🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Lady Tempestade e a era do absurdo 

Os chineses passam a ser referência de respeito à propriedade privada e aos contratos, enquanto os EUA expropriam 10% da Intel — e não há razões para ficarmos enciumados: temos os absurdos para chamar de nossos

25 de agosto de 2025
19:58 - atualizado às 21:41
Imagem criada por IA com as bandeiras dos EUA, Brasil e China
Imagem criada por inteligência artificial - Imagem: DAll E / ChatGPT

É difícil de acreditar, mas aconteceu assim:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

R. voltava de uma das bebedeiras na cidade em direção à sua fazenda. Deixou o bar em frente à igreja matriz após sucessivas doses de cachaça. Enfiou a mão no bolso e retirou uma porção de notas miúdas amassadas para pagar a conta. Entrou no carro cambaleando, deu a partida e desceu a íngreme rua que ligava a praça central à rodovia. Estava treinado em dirigir alcoolizado. Por sorte, competência ou uma mistura das duas coisas, percorreu sem mais sobressaltos a estrada asfaltada até entrar à direita, margeando aquele ponto de ônibus que servia de ponto de referência para demarcar a ruela de terra que conduzia até sua casa.

Duas conversões à direita e três porteiras depois, viu sua égua no pasto do vizinho. Foi tomado pela raiva. Era a quarta vez que aquilo acontecia. Caminhou apressadamente até o quarto de casa, abriu a gaveta do criado-mudo onde ficava seu revólver 38 de cano longo e voltou para o quintal, em direção ao pasto ao lado. O barulho da bota pesada batendo contra o chão de madeira acordou seu pai, que foi para o alpendre, já antecipando algo fora do comum.

  • VEJA TAMBÉM: Descubra como os gigantes do mercado estão investindo: o podcast Touros e Ursos traz os bastidores toda semana; acompanhe aqui

R. esbravejou contra o equino:

“Tempestade, eu tinha alertado ocê pra num ir pro terreno do lado. Essa comida não é sua. Sua teimusia vai custá sua vida. Eu vou ti matá.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ergueu o braço trêmulo apontando o revólver na direção da égua Tempestade, fechou o olho esquerdo, como alguém que tentava adequar a direção do disparo, quando foi subitamente interrompido pela voz de seu pai:

Leia Também

“Ocê qué matá, ocê mata. Mais cê vai arrependê.”

Ouviu-se um disparo. Cachorros latindo, cavalos aprumando e relinchando. Tempestade ainda estava lá, incólume, de orelhas em pé, “impávida que nem Muhammad Ali”, como se orgulhosamente afrontasse o atirador. 

R., mesmo se sentindo desafiado pela égua que, em sua cabeça, deliberadamente resistia a obedecer suas orientações de não pular a cerca, acabou atirando em direção ao céu. Se por falta de coragem ou medo de se arrepender, não sabemos, mas poupou a vida de Tempestade. A relação entre os dois, porém, nunca mais foi a mesma. R. não montou mais em Tempestade, que acabou fugindo em definitivo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A era do absurdo

A cada dia que passa, me convenço um pouco mais de que o filósofo John Gray tem razão. Não estamos mais na era da tragédia, como ele temia há alguns meses. Agora, penetramos a era do absurdo. Para Gray, vivemos o pós-liberalismo, uma situação em que a tolerância (ou, na adaptação em palavras da Economia Institucional, “instituições inclusivas”, aquelas responsáveis pelo desenvolvimento a longo prazo) já não é mais admitida.

Ok, talvez os niilistas apontem a falta de novidade no tema. A existência, em si, é um grande absurdo. Não tenho bons contra-argumentos. Mas havemos de concordar que a coisa deu acentuada, vai?

Adam Posen escreveu excelente artigo, publicado em 19 de agosto, com a pergunta “Who profits in a post-american world?” (Algo como: quem lucra num mundo pós-americano?). Posen lembra como, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA promoviam a segurança dos oceanos e dos ares, garantiam que a propriedade privada não sofreria expropriação, estabeleciam e validavam regras de comércio internacional, ofereciam ativos estáveis em dólares para transações globais. Atuavam, fundamentalmente, como grandes fornecedores de seguro. Os demais países, que pagavam prêmios por esses seguros, recebiam maior segurança física, contratual e transacional. Esse comércio ajudava na direção da busca pela prosperidade. 

