Você pode ter uma renda semanal de até 500 dólares na sua conta; descubra como aqui

Cotações por TradingView
2023-01-12T15:13:04-03:00
Ricardo Gozzi
INJEÇÃO NA VEIA

A maldição do varejo: por que as grandes empresas do setor são tão vulneráveis

Estratégia de vendas em parcelas a perder de vista impulsiona geração de caixa durante a maior parte do tempo, mas torna-se deficitária quando a inflação galopa e os juros sobem

12 de janeiro de 2023
15:31 - atualizado às 15:13
Lojas Mapping, Jumbo Eletro, G. Aronson e Meslla
Mappin, JumboEletro, G.Aronson e Mesbla já foram gigantes no varejo brasileiro. - Imagem: Divulgação

Nenhum empreendimento comercial é livre de risco. Na história recente do Brasil, entretanto, chama a atenção o grande número de gigantes do varejo que viraram pó praticamente da noite para o dia.

Mappin, Mesbla, Ultralar, G.Aronson e JumboEletro são apenas algumas das diversas empresas do setor que um dia tiveram lojas espalhadas por quase todo o território nacional — e que hoje são lembradas apenas pelos slogans marcantes de campanhas publicitárias onipresentes em um passado distante.

Na noite de ontem, ao revelar a descoberta de um rombo de R$ 20 bilhões em suas finanças, a Americanas (AMER3) mostrou que nem mesmo o fato de ter como sócios de referência três dos homens mais ricos do Brasil é certeza de invulnerabilidade.

A maldição do varejo

E se os primeiros questionamentos tentam elucidar como ninguém antes havia percebido um buraco multibilionário fora do balanço da Americanas, os temores de que a companhia esteja flertando com a quebra levantam uma outra pergunta: o que torna as grandes varejistas brasileiras tão vulneráveis?

Não há uma resposta pronta, obviamente. Mappin, G.Aronson e Ultralar, por exemplo, quebraram em outro contexto. Não sobreviveram para acompanhar a ascensão do comércio eletrônico no Brasil.

Já Magazine Luiza, Casas Bahia, Lojas Renner e Americanas adaptaram-se — cada uma a seu modo — à revolução digital. E também precisaram lidar com a entrada da concorrência estrangeira, personificada por gigantes como Amazon, MercadoLivre e Shopee.

Capitalização permanente

Existe, entretanto, uma característica desse setor que o torna particularmente vulnerável: a necessidade de capitalização permanente.

A estratégia de vendas em parcelas a perder de vista impulsiona a geração de caixa durante a maior parte do tempo, mas torna-se deficitária quando a inflação galopa e os juros sobem, comprimindo a demanda.

Este é um dos motivos pelos quais, por exemplo, um dos maiores investidores individuais da bolsa brasileira evita ações de varejistas.

Numa entrevista concedida no ano passado a Thiago Nigro, do canal O Primo Rico, Luiz Barsi argumenta que “muitas vezes a inflação é tão violenta que você acaba pagando mais do que recebeu pelo produto que acabou de vender e vai acabar precisando de um novo aporte em algum momento”.

Não à toa, no mesmo fato relevante em que revelou ao mercado a descoberta do rombo, a Americanas informou que seus sócios de referência — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — estão comprometidos com a injeção do capital necessário para manter a empresa solvente.

Resta saber se isso será suficiente para recuperar uma credibilidade duramente abalada por uma situação na qual muitas perguntas ainda precisam de resposta.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

HYPE DO CHATBOT

Se cuida, ChatGPT! Alibaba entra na corrida da inteligência artificial com versão chinesa; veja quem já está nessa disputa

8 de fevereiro de 2023 - 14:10

A Microsoft não está assistindo tudo isso de braços cruzados e anunciou um mecanismo de pesquisa Bing com inteligência artificial e um navegador Edge, que será sustentado pelo ChatGPT

Repercussão do resultado

Itaú (ITUB4) acertou em provisionar 100% da exposição à Americanas, dizem analistas; ações disparam na bolsa

8 de fevereiro de 2023 - 12:56

Ao se prevenir totalmente de calote da Americanas no balanço do 4T22, Itaú evita que efeito contamine resultados de 2023

CORRIDA PLATINUM

Uber supera expectativas no 4º trimestre e encerra 2022 com balanço 5 estrelas; ações disparam nas bolsas

8 de fevereiro de 2023 - 12:09

A empresa encerrou os últimos três meses do ano passado com um lucro líquido de US$ 595 milhões, contrariando as expectativas de prejuízo dos analistas

VESPEIRO POLÍTICO

CEO do Itaú (ITUB4) fala sobre disputa entre Lula e presidente do BC: “é do jogo”

8 de fevereiro de 2023 - 11:44

Milton Maluhy, CEO do Itaú, vê a equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “na direção correta”, mas defende definição rápida da meta de inflação

TEMPOS DIFÍCEIS

Entenda o que está acontecendo com a Marisa (AMAR3) após a renúncia do presidente e alerta financeiro — ações caem mais de 5% na B3

8 de fevereiro de 2023 - 11:12

A Marisa (AMAR3) não detalhou quais as suas dificuldades financeiras que demandam melhorias na estrutura de capital

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies