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Carolina Gama
Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.
ANIVERSÁRIO DE 1 ANO
A guerra 365 dias depois: os sinais de que Putin planejava a invasão à Ucrânia, mas o Ocidente fingiu não ver
Pronunciamentos, sanções, envio de equipamentos, plano de paz da China — confira também os principais eventos que marcam o dia
Presidente russo, Vladimir Putin - Imagem: Montagem / Seu Dinheiro
Já se passaram 365 dias desde que as forças russas chegaram à Ucrânia e, até agora, não há sinais reais de uma saída para a guerra — nenhum dos lados parece preparado para uma vitória direta, e o progresso na mesa de negociações neste momento é improvável.
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Ao mesmo tempo, nem o presidente russo, Vladimir Putin, nem o ucraniano, Volodymyr Zelensky, mostram sinais de que podem recuar e abandonar um dos maiores conflitos militares desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Para os civis que estão no meio do fogo cruzado, isso significa que o derramamento de sangue e o sofrimento provocados pela guerra não têm fim próximo.
Sentindo-se encurralado, Putin alertou que poderia realizar uma “operação militar especial” na Ucrânia para defender o que chamou de soberania russa — mas o Ocidente entendeu o aviso da guerra como blefe.
Só que os sinais da Rússia vinham sendo emitidos muito antes daquele 24 de fevereiro de 2022. Desde pelo menos 2001, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vem acelerando sua expansão em direção às fronteiras da Rússia, mas foi em 2014 que as hostilidades ganharam outra escala, com a anexação russa da Crimeia.
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Embora diversos sejam os motivos para a invasão, o mais relevante deles é a influência da Otan no Leste Europeu — tendo como gatilho o pedido da Ucrânia para se tornar membro permanente da aliança.
Para Putin, a Ucrânia na Otan significa a presença da aliança militar do ocidente em fronteiras russas, o que inclui o temor de nuclearização do território ucraniano.
Fonte: BBC
Os eventos do primeiro ano da guerra
Os sinais foram ignorados e Putin invadiu a Ucrânia. O primeiro ano da invasão está sendo marcado por alguns eventos importantes, tanto para um lado como para o outro.
Na Ucrânia e em outros países, a data foi lembrada com momentos de silêncio, vigílias à luz de velas e protestos.
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Confira os eventos recentes que marcaram o dia:
União Europeia promete apoio adicional para de refugiados ucranianos: A vice-presidente da Comissão da UE, Margaritis Schinas, disse que o número de refugiados ucranianos é estável e que não acredita que deve aumentar nos próximos meses. “Se acontecer, estamos preparados, mas não parece ser o caso por enquanto”, afirmou.
G-7 anuncia nova rodada de sanções contra a Rússia: O Grupo dos Sete (G7) anunciou uma série de novas sanções econômicas, militares e financeiras contra a Rússia. O grupo formado por Alemanha, Canadá, EUA, Reino Unido, Japão, França e Itália indicou que tomará medidas sem precedentes para enfraquecer a Rússia, prometendo medidas contra as exportações russas de diamantes, e alertou que terceiros países que ajudam a Rússia a escapar das sanções enfrentariam “custos severos”.
EUA fornecerão mais ajuda militar para a Ucrânia: O pacote de assistência militar norte-americano incluirá vários novos sistemas de drones e antidrones que os EUA não disponibilizaram anteriormente, bem como equipamentos para ajudar a Ucrânia a combater a guerra eletrônica russa. Os EUA também enviarão mais munição para os sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade (Himars) e canhões de obus de 155 mm que Washington forneceu ao longo do ano.
Reino Unido proíbe a exportação centenas de produtos russos: O governo britânico barrou a compra de todos os itens que a Rússia usou no campo de batalha até o momento, uma lista que abrange centenas de produtos, incluindo peças de aeronaves, equipamentos de rádio e componentes eletrônicos. Os britânicos também impuseram sanções a altos executivos da estatal russa de energia nuclear Rosatom, que a Ucrânia diz serem cúmplices da apreensão e mudança forçada de nacionalidade dos funcionários da usina nuclear de Zaporizhzhia.