Para o autor, Trump reconfigura esse ordenamento. Os EUA passam de provedores de seguro para extratores de lucro. Ameaçam fechar o acesso ao mercado norte-americano, exigem compras vultosas de equipamento militar norte-americano para continuar provendo esse seguro (sob o triplo do preço), requerem compras de ativos dos EUA em geral, e investimentos por lá. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os fornecedores de seguro de ontem hoje são vistos como ameaça, nos quais não se pode mais confiar. Em entrevista ao Estadão, Gabriel Petrus, professor de Relações Institucionais na Sciences Po Paris, o tarifaço é uma das decisões mais anticapitalistas da história dos EUA. Nas palavras dele: “me lembro que há 20 anos se falava das dificuldades de se negociar com a China, pela falta de confiança em contratos. Agora, os papéis se inverteram. Os chineses ganharam reputação, e os EUA, perderam.”

Os chineses passam a ser referência de respeito à propriedade privada e aos contratos, enquanto os EUA expropriam 10% da Intel! Se essa não é a era do absurdo, de que mais precisamos?

Além de Trump

Não há razões para ficarmos enciumados. Temos os absurdos para chamar de nossos.

Lula defende a soberania nacional, mas quer mesmo é manter o problema, não resolvê-lo. Se as sanções puderem continuar ou até piorar, melhor pra ele. O governo, que estava sem rumo e sem discurso, ganha a narrativa de defesa da soberania. Postura de excepcional estadista, na retórica — só na retórica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O sobrenome que pregava por Deus, pátria e família articula medidas estrangeiras contra a própria pátria e confere poucas demonstrações de respeito filial, ao sugerir que a ingratidão paterna seja autodespejada em orifícios originalmente destinados a outra função fisiológica.

O STF, que seria o guardião da Constituição, a afronta com medidas de censura prévia e falta de comedimento a partir de um gigantismo desproporcional. Na decisão mais recente, coloca o sistema financeiro brasileiro entre a cruz e a espada. Se os bancos, cuja maioria, claro, mantém e gostaria de manter, relações com EUA não acatarem determinação norte-americana, podem ser potencialmente sancionados por lá; se acatarem, podem ser castigados aqui. Bem-vindo ao mundo do inexequível. 

Editorial de hoje do Estadão destaca pesquisa do Instituto Sivis, cujo levantamento mostra 47% dos estudantes brasileiros relutantes em discutir assuntos controversos. O ambiente universitário, supostamente constituído para promover a ampliação do conhecimento e avanços na ciência, caminhando entre teses e antíteses, argumentos e contra-argumentos, hipóteses nulas e alternativas, perde sua dialética. Com ela, morre também sua própria essência.

Sem o farol da ciência, quem poderá nos defender?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Num mundo sem heróis e assombrado pelos demônios, restam-nos o juro caindo lá fora, um dólar mais fraco no mundo (historicamente bom para mercados emergentes), uma Selic abaixo de 12% ao final de 2026 e a expectativa de que possamos construir uma opção mais racional, reformista e responsável com dinheiro público em 2026. É pouco, mas é o que tem pra hoje — e pode ser suficiente.

Como resume Woody Allen, “a realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
ALÉM DO CDB

Renda fixa: com prêmios apertados, chegou a hora de separar o joio do trigo no crédito privado

26 de fevereiro de 2026 - 17:35

Mesmo com a perspectiva de queda nos juros, os spreads das debêntures continuam comprimidos, mas isso pode não refletir uma melhora nos fundamentos das empresas emissoras

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Pausa para um anedótico — janeiro crava o ano para o Ibovespa? 

25 de fevereiro de 2026 - 19:58

Estudo histórico revela como o desempenho do mês de janeiro pode influenciar expectativas para o restante do ano no mercado brasileiro

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A incerteza que vem de Trump, as armas do Mercado Livre (MELI34), e o que mais move os mercados hoje

24 de fevereiro de 2026 - 10:09

Entenda o que as novas tarifas de exportação aos EUA significam para aliados e desafetos do governo norte-americano; entenda o que mais você precisa ler hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

Derrota de Trump, volatilidade no mundo: a guerra comercial entra em nova fase 

24 de fevereiro de 2026 - 7:15

Antigos alvos da política comercial norte-americana acabam relativamente beneficiados, enquanto aliados tradicionais que haviam negociado condições mais favoráveis passam a arcar com custos adicionais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A carta curinga no jogo dos FIIs, a alta do petróleo, e o que mais movimenta o seu bolso hoje

20 de fevereiro de 2026 - 8:46

Os FIIs multiestratégia conseguem se adaptar a diferentes cenários econômicos; entenda por que ter essa carta na manga é essencial

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como saber seu perfil e evitar erros ao abrir uma franquia, a queda da Vale (VALE3) na bolsa, e o que mais movimenta o mercado hoje

19 de fevereiro de 2026 - 8:46

Saiba quais são as perguntas essenciais para se fazer antes de decidir abrir um negócio próprio, e quais os principais indicadores econômicos para acompanhar neste pregão

