já montada em Ambipar bem como para quem não possui os papéis, a recomendação de Belitardo é de cautela.
“Ainda há caminhos para evitar o pior operacionalmente, mas a assimetria de risco e retorno para o acionista é ruim. Mesmo em caso de sucesso da reestruturação, o desfecho mais comum é diluição pesada”, afirmou.
É por isso que, segundo o gestor, para um investidor que não tem posição, evitar “pegar a faca caindo” pode ser prudente fora de estratégias explicitamente especulativas, até que haja alguma visibilidade sobre acordos com credores, cronograma de passivos e liquidez.
Ele sugere que, para quem ainda tem ações AMBP3 na carteira, o momento é de gestão de risco, reduzindo exposição e definindo pontos de invalidação, além de preservar caixa, aguardando por clareza nas negociações com os credores.
“Do ponto de vista do acionista, a salvação depende do desfecho da reestruturação. A empresa segue operando e mostrou crescimento de receita e Ebitda ao longo de 2025, mas combinados a prejuízo líquido recorrente e custo financeiro pesado. Essa equação, em crise de confiança, costuma levar a soluções que preservam operação e empregos, porém que diluem fortemente o capital próprio”, disse Belitardo.
Outro gestor afirma que, dada a escalada vertiginosa das ações desde o ano passado, a situação ficou tão imprevisível para a Ambipar que dificulta qualquer leitura sobre o que esperar dos papéis AMBP3 no futuro.
“O que aconteceu foi algo sem precedentes no mercado financeiro brasileiro, no nível dos casos que vimos nos Estados Unidos, como GameStop. Houve um descolamento colossal entre o preço da ação e os fundamentos. Para uma empresa que está com um problema sério de alavancagem e em vias de pedir proteção judicial para não ser executada na dívida, isso não faz o menor sentido”, disse o gestor.
“O papel vai triplicar ou vai cair 90%? Depende da movimentação de acionistas, da qual não tenho a menor ideia do que seja. É algo totalmente descolado de fundamentos”, acrescentou.
A a empresa quer que ao menos 45% da dívida seja revertida em ações, deixando os credores com até 70% das ações ordinárias, a R$ 0,40 por papel
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