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Como transicionar para uma nova posição? Aqui eu listo alguns aspectos importantes que observei em exemplos que acompanhei de perto
Este é um dos tópicos mais comuns que surgem em conversas de carreira: como eu faço uma transição da minha atual posição ou profissão para uma nova?
Muito recentemente, tive o privilégio de poder estruturar e por no ar um programa de transição de carreira, carinhosamente batizado de Trainee 40+. Uma iniciativa desenhada para o público com mais de 40 anos de idade, interessado em aprender mais sobre o universo de finanças e investimentos.
A ideia nasceu de um processo recorrente de receber e-mails de clientes aqui na empresa, interessados em fazer uma transição para o mercado financeiro. Uma das minhas hipóteses é que o desejo surge pelo fato de sermos um negócio de publicações e conteúdos, em que buscamos de forma muito didática levar boas recomendações de investimento para qualquer pessoa. Dessa forma, o nosso assinante vai entrando em contato com o tema de forma leve e acessível.
O resultado disso é uma base de clientes engajada sendo capacitada e se apaixonando pelo tema, o que leva a considerarem uma eventual transição de carreira para esse universo de mercado financeiro.
E aí começam as dúvidas dos interessados: mas como faço essa transição? É possível uma contratação de um profissional mais sênior, porém começando em uma área totalmente nova? E como fica a remuneração? Quais os riscos envolvidos em uma eventual mudança?
Não quero perfumar a história, tampouco trazer só romantismo para o processo. Para quem já vem me acompanhando aqui, sabe que prefiro a transparência e o pragmatismo ao conduzir as coisas.
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Listo a seguir alguns aspectos importantes que observo nos exemplos de transição que já acompanhei de perto.
Tenho um exemplo muito próximo de mim, que é uma das minhas irmãs, que optou por largar uma carreira muito bem sucedida no mercado financeiro, no auge de seus 36 anos de idade, para começar uma nova profissão como nutricionista.
O caminho começou do zero, e o primeiro passo foi fazer o vestibular para o curso de Nutrição. Quase 15 anos após o ingresso na primeira graduação. Naquele momento, ela já sabia que estava deixando para trás a estabilidade e experiência construídas ao longo de toda a jornada profissional até ali. Eu não canso de dizer, para ela e todas as pessoas que fizeram transições radicais assim, do quanto admiro a coragem e determinação nessas decisões.
Após seis anos de uma longuíssima jornada de dedicação à nova graduação e especializações, minha irmã tornou-se nutricionista. Começou do zero e está dando seus primeiros passos nos atendimentos, construindo sua base de pacientes. Ao questioná-la sobre o nível de felicidade e realização, ela não titubeia em dizer que faria tudo de novo, mas que também pensa muitas vezes na segurança e remuneração que deixou para trás.
Ou seja, nem sempre o caminho para a realização profissional será um mar de rosas. Há muito percalço e suor para dar cabo à transição. Portanto, se você está pensando nesse movimento, lembre-se que talvez você terá que recomeçar lá de baixo, dando passos como um iniciante.
No programa que citei aqui anteriormente, o Trainee 40+, tentei deixar claro desde o início para os aprovados que, ao final do programa, eles poderiam aplicar para vagas efetivas do grupo, porém a remuneração seria definida a partir da experiência prévia que cada um possuía frente à escolha da área final.
Por exemplo, para uma pessoa com histórico profissional em uma área totalmente diferente daquela final escolhida para trabalhar, o target salarial seria posicionado no novo nível de senioridade da vaga em questão. Em outras palavras, a pessoa começaria no piso da nova função, por ainda não ter experiência na área.
Apesar de parecer trivial o tema da remuneração, a prática mostra que encarar a realidade de um salário mais baixo, no momento da transição, não é assim tão simples. Já vi profissionais que optaram por fazer uma mudança de carreira, mas que ficaram apegados à remuneração recebida na última função ou profissão anterior.
O argumento do reclamante nesse caso costuma ser que o novo salário não corresponde à experiência prévia. E aqui vale ressaltar o que falei no primeiro tópico – a depender da mudança em jogo, você precisa estar pronto para recomeçar do zero.
