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Confira taxas, tipos de criptomoedas disponíveis e algumas funcionalidades voltadas ao mercado cripto em cada um desses aplicativos
Atualização: a informação de que a 99 Pay só tinha uma opção de criptomoeda estava incorreta. Desde 20 de julho, o aplicativo da 99 (para pedir corridas) permite a compra de ethereum (ETH), solana (SOL), USD Coin (USDC) e decentraland (MANA). Ainda foi adicionado um parágrafo explicando o que aconteceu. A pedido da 99, atualizamos a matéria e pedimos desculpas pela confusão.
Grandes empresas entraram de cabeça no universo digital nos últimos meses, visando aproveitar um pouco do substancial mercado de criptomoedas brasileiro. Algumas delas, como Nubank, Mercado Pago, PicPay e 99 Pay, passaram a ser comparadas com carteiras (wallets) devido à facilidade do seu uso.
Esses aplicativos começaram a oferecer a compra, venda e custódia de criptomoedas nos últimos meses como forma de atrair os clientes que só conseguiam encontrar moedas digitais nas corretoras de cripto (exchanges).
Mesmo tendo taxas de negociação relativamente mais altas do que as exchanges de cripto e terem uma variedade menor de criptomoedas disponíveis, elas são uma alternativa para quem quer começar a entender mais desse segmento.
Isso porque, em poucos cliques, é possível comprar o equivalente a até R$ 10 mil em bitcoin (BTC), ethereum (ETH) e outras criptomoedas dentro dessas plataformas. A facilidade em comprar moedas digitais é o ponto forte desse tipo de aplicativo.
Além disso, essas plataformas já estão dentro de outros aplicativos, o que torna um novo cadastro — consequentemente, um novo login e senha para o usuário gerir — dispensável.
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Antes de começarmos a classificação, é preciso ressaltar algumas diferenças.
Sempre que alguém cria uma nova carteira de criptomoedas são criadas também as chaves de acesso, a senha daquela wallet. Assim, para acessar os investimentos, é necessário ter essas chaves em mãos — em geral, é um conjunto de 12 palavras aleatórias.
Nas corretoras, o cliente tem acesso a essas chaves e pode tanto deixar suas criptomoedas na plataforma da própria exchange como transferi-las para outra wallet com o uso dessa senha, deixando sua conta na corretora sem nenhuma cripto.
Já em plataformas como Nubank, Mercado Pago, PicPay e 99 Pay, o cliente não tem acesso a essas chaves. Ou seja, não pode negociar entre carteiras — e isso é um ponto fraco desses aplicativos.
Existe uma máxima no mercado que é: “Not your keys, not your coins”, algo como “se as chaves não são suas, as moedas também não são''. Em outras palavras, os “donos” das suas criptomoedas são essas instituições.
Isso não quer dizer, no entanto, que essas plataformas sejam menos seguras do que as corretoras. Para José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, as empresas são sérias e desenvolvem seus projetos com foco em segurança.
“É claro que elas [essas plataformas] funcionam como um intermediário entre o cliente e uma custodiante. Isso pode implicar em um ponto a mais de fragilidade, mas não é necessariamente mais inseguro”, comenta.
Dito isso, confira a seguir as melhores plataformas para comprar criptomoedas fora das exchanges:
| Aplicativo | Taxas | Mínimo de entrada | Moedas disponíveis |
| Nubank | Variáveis (~1,85%) | R$ 1,00 | BTC e ETH |
| Mercado Pago | 2,00% | R$ 1,00 | BTC, ETH, USDP e Mercado Coin** |
| 99 Pay | 0,5%* | R$ 1,00 | BTC, ETH, SOL e MANA |
| PicPay | Variáveis (de 1,5% a até 1,85%) | R$ 1,00 | BTC, ETH, USDP e BRC** |
As melhores wallets disponíveis atualmente são as carteiras do Mercado Pago e do PicPay. Mesmo com taxas de negociação mais altas, a variedade de moedas é maior e tende a crescer no futuro.
Além do bitcoin e do ethereum, esses aplicativos permitem comprar PaxDollar (USDP), uma stablecoin com lastro em dólar — o que se assemelha a um investimento em moeda norte-americana.
