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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Proximidade do Fed assusta e inflação dos EUA pesa sobre as bolsas hoje; Ibovespa aguarda dividendos da Petrobras (PETR4)

Os investidores locais ainda aguardam a divulgação do IPCA-15, que pode registrar deflação de acordo com projeções

Renan Sousa
26 de julho de 2022
7:38 - atualizado às 7:45
Alicate de pressão pressiona moedas em analogia à inflação
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa hoje. Imagem: Shutterstock

As bolsas internacionais têm mostrado alguma recuperação há pouco mais de uma semana para cá. Ontem, o Ibovespa subiu 1,36% e recuperou a faixa dos 100 mil pontos na esteira da alta do petróleo e do minério de ferro — na outra ponta, o dólar à vista registrou queda de mais de 2%, na cotação de R$ 5,36 no fechamento de ontem (25). 

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Boa parte dessa alta recente se deve à temporada de balanços, que hoje começa a ganhar ritmo no Brasil, mas já pega fogo nos Estados Unidos e na Europa. Entretanto, esse movimento pode estar com os dias contados. Ou seriam horas já?

Vejamos: as bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam o pregão desta terça-feira (26) em alta, seguindo o otimismo do plano de listagem de ações da Alibaba para investidores da China continental. A expectativa com a decisão de juros do Fed na quarta-feira (27) ficou em segundo plano.

Em Nova York, porém, os índices futuros sinalizam queda em Wall Street. Isso porque os temores com o avanço da inflação e com o cada vez mais elevado risco de que a desaceleração econômica se transforme em recessão voltaram à tona nesta terça-feira.

O mesmo acontece com as bolsas na Europa, que operam sem direção definida nas primeiras horas da manhã.

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Como os balanços previstos para hoje no Brasil estão previstos para depois do fechamento, é possível que os investidores busquem ajustar suas posições nos papéis do Carrefour e da Neoenergia. E também para a Klabin, que divulga seu resultado trimestral amanhã cedo.

Leia Também

Enquanto isso, os investidores repercutem hoje a possibilidade de a Petrobras anunciar ainda esta semana a antecipação de mais R$ 40 bilhões em dividendos.

Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa hoje:

Bolsas à espera do Fed e do PIB dos EUA

Os investidores tentam se antecipar ao resultado da reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Entretanto, isso só vai acontecer no meio da tarde de amanhã.

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Os participantes do mercado financeiro esperam uma alta de 75 pontos-base, numa ação de política monetária similar à de junho.

Outro gatilho de ansiedade é a expectativa com relação ao resultado do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre, previsto apenas para a quinta-feira (28)

Depois do recuo registrado nos primeiros três meses do ano, um novo resultado negativo colocaria os EUA em recessão técnica — quando o PIB cai por dois trimestres seguidos.

Quando a inflação corrói os lucros

É nesse contexto que um inesperado alerta feito pelo Walmart na noite de ontem pesa hoje sobre os mercados financeiros.

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A rede varejista avisou a seus acionistas que o lucro por ação deve diminuir entre 8% e 9% no segundo trimestre. Mas não só. No ano, a expectativa agora é de que o lucro por ação recue entre 11% e 13%. A previsão anterior era de queda de 1%.

Nas palavras do próprio Walmart, o lucro da companhia está sob pressão da alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis.

As vendas gerais até aumentaram, mas concentram-se nos itens básicos de consumo. As vendas de produtos de maior valor agregado caíram drasticamente.

Como o anúncio não estava programado, o fator surpresa também pesa. As ações do Walmart caíam 9% no pré-mercado na manhã de hoje.

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“Os temores de recessão aumentam nos Estados Unidos depois do aviso do Walmart”, disse Jeffrey Halley, analista da corretora Oanda.

Veja também: PROMOÇÃO DE AÇÕES NA BOLSA BRASILEIRA

Balanços nos EUA

Os resultados trimestrais seguem em destaque hoje nos Estados Unidos.

A expectativa aumenta ainda mais por se tratar de algumas das maiores empresas do mundo na atualidade.

A Microsoft e a Alphabet, dona do Google, divulgam seus resultados hoje, mas só depois do fechamento em Wall Street. Amanhã será a vez da Meta Platforms, controladora do Facebook. Na quinta-feira, Apple e Amazon fecham o ciclo das big techs, que juntas somam US$ 7,5 trilhões em valor de mercado.

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Ibovespa: venham, dividendos!

O destaque do dia no panorama doméstico vai para grande expectativa com o balanço da Petrobras (PETR3;PETR4) na quinta-feira. O resultado em si não é o grande destaque, mas o possível anúncio de antecipação do pagamento dos dividendos da empresa aos acionistas — incluindo a União. 

A medida vem na esteira de uma série de pressões do governo federal sobre a estatal, tendo em vista que o caixa público se beneficia do montante pago em dividendos. 

No primeiro trimestre, a estatal pagou cerca de R$ 48,5 bilhões aos cofres públicos; para o período referente aos três meses seguintes, a expectativa é de cerca de R$ 40 bilhões. 

O dragão brazuca

Ainda nesta terça-feira, o IBGE deve divulgar a prévia da inflação oficial em julho, medida pelo IPCA-15. Diferentemente do que vinha acontecendo, as projeções agora contam com uma certa expectativa de deflação

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De acordo com informações colhidas pelo Broadcast, as expectativas para o IPCA-15 variam de uma queda de 0,70% até um avanço de 0,70% no mês — com mediana em 0,16%. 

Na base anual, o índice de preços deve avançar 11,41% em 12 meses. As projeções vão de alta de 9,80% até 11,94%. 

Isso representa uma queda significativa em relação a leitura de junho, que avançou 0,69% na base mensal e 12,04% na comparação anual.

Agenda do dia

  • IBGE: IPCA-15 de julho (9h)
  • Estados Unidos: FMI publica relatório Perspectiva Econômica Mundial (10h)
  • Banco Central: BC lança moedas comemorativas do Bicentenário da Proclamação da República, com presença do presidente da instituição, Roberto Campos Neto (15h)
  • China: Lucro industrial de junho (22h30)
  • Zona do Euro: Conselho Extraordinário de energia da União Europeia (sem hora marcada)

Balanços do dia

Antes da abertura:

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  • Coca-Cola (EUA)
  • General Eletric (EUA)
  • General Motors (EUA)
  • McDonald’s (EUA)
  • Unilever (Reino Unido)
  • UBS (Suíça)

Após o fechamento:

  • Carrefour (Brasil)
  • Neoenergia (Brasil)
  • Telefônica (Brasil)
  • Alphabet (EUA)
  • Microsoft (EUA)
  • 3M (EUA)
  • Visa (EUA)

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