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Os chineses passam a ser referência de respeito à propriedade privada e aos contratos, enquanto os EUA expropriam 10% da Intel — e não há razões para ficarmos enciumados: temos os absurdos para chamar de nossos
É difícil de acreditar, mas aconteceu assim:
R. voltava de uma das bebedeiras na cidade em direção à sua fazenda. Deixou o bar em frente à igreja matriz após sucessivas doses de cachaça. Enfiou a mão no bolso e retirou uma porção de notas miúdas amassadas para pagar a conta. Entrou no carro cambaleando, deu a partida e desceu a íngreme rua que ligava a praça central à rodovia. Estava treinado em dirigir alcoolizado. Por sorte, competência ou uma mistura das duas coisas, percorreu sem mais sobressaltos a estrada asfaltada até entrar à direita, margeando aquele ponto de ônibus que servia de ponto de referência para demarcar a ruela de terra que conduzia até sua casa.
Duas conversões à direita e três porteiras depois, viu sua égua no pasto do vizinho. Foi tomado pela raiva. Era a quarta vez que aquilo acontecia. Caminhou apressadamente até o quarto de casa, abriu a gaveta do criado-mudo onde ficava seu revólver 38 de cano longo e voltou para o quintal, em direção ao pasto ao lado. O barulho da bota pesada batendo contra o chão de madeira acordou seu pai, que foi para o alpendre, já antecipando algo fora do comum.
R. esbravejou contra o equino:
“Tempestade, eu tinha alertado ocê pra num ir pro terreno do lado. Essa comida não é sua. Sua teimusia vai custá sua vida. Eu vou ti matá.”
Ergueu o braço trêmulo apontando o revólver na direção da égua Tempestade, fechou o olho esquerdo, como alguém que tentava adequar a direção do disparo, quando foi subitamente interrompido pela voz de seu pai:
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“Ocê qué matá, ocê mata. Mais cê vai arrependê.”
Ouviu-se um disparo. Cachorros latindo, cavalos aprumando e relinchando. Tempestade ainda estava lá, incólume, de orelhas em pé, “impávida que nem Muhammad Ali”, como se orgulhosamente afrontasse o atirador.
R., mesmo se sentindo desafiado pela égua que, em sua cabeça, deliberadamente resistia a obedecer suas orientações de não pular a cerca, acabou atirando em direção ao céu. Se por falta de coragem ou medo de se arrepender, não sabemos, mas poupou a vida de Tempestade. A relação entre os dois, porém, nunca mais foi a mesma. R. não montou mais em Tempestade, que acabou fugindo em definitivo.
A cada dia que passa, me convenço um pouco mais de que o filósofo John Gray tem razão. Não estamos mais na era da tragédia, como ele temia há alguns meses. Agora, penetramos a era do absurdo. Para Gray, vivemos o pós-liberalismo, uma situação em que a tolerância (ou, na adaptação em palavras da Economia Institucional, “instituições inclusivas”, aquelas responsáveis pelo desenvolvimento a longo prazo) já não é mais admitida.
Ok, talvez os niilistas apontem a falta de novidade no tema. A existência, em si, é um grande absurdo. Não tenho bons contra-argumentos. Mas havemos de concordar que a coisa deu acentuada, vai?
Adam Posen escreveu excelente artigo, publicado em 19 de agosto, com a pergunta “Who profits in a post-american world?” (Algo como: quem lucra num mundo pós-americano?). Posen lembra como, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA promoviam a segurança dos oceanos e dos ares, garantiam que a propriedade privada não sofreria expropriação, estabeleciam e validavam regras de comércio internacional, ofereciam ativos estáveis em dólares para transações globais. Atuavam, fundamentalmente, como grandes fornecedores de seguro. Os demais países, que pagavam prêmios por esses seguros, recebiam maior segurança física, contratual e transacional. Esse comércio ajudava na direção da busca pela prosperidade.
Para o autor, Trump reconfigura esse ordenamento. Os EUA passam de provedores de seguro para extratores de lucro. Ameaçam fechar o acesso ao mercado norte-americano, exigem compras vultosas de equipamento militar norte-americano para continuar provendo esse seguro (sob o triplo do preço), requerem compras de ativos dos EUA em geral, e investimentos por lá.
Os fornecedores de seguro de ontem hoje são vistos como ameaça, nos quais não se pode mais confiar. Em entrevista ao Estadão, Gabriel Petrus, professor de Relações Institucionais na Sciences Po Paris, o tarifaço é uma das decisões mais anticapitalistas da história dos EUA. Nas palavras dele: “me lembro que há 20 anos se falava das dificuldades de se negociar com a China, pela falta de confiança em contratos. Agora, os papéis se inverteram. Os chineses ganharam reputação, e os EUA, perderam.”
Os chineses passam a ser referência de respeito à propriedade privada e aos contratos, enquanto os EUA expropriam 10% da Intel! Se essa não é a era do absurdo, de que mais precisamos?
Não há razões para ficarmos enciumados. Temos os absurdos para chamar de nossos.
Lula defende a soberania nacional, mas quer mesmo é manter o problema, não resolvê-lo. Se as sanções puderem continuar ou até piorar, melhor pra ele. O governo, que estava sem rumo e sem discurso, ganha a narrativa de defesa da soberania. Postura de excepcional estadista, na retórica — só na retórica.
O sobrenome que pregava por Deus, pátria e família articula medidas estrangeiras contra a própria pátria e confere poucas demonstrações de respeito filial, ao sugerir que a ingratidão paterna seja autodespejada em orifícios originalmente destinados a outra função fisiológica.
O STF, que seria o guardião da Constituição, a afronta com medidas de censura prévia e falta de comedimento a partir de um gigantismo desproporcional. Na decisão mais recente, coloca o sistema financeiro brasileiro entre a cruz e a espada. Se os bancos, cuja maioria, claro, mantém e gostaria de manter, relações com EUA não acatarem determinação norte-americana, podem ser potencialmente sancionados por lá; se acatarem, podem ser castigados aqui. Bem-vindo ao mundo do inexequível.
Editorial de hoje do Estadão destaca pesquisa do Instituto Sivis, cujo levantamento mostra 47% dos estudantes brasileiros relutantes em discutir assuntos controversos. O ambiente universitário, supostamente constituído para promover a ampliação do conhecimento e avanços na ciência, caminhando entre teses e antíteses, argumentos e contra-argumentos, hipóteses nulas e alternativas, perde sua dialética. Com ela, morre também sua própria essência.
Sem o farol da ciência, quem poderá nos defender?
Num mundo sem heróis e assombrado pelos demônios, restam-nos o juro caindo lá fora, um dólar mais fraco no mundo (historicamente bom para mercados emergentes), uma Selic abaixo de 12% ao final de 2026 e a expectativa de que possamos construir uma opção mais racional, reformista e responsável com dinheiro público em 2026. É pouco, mas é o que tem pra hoje — e pode ser suficiente.
Como resume Woody Allen, “a realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife."
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