EXILE ON WALL STREET

Ruy Hungria: Não tenha medo da volatilidade 

18 de fevereiro de 2026 - 20:00

Após anos de calmaria no mercado brasileiro, sinais de ruptura indicam que um novo ciclo de volatilidade — e de oportunidades — pode estar começando

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja quando as small caps voltarão a ter destaque na bolsa, liquidação do banco Pleno e o que mais afeta os mercados hoje

18 de fevereiro de 2026 - 8:39

Depois que o dinheiro gringo invadiu o Ibovespa, as small caps ficaram para trás. Mas a vez das empresas de menor capitalização ainda vai chegar; veja que ações acompanhar agora

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os investimentos mais “fora da caixa” da bolsa, propostas para a Raízen, Receita de olho no seu cartão, e o que mais você precisa ler hoje

16 de fevereiro de 2026 - 8:08

Confira as leituras mais importantes no mundo da economia e das finanças para se manter informado nesta segunda-feira de Carnaval

VISÃO 360

A hora da Cigarra: um guia para gastar (bem) seu dinheiro — e não se matar de trabalhar

15 de fevereiro de 2026 - 8:01

Nem tanto cigarra, nem tanto formiga. Morrer com dinheiro demais na conta pode querer dizer que você poderia ter trabalhado menos ou gastado mais

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Zuck está de mudança: o projeto californiano que está deslocando o eixo dos bilionários nos EUA

14 de fevereiro de 2026 - 9:02

Miami é o novo destino dos bilionários americanos? Pois é, quando o assunto são tendências, a única certeza é: não há certezas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Por que Einstein teria Eneva (ENEV3) na carteira, balanço de Vale (VALE3) e Raízen (RAIZ4), e outras notícias para ler antes de investir

13 de fevereiro de 2026 - 8:52

Veja a empresa que pode entregar retornos consistentes e o que esperar das bolsas hoje

SEXTOU COM O RUY

Por que Einstein seria um grande investidor — e não perderia a chance de colocar Eneva (ENEV3) na carteira?

13 de fevereiro de 2026 - 6:03

Felizmente, vez ou outra o tal do mercado nos dá ótimas oportunidades de comprar papéis por preços bem interessantes, exatamente o que aconteceu com Eneva nesta semana

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Japão como paraíso de compras para investidores, balanços de Ambev (ABEV3), Vale (VALE3) e Raízen (RAIZ4), e o que mais move a bolsa hoje

12 de fevereiro de 2026 - 8:59

O carry trade no Japão, operação de tomada de crédito em iene a juros baixos para investir em países com taxas altas, como o Brasil, está comprometido com o aumento das taxas japonesas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Podemos dizer que a Bolsa brasileira ficou cara? 

11 de fevereiro de 2026 - 19:50

Depois de uma alta de quase 50% em 12 meses, o mercado discute se os preços já esticaram — e por que “estar caro” não significa, necessariamente, fim da alta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja se vale a pena atualizar o valor de um imóvel e pagar menos IR e se o Banco do Brasil (BBAS3) já começa a sair do fundo do poço

11 de fevereiro de 2026 - 9:39

Confira as vantagens e desvantagens do Rearp Atualização. Saiba também quais empresas divulgam resultados hoje e o que mais esperar do mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio no Japão que afeta o mundo todo, as vantagens do ESG para os pequenos negócios e o que mais move as bolsas hoje

10 de fevereiro de 2026 - 9:30

Veja qual o efeito da vitória da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, nas eleições do Japão nos mercados de todo o mundo

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

Entre estímulo e dívida: o novo equilíbrio do Japão após uma eleição que entra para a história

10 de fevereiro de 2026 - 7:11

A vitória esmagadora de Sanae Takaichi abre espaço para a implementação de uma agenda mais ambiciosa, que também reforça o alinhamento estratégico de Tóquio com os Estados Unidos, em um ambiente geopolítico cada vez mais competitivo na Ásia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

CSN (CSNA3) quer convencer o mercado que agora é para valer, BTG bate mais um recorde, e o que mais move as bolsas hoje

9 de fevereiro de 2026 - 8:39

Veja os sinais que o mercado olha para dar mais confiança ao plano de desalavancagem da holding, que acumulou dívidas de quase R$ 38 bilhões até setembro

TRILHAS DE CARREIRA

O critério invisível que vai diferenciar os profissionais na era da inteligência artificial (IA)

8 de fevereiro de 2026 - 8:00

O que muda na nossa identidade profissional quando parte relevante do trabalho operacional deixa de ser feita por humanos?

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar