Nova reforma da previdência? Aposentadoria pública brasileira é uma das menos sustentáveis do mundo; veja ranking dos melhores sistemas
Apesar da necessidade de mais reformas, Previdência Social do Brasil tem a maior taxa de benefícios do mundo e alta cobertura da população, mostra levantamento da seguradora Allianz

O Brasil passou por uma reforma da Previdência em 2019, mas ela não foi suficiente para evitar a necessidade de reformas futuras que garantam o equilíbrio do sistema de pensões do país.
Segundo o Relatório Global Previdenciário 2025, levantamento feito pela seguradora Allianz, o sistema previdenciário brasileiro é um dos piores do mundo em termos de sustentabilidade, aparecendo em 59º lugar em um ranking de 71 países desenvolvidos e emergentes.
Ainda assim, a Previdência Social brasileira apresentou melhora no ranking em relação ao último levantamento, realizado em 2023, quando ficou na 65ª posição.
A Allianz avalia os sistemas previdenciários com uma pontuação que varia de 1 a 7, indo da classificação “sem necessidade de reforma” para “necessidade aguda de reforma”.
O levantamento considera três características: a situação demográfica e fiscal de cada país; a sustentabilidade do sistema, ou seja, financiamento e períodos de contribuição; e a adequação, que abrange cobertura e níveis de pensão de cada sistema, isto é, os valores dos benefícios e quanto da população em idade de se aposentar tem direito a esses rendimentos.
A Dinamarca é o país com a melhor previdência do mundo segundo o ranking, com uma pontuação de 2,3, enquanto o pior sistema é do Sri Lanka, avaliado em 5,0. O Brasil recebeu a nota 4,2.
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A aposentadoria no Brasil
Apesar de o sistema de Previdência Social brasileiro estar entre os piores do mundo do ponto de vista da sua sustentabilidade, o levantamento da Allianz mostra que 90% da população com idade para se aposentar recebem pensão no Brasil, o que indica um elevado nível de cobertura do sistema.
Além disso, o nível de benefício da Previdência Social no país é de 88%, ficando à frente de países europeus, como a Alemanha, que possui taxa de 43,9%.
Contudo, a situação no futuro pode ser complicada. Segundo o relatório, apesar de a população brasileira ainda ser relativamente jovem, o panorama demográfico vem mudando rapidamente.
Até 2050, a instituição avalia que a taxa de dependência de idosos deve aumentar de 16% para 36%, o que indica um aumento da população de 65 anos ou mais.
Como o sistema previdenciário brasileiro é baseado no regime de repartição, no qual contribuições dos trabalhadores ativos são usadas para pagar os benefícios dos aposentados, o aumento da população idosa, com a redução da população mais jovem, leva à necessidade de novas reformas.
Além disso, o crescimento de trabalhadores informais também dificulta a cobertura dos sistemas de pensões, uma vez que abre lacunas entre os profissionais que possuem o benefício.
Segundo o levantamento, atualmente mais de 40% da população brasileira com idade para trabalhar está no mercado. Porém, desse total, 35% das mulheres e 40% dos homens estão em empregos informais.
O sistema previdenciário no resto do mundo
No ranking da Allianz, apenas um pequeno grupo de países estão com pontuação abaixo de 3, são eles: Dinamarca, Países Baixos, Suécia, Japão, Nova Zelândia, Israel e Austrália.
Já os outros países estão, em sua maioria, com uma nota abaixo de 4. São 40 países avaliados que ficaram com pontuações de 3,0 até 3,9, o que já indica necessidade de reformas. Enquanto isso, 23 países estão com pontuação acima de 4, indicando alta necessidade de reformas.
De acordo com a Allianz, o problema para as regiões com baixa classificação, em geral, não está no sistema previdenciário em si, mas na cobertura limitada. O relatório indica que a parcela de trabalhadores informais sem proteção previdenciária ultrapassa, em muitos casos, 50%, e que é necessário reduzir esses indicadores.
Além disso, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) levantados pela Allianz, há diferenças significativas entre os países industrializados e os emergentes em relação à cobertura dos sistemas previdenciários.
Nos países industrializados, 100% da população em idade de aposentadoria está coberta, com exceção de Malta, Hong Kong e Austrália, onde a cobertura varia entre 70% e 80%.
Já nas nações emergentes, menos de 50% das pessoas em idade de aposentadoria recebem uma pensão. Em 17 dos países analisados, a taxa é ainda menor, com a cobertura variando entre 46%, na Índia, e apenas 7%, no Laos.
Em relação à taxa de benefícios dos sistemas, a média é de 53%, variando entre 8%, na África do Sul, e 88%, no Brasil.
Problemas no paraíso: A Europa pode ter problemas com previdência no futuro
Os europeus podem perder uma carta na manga que garante hoje o sucesso dos sistemas de previdência na região: os imigrantes.
Segundo o levantamento, os 20 países mais envelhecidos do mundo em 2050 serão predominantemente membros da União Europeia (UE). Atualmente, muitas nações do bloco apostam na imigração e no fluxo de refugiados para reverter a tendência e sustentar sistemas previdenciários de repartição.
Nos últimos cinco anos, por exemplo, quase 90% dos 1,6 milhão de novos empregos com contribuição para a seguridade social na Alemanha foram ocupados por imigrantes.
No entanto, a Allianz avalia que, no longo prazo, essa tática pode ter o efeito contrário. Isso porque muitos dos países que hoje enviam imigrantes também enfrentarão o envelhecimento populacional.
Além disso, a instituição afirma que essa estratégia “ignora o fato de que os jovens e trabalhadores qualificados migrantes de hoje serão os aposentados de amanhã”.
O relatório também ressalta que os fluxos migratórios se mostraram voláteis no passado. Assim, com a previsão de que a competição por imigrantes qualificados aumente no futuro, um fluxo constante de trabalhadores não deve ser visto como garantido, o que acende um alerta para os países da UE.
Isso porque, caso a migração líquida fosse zero, a taxa de dependência dos idosos chegaria a mais de 70% na Itália e na Espanha, e próxima de 60% na Alemanha em 2050.
Atualmente, o índice está previsto para ultrapassar os 60% na Itália e Espanha, enquanto na Alemanha deve chegar a 54%.
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