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Publicidade impulsiona lucratividade do Telegram e colabora com o IPO, mas falta de fiscalização pode ser pedra no sapato da companhia

O Telegram enfrenta pressões e críticas para implementar uma fiscalização no conteúdo da plataforma, mas o criador do aplicativo bateu o pé. Em uma entrevista para o jornal britânico Financial Times, Pavel Durov afirmou que os chats vão continuar sem moderação e que um monitoramento tornaria a rede em um ambiente “autoritário”.
A declaração veio junto com a revelação de que o Telegram está se preparando para abrir seu capital.
A plataforma se aproxima da lucratividade através dos “milhões de dólares” obtidos por meio de publicidade – mesmo com os problemas sobre falta de fiscalização do conteúdo – e assinaturas premium. Recentemente, segundo Durov, o aplicativo alcançou 900 milhões de usuários ativos mensais.
Com a entrada no mercado de capitais no horizonte, o Telegram vai aumentar os esforços para ofertas publicitárias, mas a disseminação de informações falsas pode dificultar os planos da plataforma.
Segundo Durov, a empresa planeja melhorar a moderação neste ano, conforme diversas eleições ocorrem no mundo. Contudo, ele garantiu que não pretende tornar o monitoramento uma atividade padrão da plataforma.
“A não ser que elas passem dos limites, eu não acho que devíamos policiar as pessoas na forma como elas se expressam”, afirmou.
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“Eu acredito na competição de ideias. Eu acredito que qualquer pensamento deve ser desafiado… Caso contrário, nós nos aproximamos rapidamente do autoritarismo”.
O mercado também está de olho no Telegram, que vem despertando o interesse de investidores. De acordo com Pavel Durov, a empresa “recebeu avaliações de mais de US$ 30 bilhões” de potenciais investidores, incluindo “fundos globais de tecnologia em estágio avançado”.
No entanto, ele, que detém controle total da rede social, descartou a venda e afirmou estar explorando uma futura IPO (oferta pública inicial, em português).
“A principal razão pela qual começámos a monetizar é porque queríamos permanecer independentes”, disse ele. “De modo geral, vemos valor [em um IPO] como um meio de democratizar o acesso ao valor do Telegram”.
O dono do aplicativo revelou também que pensa em abrir o capital da empresa para acelerar a meta de lucro. Segundo ele, o aplicativo deve apresentar balanço positivo pela primeira vez até 2025 ou ainda este ano.
O IPO também é uma sinalização de que o Telegram pode estar se preparando para entrar na disputa de inteligência artificial (IA). Segundo Durov, a empresa já está explorando adotar um chatbot alimentado pela tecnologia.
O presidente do Telegram também demonstrou ter interesse em seguir com um aumento de capital menor.
“Isso continua sendo uma possibilidade se quisermos levantar fundos, por exemplo, para alimentar nossas ambições relacionadas à inteligência artificial", afirmou.
Durov não revelou onde será feito o IPO, mas fontes do Financial Times revelaram que, caso ocorra, deve ser realizado em uma bolsa norte-americana.
*Com informações do Estadão Conteúdo e Financial Times
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