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O ministro ainda falou sobre arcabouço fiscal, reforma tributária e criticou a postura do Banco Central de manter a Selic no patamar de 13,75% ao ano

Promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil reais pode não se confirmar. Em entrevista à rádio CBN, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad disse que as mudanças podem ser alcançadas com alterações que visam equilibrar as contas públicas.
Ele afirmou que aumentar a isenção de R$ 3 mil para R$ 4 mil em 2025 é possível a partir de algumas medidas que correm no Congresso: novo arcabouço fiscal e reforma tributária.
Com eles, o objetivo ainda é chegar ao fim do governo (em 2027) com a faixa de isenção em R$ 5 mil.
O presidente Lula voltou a falar sobre a isenção recentemente, em seu discurso do dia do Trabalhador. Além de prometer “trabalho” para a isenção do IR, o chefe do Planalto chamou de "absurdo" o pagamento de imposto sobre a PLR.
O governo recentemente ampliou a faixa de isenção de R$ 1,9 mil para R$ 2,6 mil — o patamar da isenção foi elevado para R$ 2.112 desde 1º de maio, e haverá um desconto mensal de R$ 528 direto na fonte — ou seja, no imposto que é retido do empregado.
"Para chegar a esse patamar (de faixa de isenção) é muito desafiador", reconheceu o ministro, que diz perseguir esse número.
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Na mesma entrevista, Haddad também afirmou acreditar na aprovação do arcabouço fiscal no Congresso. Ele disse que essa aprovação é mérito do próprio parlamento.
"Quem viabilizou a transição (do governo) foi o Congresso. O Bolsonaro sumiu, o Guedes sumiu. Todo mundo sumiu, não tinha com quem conversar", afirmou.
Haddad avalia que os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), conseguem fazer a separação dos assuntos de governo e de Estado, o que facilita o cumprimento das agendas que são relevantes para o País.
Por isso, ele pontua que as discussões sobre o arcabouço fiscal e a reforma tributária atingiram um nível de maturidade importante no Congresso, fugindo de um mero varejo político.
O ministro e ex-prefeito de São Paulo ainda disse que o Banco Central já poderia ter iniciado a recalibragem dos juros. O Copom decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano em sua mais recente decisão de política monetária, o que desagradou o governo.
"Acho que já poderíamos iniciar a recalibragem da taxa de juros", disse, ressaltando o respeito à institucionalidade do Banco Central.
Ele pontuou que a expectativa de inflação para 2024 já está muito moderada após os esforços da autoridade monetária.
Ainda assim, ele ponderou que, se o BC erra a calibragem nos juros para a contenção da inflação, quem paga é a sociedade. O ministro alertou para não se cair no erro de politizar todas as reflexões que são feitas sobre o trabalho do Banco Central.
O ministro também afirmou que o teto de gastos era uma regra fiscal que não sobreviveria no longo prazo e que o objetivo do governo é encontrar uma regra exequível.
Haddad defendeu que a proposta de arcabouço fiscal representa um ciclo virtuoso, com a despesa correndo abaixo da receita. Sobre o prazo de ajuste, ele ressaltou que isso dependerá da receita e do resultado primário.
Mais uma vez, ele destacou o esforço feito entre Executivo e os demais Poderes.
"O Executivo é parte da solução e depende de uma harmonização dos Poderes", disse, destacando que o governo já vê indicativos de que Judiciário e Legislativo compraram a agenda de ajuste fiscal.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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