Corretoras de criptomoeas aderem a proof-of-reserve: por que a prova de reservas não irá evitar novos casos como o da FTX? Entenda
Diferentemente do que se pode sugerir, a PoR não é um mecanismo de validação da blockchain como é o caso do proof-of-work (PoW) ou o proof-of-stake (PoS)

A falência da FTX deixou expostos uma série de problemas do mercado de criptomoedas, desde a necessidade de regulação até mecanismos de segurança em momentos de crise. Uma das alternativas tomadas pelas corretoras de cripto (exchanges) é um novo instrumento chamado proof-of-reserve (PoR, a prova de reservas, na tradução do inglês).
Diferentemente do que se pode sugerir, a PoR não é um mecanismo de validação da blockchain como é o caso do proof-of-work (PoW, a prova de trabalho) ou o proof-of-stake (PoS, a prova de participação).
Ele nada mais é do que a auditoria dos fundos de uma corretora por uma terceira entidade para garantir que a empresa tenha os fundos necessários para cobrir os investimentos dos clientes. Dessa forma, seria possível ter um panorama — em alguma medida — da saúde financeira da empresa.
Até mesmo o Coin Market Cap, um dos principais agregadores de cotações do mercado cripto atualmente, começou a disponibilizar uma aba com informações sobre os fundos das corretoras.
No entanto, o método recebe críticas de entidades do setor.
Prova de reservas tomam um drible das criptomoedas
Quem explica porque esse mecanismo não é o mais adequado para garantir a saúde financeira de uma companhia é o CEO do Mercado Bitcoin (MB), Reinaldo Rabelo.
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“A empresa pode indicar qualquer carteira digital (wallet) e chamar de sua e dizer que ali tem as criptomoedas suficientes para cobrir os clientes. Acontece que esses endereços podem ter outra custódia e aquela companhia não tem acesso às chaves para fazer as transações”, comenta ele.
Assim, o próprio processo de auditar esses fundos estaria comprometido, tendo em vista que ainda existem poucos instrumentos para levantar os números dessas empresas com dados on-chain — isto é, retirados de dentro da blockchain.
Como garantir as reservas?
Partindo para uma descrição um pouco mais técnica, os donos e custodiantes das carteiras que possuem as chaves de acesso para cada wallet podem escrever dentro do código dessas carteiras para a identificação.
“O órgão regulador pode mandar eu escrever uma frase genérica lá. Se eu consigo escrever e gravar aquilo, é a prova de que a carteira é minha”, comenta Rabelo.
Isso porque a blockchain funciona como um cofre de vidro: cada usuário pode olhar as transações e movimentações de cada carteira, mas não consegue mover os fundos.
Proof-of-reserves não evitaria uma FTX
Além disso, esse modelo dá margem para que a empresa dê as moedas como empréstimos para outras companhias pelo mecanismo de lending e staking.
Em outras palavras, os tokens estariam sob a guarda de outra empresa, ainda que pertençam à primeira. Contudo, esta não é uma forma segura de guardar as criptomoedas porque expõe as reservas ao risco sistêmico das demais empresas do setor.
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