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"Não sei quem teve essa ideia, mas certamente não foi alguém que soubesse alguma coisa sobre economia monetária internacional", escreveu Krugman

Quando foi anunciada há exatamente uma semana, a moeda comum entre Brasil e Argentina — conhecida popularmente como “peso real” — ganhou mais críticos do que entusiastas. A bola da vez é o norte-americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 2008.
Krugman afirmou que a implementação de uma moeda comum entre o Brasil e a Argentina é uma "ideia terrível". O formato digital da moeda pode ter sido um dos motivos para a ira do economista — afinal, ele é conhecido por não ser um grande fã de investimentos alternativos, como criptomoedas e ativos digitais em geral.
"Não sei quem teve essa ideia, mas certamente não foi alguém que soubesse alguma coisa sobre economia monetária internacional", escreveu Krugman em seu perfil no Twitter no domingo (29).
"Uma moeda compartilhada pode fazer sentido entre economias que são os principais parceiros comerciais um do outro e que são semelhantes o suficiente para que não enfrentam grandes choques assimétricos", afirmou Krugman.
Mas não é o caso. Ele destaca que o Brasil destina 4,2% de suas exportações para a Argentina, que, em contrapartida, exporta 15% para o país vizinho. A estrutura de exportações dos dois países é muito diferente, segundo o Nobel de Economia.
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"As exportações argentinas são basicamente todas agrícolas. Mais da metade das brasileiras são manufaturas ou combustíveis. Então choques na economia mundial provavelmente causariam grandes mudanças na taxa de câmbio real de equilíbrio", escreveu o economista.
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Alberto Fernández, anunciaram neste mês que irão avançar nos estudos para a criação de uma moeda sul-americana comum para transações comerciais e financeiras, "reduzindo custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa", escreveram em artigo publicado no jornal argentino Perfil.
O objetivo do governo brasileiro é fortalecer as exportações ao país vizinho.
A medida foi formalizada durante a visita de Lula à Argentina, mas o anúncio de uma possível nova moeda comum entre os dois países causou confusão.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teve de reforçar que não se trata de uma moeda única, como o euro na Europa, mas sim de “uma unidade comum para as transações entre os países”, que não substituiria as moedas oficiais atuais, o real e o peso.
Os termos geraram certa rusga entre os governos brasileiro e argentino porque têm implicações diferentes na economia.
Mas terminologias à parte, há diferença entre uma “moeda comum” e uma “moeda única”:
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