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Dividendos podem ser afetados por reoneração e possível mudança na política de preços
O Ministério da Fazenda anunciou a reoneração total dos combustíveis na segunda-feira (27), e abriu espaço para o questionamento: isso vai afetar a distribuição de dividendos da Petrobras (PETR4)?
A gasolina e o etanol foram desonerados – ou seja, isentos de imposto – durante o governo Bolsonaro. Agora, a equipe de Lula resolveu retomar a cobrança de impostos dos combustíveis, o que, na prática, acaba afetando os preços da Petrobras.
A petroleira fez a alegria dos investidores em 2022, chegando a alcançar o posto de maior pagadora de dividendos do mundo.
Mas, com a eleição de Lula, a “era de ouro” dos dividendos da Petrobras se viu ameaçada.
Isso porque os governos petistas têm um histórico de intervenção nas empresas estatais, e o próprio Lula vem se manifestando contra a política de preços da Petrobras.
A questão aqui é que desatrelar os preços da Petrobras do mercado internacional seria uma maneira de evitar que a reoneração afetasse os preços dos combustíveis para os consumidores finais – e que a popularidade do governo fosse prejudicada.
Então, será que a reoneração dos combustíveis é apenas o primeiro passo? O “primeiro prego na tampa do caixão” dos lucros estrondosos da Petrobras e, por consequência, da distribuição de dividendos?
Vamos falar sobre as possibilidades a seguir.
A consequência mais imediata da volta da cobrança de tributos dos combustíveis é o aumento do preço ao consumidor final.
Se por um lado isso é positivo para o governo, já que esses impostos vão voltar para os cofres públicos depois que a gestão anterior abriu mão deles (cálculos do Ministério da Fazenda falam em até R$ 28,9 bilhões a mais em 2023), por outro, é possível que o tiro saia pela culatra.
Isso porque o preço do combustível é levado em conta no cálculo da inflação. Sem contar que não “cai bem” para a população de repente pagar R$ 0,69 a mais na gasolina e R$ 0,24 no etanol – e isso se reflete na popularidade do governo.
Pensando nisso, foi anunciado hoje (1) que só uma parte do aumento será repassada ao consumidor, enquanto a Petrobras ficará encarregada de “bancar” a outra parte – diminuindo o preço cobrado aos distribuidores.
Fernando Haddad, ministro da Economia, afirmou que a petroleira dispõe de um “colchão que permite aumentar ou diminuir o preço dos combustíveis”.
Em outras palavras, o preço cobrado pela Petrobras estava um pouco acima do padrão internacional, então é possível cobrar mais barato sem perder a competitividade.
Por conta disso, a partir de hoje as distribuidoras vão comprar combustíveis da Petrobras a preços um pouco menores – a gasolina vai passar de R$ 3,31 para 3,18 o litro (uma redução de R$ 0,13), e o etanol, de R$ 4,10 para R$ 4,02 o litro (uma redução de R$ 0,08)
Claro que um movimento como esse vai afetar os lucros da Petrobras e, por consequência, o pagamento de dividendos aos acionistas. Mas o problema não é só esse.
Como já foi dito lá em cima, o maior temor dos acionistas é que tudo isso leve o governo a rever a política de preços da petroleira.
Nesse caso, o lucro da Petrobras ficaria em segundo plano – e os acionistas poderiam dar adeus aos dividendos “gordos” como os que foram distribuídos em 2022.
Claro que ainda não há confirmação dos próximos passos do governo em relação a Petrobras, mas uma coisa é certa: o risco político será uma realidade nos próximos 4 anos.
Mesmo que não haja nenhuma mudança na política de preços por enquanto, a intervenção do governo na Petrobras sempre será uma possibilidade, e os dividendos sempre estarão correndo risco.
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