A parceria com a Paxos Trust Company também traz uma dimensão a mais de segurança para o usuário. Essa instituição financeira fornece serviços em criptografia para o PayPal e para o Facebook, além de ter reconhecimento internacional em segurança digital.
Por se tratarem de instituições de pagamento atreladas a marketplaces — o Mercado Pago com o Mercado Livre e o PicPay com lojas como Amazon, Magazine Luiza, Shopee, AliExpress, Netshoes etc. — a tendência é de que os usuários possam utilizar criptomoedas para fazer suas compras nesses ambientes.
É claro: essa função ainda não está disponível, o que frustrou um pouco alguns usuários em um primeiro momento.
Entretanto, a reportagem conversou com Bruno Gregory, executivo responsável pela unidade de negócios de Cripto e Web3 do PicPay, que afirmou estar de olho nas demandas do mercado para desenhar novas funcionalidades.
“Está tudo mapeado para ampliarmos o setor de pagamentos do PicPay. Logicamente, tudo vai depender da demanda, que ditará a prioridade de cada projeto”, afirma ele.
Também foi anunciado o desenvolvimento de uma criptomoeda própria do PicPay, uma stablecoin com lastro em real chamada Brazilian Real Coin (BRC). Novamente, ainda não está disponível para o público.
O Mercado Pago também não ficou para trás e já anunciou o lançamento da sua própria criptomoeda, o Mercado Coin. Inicialmente, essa moeda estará disponível apenas para cashback, mas existem especulações de que possa ser usada para negociações dentro do Mercado Livre.
Com a medalha de prata e de bronze, Nubank e 99 Pay são, respectivamente, as plataformas que ainda precisam apresentar melhores vantagens para o usuário.
Começando pelo roxinho — que recentemente atingiu um milhão de clientes em criptomoedas, pouco mais de 1,5% dos 65,3 milhões de clientes —, as taxas podem ser levemente menores, mas podem variar de acordo com o volume negociado.
Em nota enviada à reportagem, o Nubank afirma que “está testando a taxa cobrada para compra e venda de criptomoedas. O objetivo é encontrar a melhor opção para o cliente e para o nosso negócio, sempre em linha com a missão da empresa de democratizar o mercado de criptomoedas no Brasil”.
Vale uma ressalva na cobrança de tarifas de negociação no Nubank.
O referencial de 1,85% nas taxas foi baseado nas experiências dos clientes que utilizaram a plataforma, mas a cobrança varia conforme o montante de dinheiro negociado por vez — portanto não é um valor fixo.
No próprio aplicativo do Nubank, é possível ver quanto será cobrado na hora da transferência. O valor é descontado na compra da criptomoeda — ou seja, para compra de R$ 10 em BTC, é cobrada uma taxa de R$ 0,18 o usuário recebe o equivalente a R$ 9,82 em bitcoin.
A quantidade de criptomoedas disponíveis também é pequena — apenas bitcoin e ethereum. Conta ponto a favor do Nubank que o cliente não precisa fazer um novo registro ou conta para começar a negociar.
Por fim, o aplicativo 99 Pay tem apenas o bitcoin como criptomoeda disponível para o cliente. Entretanto, no aplicativo 99 — o mesmo que o usuário utiliza para pedir corridas de carro — o cliente pode ter acesso a outras criptomoedas como ethereum, solana (SOL), USD Coin (USDC) e Decentraland (MANA).
Apesar da disponibilidade de mais tokens, a compra pelo aplicativo de corridas é pouco intuitiva — e justamente a facilidade deveria ser o ponto forte dessas carteiras. Alguns usuários podem enfrentar uma falta de sincronia entre os aplicativos e isso pode gerar confusão para o usuário desatento. O ponto forte sessa plataforma são as taxas zeradas até o momento.
Afinal, essas plataformas vieram para tomar o lugar das exchanges? A resposta é não.
A verdade é que as várias instituições financeiras que estão de olho no mercado de criptomoedas brasileiro entrarão em seus respectivos segmentos nesse setor. “É um mercado muito grande, tem espaço para todo mundo”, pondera José Artur, da Coinext.
Isso quer dizer que esses aplicativos não irão competir entre si, mas entre segmentos do mercado de criptomoedas que ainda irão surgir para o usuário local.
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