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EL CRIPTOBRO

Obrigado, Milei! Procura por criptomoeda dispara mais de 600% após vitória de ultraliberal — e não foi o bitcoin (BTC); veja qual

Entre 20 e 26 de novembro — ou seja, na semana seguinte à eleição — houve um aumento de mais de 45% na compra de bitcoins em comparação com a semana anterior

Javier Milei, presidente eleito da Argentina e pró bitcoin (BTC)
Javier Milei, presidente eleito da Argentina e pró bitcoin (BTC) - Imagem: Montagem Seu Dinheiro / Reprodução das redes sociais

O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, é conhecido por sua proposta de dolarizar a economia e extinguir o BCRA, como é conhecido o Banco Central do país. O que nem todo mundo sabe é que, dentro de seu ultraliberalismo, Milei também é um defensor do bitcoin (BTC).

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Mais precisamente, Milei se declara anarcocapitalista, uma corrente de pensamento que cultua o individualismo por intermédio da propriedade privada, do livre mercado e da abolição do Estado.

Sem um país formado, não há moeda fiduciária — emitida por um banco central, como o real ou o dólar — e a unidade de troca utilizada, na visão dos defensores dessa linha ideológica, seria uma criptomoeda. A maior delas, o bitcoin, é a preferida dos “ancaps”. 

Assim, a notícia da chegada de Milei à Casa Rosada se popularizou no universo cripto — e a procura por BTC e outras criptomoedas aumentou na Argentina, conforme levantamento da Ripio. 

“As stablecoins têm sido cada vez mais usadas e as várias instâncias da eleição na Argentina consistentemente aumentaram o volume de busca por elas”, explica Sebástian Serrano, CEO e cofundador da Ripio, empresa de tecnologia blockchain multiprodutos com forte presença no país. 

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Em números: a procura por bitcoin na Argentina

A procura por BTC na corretora deu um salto de 20% na semana que confirmou a vitória de Milei. 

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Entre 20 e 26 de novembro — ou seja, na semana seguinte à eleição — houve um aumento de mais de 45% na compra de bitcoins em comparação com a semana anterior.

Mas as buscas por stablecoins (criptomoedas lastreadas em ativos estáveis, como o dólar) foram ainda mais surpreendentes, registrando um crescimento de mais de 600% em comparação com o domingo anterior ao pleito. 

Na semana que antecedeu a eleição, mais de 1 milhão de unidades da stablecoin Criptodólar (UXD) foram negociados. O ticket médio de compra dessa criptomoeda também foi 50% maior do que na semana anterior.

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Mas por que stablecoins e não o bitcoin?

Em primeiro lugar, os hermanos sempre tiveram preferência pelo dólar americano por questões históricas — a moeda destacou-se como uma reserva de valor capaz de proteger contra as sucessivas crises no país. 

E a recente proposta de dolarização da economia de Milei também ajudou no crescimento dos números da corretora. 

“Esse movimento ficou evidente principalmente com o UXD, que rapidamente se tornou a principal stablecoin negociada na Ripio Wallet, com um market share de cerca de 50%, superando outras moedas como o Dai (DAI), USDt (USDT) e USDC (USDC)”, diz Serrano. 

Desde muito antes…

Esse aumento da procura por criptomoedas na Argentina na verdade é um movimento que passou a acontecer desde o começo do ano, segundo o CEO da Ripio. 

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Entre julho e agosto, por exemplo, a corretora registrou um aumento de 110% nas transações de ativos digitais, praticamente dobrando o volume negociado na plataforma.

Já no primeiro turno das eleições houve um aumento significativo. Entre setembro e outubro, a procura foi 68% maior, segundo dados da corretora. Cumulativamente, de julho até o final de outubro, foi possível observar um incremento de 30% no volume de stablecoins negociadas.

O mercado de criptomoedas da Argentina

Um estudo recente da Chainalysis, empresa especializada em levantamentos on-chain envolvendo ativos digitais, mostrou que Brasil e Argentina foram os países que mais receberam criptomoedas entre junho de 2022 e julho de 2023. Cada um recebeu cerca de US$ 85 bilhões, de acordo com a pesquisa.

Contudo, o cenário no país vizinho é bastante diferente. A Argentina lida com uma inflação de três dígitos, a faca do Fundo Monetário Internacional (FMI) no pescoço e uma profunda crise social, com a pobreza atingindo mais de 40% da população. 

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Com o peso argentino cada vez mais desvalorizado e uma imposição do governo, que limita o acesso ao dólar para criação de reservas de valor, a população se voltou para as stablecoins lastreadas na moeda norte-americana, identificou a Chainalysis.

“Criptomoedas são amplamente conhecidas na Argentina. Cerca de cinco milhões [de uma população de 45,8 milhões] usam criptomoedas, dois milhões delas na nossa plataforma”, diz o head de compliance da Lemon Cash, uma exchange que opera no país.

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