Banco Mundial anuncia US$ 2,5 bilhões em financiamento adicional para a Ucrânia: O Banco Mundial anunciou US$ 2,5 bilhões em financiamento adicional para a Ucrânia para apoiar o orçamento do país e manter serviços essenciais. Os fundos irão para apoiar os principais setores da Ucrânia, incluindo saúde, escolas, pagamento de pensões, pagamentos para pessoas deslocadas internamente, programas de assistência social e salários para funcionários que prestam serviços governamentais essenciais.
Ucrânia e Rússia saúdam a intervenção da China no processo de paz: A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que Moscou apreciou o plano da China para resolver o conflito na Ucrânia e disse que estava aberta para alcançar os objetivos do que chama de “operação militar especial” por meios políticos e diplomáticos. Já o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que é bom que a China esteja falando sobre a Ucrânia. A declaração da China “respeita nossa integridade territorial”, disse Zelensky, acrescentando que há alguns pensamentos na declaração de Pequim que são “compreensíveis” para ele e outros dos quais ele discorda.
Zelensky quer ir à cúpula de países latino-americanos: O presidente da Ucrânia disse que quer fazer uma cúpula com os países latino-americanos, à qual ele diz que participaria pessoalmente “apesar de ser muito difícil deixar a Ucrânia”. Ele também quer que a Índia e a China participem de uma “cúpula de paz” para acabar com a guerra na Ucrânia.
Zelenskiy says he wants to have India and China participating in a "peace summit" to end the war in Ukraine
O jeito russo de homenagear as vítimas da guerra: Em Nova York, o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, interrompeu um minuto de silêncio durante uma reunião do conselho de segurança. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu um minuto de silêncio para homenagear “as vítimas da agressão”. Quando os membros da assembleia se levantaram, Nebenzya começou a bater em seu microfone e pediu a palavra. Ele disse: “Estamos nos levantando para homenagear a memória de todas as vítimas do que aconteceu na Ucrânia, a partir de 2014. Todos aqueles que pereceram. Todas as vidas não têm preço”, disse.
Polônia entrega os primeiros tanques Leopard para a Ucrânia: O presidente da Polônia, Andrzej Duda, disse que seu país entregou seus primeiros tanques Leopard à Ucrânia. Duda disse que estava feliz que a Polônia foi a primeira nação a oferecer os tanques avançados para a Ucrânia. A Polônia prometeu 14 tanques Leopard 2 de fabricação alemã para a Ucrânia. Não ficou claro quantos tanques foram entregues.
Pierwsze Leopardy z Polski trafiły do naszych sąsiadów z Ukrainy. Dzisiejsza wizyta premiera @MorawieckiM ma wymierny charakter dla bezpieczeństwa Ukrainy i Europy. Równolegle realizujemy kolejne dostawy i zamówienia dla polskiej armii. Dbamy o bezpieczeństwo Polski.
Grécia expressa apoio à Ucrânia: O ministro das Relações Exteriores grego, Nikos Dendias, foi ao Twitter para expressar o apoio de seu país à Ucrânia. “Um ano desde a invasão russa da Ucrânia: a Grécia esteve e permanece ao lado do povo ucraniano, comprometida com seus princípios de respeito à legalidade internacional e à soberania territorial de todos os estados e contra qualquer revisionismo”, escreveu Dendias.
One year since the Russian invasion of #Ukraine: Greece has been and remains by the side of the Ukrainian people, committed to its principles of respect for international legality and the territorial sovereignty of all states and against any revisionism. #UkraineRussianWarpic.twitter.com/SWJwASBlPJ
Zelensky recebe primeiro-ministro polonês: O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, postou no Telegram sobre a visita do primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, a Kiev hoje. Zelensky escreveu: “A Polônia estava conosco antes mesmo do início da guerra em grande escala, estava conosco a cada minuto deste ano e, tenho certeza, estará conosco até nossa vitória. Nossa vitória conjunta!” Ambos discutiram toda a gama de questões de defesa. As negociações envolveram armas para a Ucrânia e a cooperação em relação ao tratamento e reabilitação de soldados ucranianos.
Suécia enviará até 10 tanques Leopard para a Ucrânia: A Suécia enviará até 10 tanques Leopard e sistemas antiaéreos para a Ucrânia, segundo o primeiro-ministro, Ulf Kristersson, e o ministro da Defesa, Pål Jonson. O governo sueco disse em um comunicado: “Os tanques suecos reforçam a contribuição do Leopard 2 que outros países europeus fazem. A coordenação do apoio está em andamento com parceiros internacionais doando Leopard 2 ou outros tanques.”
Sweden is joining the "Leopard family" in support of Ukraine, through Swedish Leopard 2 tanks. Today's military package also includes further air defence components. We will continue to help Ukraine win the war.
Canadá fornecerá mais de US$ 32 milhões para segurança e a estabilização da Ucrânia: Os US$ 32 milhões incluem US$ 7,5 milhões para esforços de retirada de minas terrestres, mais de US$ 13 milhões para esforços de responsabilização que incluem abordar a violência sexual relacionada a conflitos e mais de US$ 12 milhões para “combater ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares. “Por um ano inteiro, o Canadá e a comunidade internacional se reuniram como nunca antes para apoiar a resiliência da Ucrânia diante das agressões do presidente Putin. O apoio do Canadá à soberania da Ucrânia é inabalável. Não vamos desistir até que a Rússia seja responsabilizada por seus crimes”, disse a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Mélanie Joly.
Biden reforça apoio à Ucrânia e anuncia mais sanções: O presidente dos EUA, Joe Biden, manifestou seu apoio à Ucrânia hoje no Twitter, com uma foto com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em Kiev. “A Ucrânia nunca será uma vitória para a Rússia. Nunca”, escreveu. Biden também anunciou uma nova rodada de sanções contra a Rússia.
Today, a year after bombs began to fall, Ukraine is still independent and free.
From Kherson to Kharkiv – Ukrainian fighters have reclaimed their land.
And in more than half of the territory Russia held last year, the Ukrainian flag proudly waves once more. pic.twitter.com/6pv7eBL9gj
China pede negociações de paz entre Rússia e Ucrânia: O governo da China pediu negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia, enquanto pede a todas as partes para evitarem uma escalada nuclear e acabarem com os ataques a civis, em um comunicado que parece manter a posição de Pequim de que o Ocidente está alimentando o conflito. O documento de 12 pontos foi divulgado nesta sexta-feira (24) e afirma que a comunidade internacional deve “criar condições e plataformas” para o reinício das negociações, e afirma que a China continuará a “desempenhar um papel construtivo nesta matéria”.
Rússia adverte sobre tropas na Moldávia: O Ministério das Relações Exteriores da Rússia alertou que qualquer ação que ameace suas tropas na região separatista da Moldávia, seria vista como um ataque direto à própria Rússia e desencadearia uma “resposta adequada”. O alerta de hoje veio um dia depois que o Ministério da Defesa da Rússia alegou que a Ucrânia planejava invadir a região separatista depois de encenar uma operação de bandeira falsa. A região se separou da então Moldávia soviética em 1990 e é controlada pelos separatistas da Rússia.
Putin tenta silenciar o Wagner, grupo de mercenários que luta na guerra: Vários meios de comunicação estatais russos foram instruídos a não citar declarações feitas pelo fundador do grupo mercenário Wagner. Yevgeny Prigozhin, que é um dos associados mais notórios de Vladimir Putin, passou grande parte da última semana criticando publicamente os principais líderes militares da Rússia, acusando-os de "alta traição" e dizendo que eles se recusaram a fornecer munições a ele em uma tentativa de acabar com sua força de combate.
O plano de paz da Ucrânia para acabar com a guerra: O conselheiro presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, disse que qualquer “plano de paz” para acabar com o conflito deve envolver a retirada das tropas russas para as fronteiras de 1991. No Twitter, ele disse que um cessar-fogo que resultaria na ocupação contínua do território russo “não é sobre a paz, mas sobre o congelamento da guerra, a derrota da Ucrânia, os próximos estágios do genocídio”.
Any "peace plan" with ceasefire only and, as a result, a new delimitation line and continued occupation of ?? territory isn’t about peace, but about freezing the war, ?? defeat, next stages of ?? genocide. ?? position is known - the withdrawal of ?? troops to the borders of 1991
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