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Analistas acreditam que alta dos juros pode ser positivo para a Bolsa, mas investidor precisa estar preparado; confira dossiê com recomendações e análises de onde investir
A dois dias da reunião do Copom, a expectativa de uma Selic mais alta em 2024 tem ganhado força no mercado.
De acordo com o Boletim Focus desta segunda-feira (16) os analistas consultados pelo Banco Central mantiveram a projeção de que a taxa básica de juros encerre o ano a 11,25%.
Assim, considerando o atual patamar da Selic de 10,50%, o mercado espera três altas de 0,25 pontos nos juros, começando na reunião da próxima quarta-feira (18).
Em geral, uma Selic mais alta tem impactos negativos nos ativos de risco. Mas dessa vez muitos analistas, gestores e especialistas têm defendido que a possibilidade de uma alta dos juros pode ser positiva para a Bolsa brasileira.
A analista de ações da Empiricus Research, Larissa Quaresma, está entre aqueles que acreditam em uma alta de juros na próxima reunião do Copom.
Ela explica que a combinação de inflação ainda alta, expansão fiscal (gasto públicos) no Brasil e aceleração econômica, indicam que o mais adequado a se fazer neste momento é subir os juros.
Por outro lado, ela aponta que a alta da Selic prevista já na próxima quarta (18) pode ter efeitos positivos. O primeiro deles seria “esfriar a inflação”, bem como as expectativas.
De acordo com o Boletim Focus, o mercado continua projetando alta dos preços. Nessa semana, a expectativa de inflação para 2024 cresceu 5 pontos, saindo de 4,30% para 4,35%. E para 2025 a previsão subiu de 3,92% para 3,95%.
Assim, a analista acredita que uma alta da Selic nesta reunião do Copom pode ajudar a reancorar as expectativas de inflação e “com qualquer aumento, já podemos conquistar isso”, pontuou.
Outro fator positivo seria uma melhora na credibilidade do Banco Central. Após a reunião de maio em que os diretores do Copom ficaram divididos, começaram a surgir muitas dúvidas sobre o futuro da política monetária do país, especialmente diante da possível indicação de Gabriel Galípolo para a presidência.
Assim, agora que Galípolo foi oficialmente indicado pelo presidente Lula para assumir o comando do Banco Central a partir de 2025, uma alta nos juros tem sido encarada por parte do mercado como uma reafirmação da independência da autoridade monetária em relação ao governo.
Diante desses fatores, os analistas da Empiricus acreditam que a alta dos juros na próxima reunião do Copom pode ter mais efeitos positivos do que negativos.
Entretanto, Larissa Quaresma ressalta que esse é o cenário esperado pela casa, o que não significa que tudo irá acontecer de acordo com a expectativa.
É possível que o Banco Central decida aumentar ainda mais os juros, bem como manter o patamar elevado por mais tempo do que o esperado pelos mercados.
Nesse sentido, ela reforça que, embora não haja motivo para entrar em pânico, o investidor deve estar preparado.
Além da decisão sobre a Selic, na próxima quarta-feira o Fed (Banco Central americano) irá definir o patamar dos juros nos Estados Unidos.
Por lá, a expectativa é de corte de juros pela 1ª vez desde 2020. Este é outro fator que deve mexer com os ativos de risco brasileiros.
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