É preciso planejar e preparar-se financeiramente para a transição. Para cada pessoa, esse aspecto será manejado de formas distintas - há aquela que conta com o apoio de alguém ou um sponsor para suportar financeiramente o processo; há o outro que precisa encarar sozinho as despesas e, portanto, precisa de bastante planejamento prévio para construção de uma reserva financeira que dê conta da transição. Esses perfis distintos terão jornadas muito diferentes, contudo já vi exemplos bem-sucedidos em ambos os casos.
Minha outra irmã, que também é da área da saúde, me contou sobre um caso de um enfermeiro que trabalhava no período noturno no hospital, para pagar a graduação em medicina, um curso em período integral. Eu não consigo dimensionar o tamanho do esforço dessa pessoa, apenas admirar (de novo!) a coragem ao encarar essa jornada.
Hoje ele é colega de trabalho e profissão da minha irmã. Um verdadeiro exemplo de transição árdua e bem sucedida, de alguém que parece ter encarado o planejamento de forma prática: usou da profissão que já tinha para conseguir financiar e viabilizar o sonho da nova carreira.
Um outro exemplo bem próximo foi de um dos participantes do programa 40+, em que ele estabeleceu um planejamento em parceria com a esposa. Enquanto se preparava e investia tempo para a transição de carreira, a parceira assumiu a responsabilidade financeira da casa durante o período.
Tenho aqui na empresa três casos de pessoas que queriam transitar para a área de tecnologia, advindos de outras profissões – uma farmacêutica, um contador e um profissional da área de finanças.
Dois deles entraram para o nosso time via programa de estágio tradicional e o terceiro via programa Trainee 40+. E eles tinham algo em comum: pesquisaram e conversaram com diversos profissionais da área antes de tomar a decisão pela transição.
Lembra do início da fase adulta, quando estava naquele momento de definição da profissão e carreira profissional a ser seguida? Era muito comum o conselho, por especialistas em orientação vocacional, de conhecer a profissão de interesse na prática e entrevistar pessoas da área. Nada muda em um projeto de transição de carreira.
É preciso se aproximar da realidade, entender a nova profissão sob uma perspectiva prática. Isso não é um conselho para afastar você do seu desejo de fazer uma transição, mas para que você lide melhor com eventuais frustrações que poderão surgir no caminho da nova prática profissional.
Invista tempo em conversas com pessoas da área de interesse, entenda como foi o início e o que precisa ser feito para começar. Adote uma postura de aprendiz, com a mesma curiosidade quando estávamos escolhendo nossa primeira profissão.
Quem nunca ouviu a frase “Você não tem mais idade para isso!”?
Esse tipo de opinião pode ser classificada como etarismo ou ageísmo, que consiste na discriminação contra indivíduos ou grupos etários com base em estereótipos associados à idade.
Podemos olhar esse tema em duas perspectivas: abraçando o preconceito e nos colocando dentro do estigma ou usando a nosso favor o que a idade tem de melhor a nos oferecer – conhecimento e proficiência em diversas competências adquiridas ao longo da vida.
Aqui usarei dois ótimos exemplos para mostrar como é possível usar a experiência a nosso favor. O primeiro é o da minha irmã, que trabalhou por muitos anos em áreas comerciais no mercado financeiro.
Nessa profissão, acabou desenvolvendo uma habilidade em estabelecer bons relacionamentos interpessoais com diferentes perfis. Hoje isso conta muito na nova profissão como nutricionista, pois a relação com os mais diversos perfis de pacientes também demanda dela essa habilidade de se relacionar.
O segundo caso é o da Bruna, que foi também do programa Trainee 40+, e hoje faz parte da minha equipe. Ao conhecer sua história, background acadêmico e profissional, vi nela um grande potencial em assumir a área de comunicação interna, recém criada na empresa.
Embora não tivesse experiência prévia com o tema, ela acumulava anos de experiência como cientista social e um mestrado em direitos humanos, o que dava um provável indicativo de legitimidade nas competências de pensamento crítico e produção textual, habilidades essenciais para a área.
Por fim, lembre-se que o caminho não será fácil e a resiliência será condição fundamental para superar todas as dúvidas que irão lhe acompanhar nessa jornada. Todos, absolutamente todos os casos, que vi de transição de carreira, são de pessoas com altíssima capacidade de perseverar e lidar com as adversidades de forma centrada.
Até a próxima.
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