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Depois de depositar dinheiro devido a credores externos, fundador fala em deixar em segundo plano os empreendimentos imobiliários para investir em setores considerados mais promissores

O conglomerado chinês Evergrande surpreendeu o mercado na sexta-feira ao pagar US$ 83,5 milhões devidos a credores externos.
Apesar de ter perdido o prazo original do pagamento, a Evergrande transferiu o dinheiro na última hora do período de carência.
A megaincorporadora evitou assim - pelo menos momentaneamente - uma declaração formal do calote de sua dívida, cujo total ultrapassa os US$ 300 bilhões.
A notícia traz algum alívio a bancos como o HSBC e o UBS e a fundos como o BlackRock. E causa surpresa justamente por causa de um certo consenso entre analistas de que os credores externos seriam deixados a ver navios.
Agora, à medida que obtém acordos com seus credores em moeda local e vai respirando por aparelhos, a Evergrande parece mirar no bilionário-celebridade Elon Musk na busca por uma saída factível para a crise.
Como é comum entre os grandes conglomerados asiáticos, ainda que a incorporação imobiliária seja o negócio principal da Evergrande, ela está longe de ser o único.
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Os tentáculos da construtora estendem-se por diversos ramos de negócios, o que inclui seguros, um banco, parques temáticos, presença nos setores de mídia, saúde e indústria alimentícia e até mesmo um time de futebol.
Um desses braços é uma unidade de veículos elétricos. Inaugurada em 2019, essa unidade da Evergrande até hoje desenvolveu apenas protótipos e nunca vendeu um único carro.
Isto não parece ser um problema para Xu Jiayin - também conhecido como Hui Ka Yan em cantonês -, fundador do hoje combalido conglomerado e ex-homem mais rico da China.
Para tirar a empresa da crise, Xu pretende emular o caminho de Musk, o fundador da Tesla (TSLA34).
Segundo ele, dentro de dez anos, a unidade de veículos elétricos substituirá a de incorporação imobiliária como o principal negócio da Evergrande.
Xu não entrou em detalhes sobre como o plano será executado, mas o anúncio feito no decorrer do fim de semana aparentemente foi bem recebido no mercado.
Raymond Cheng, pesquisador da CGS-CIMB Securities, disse à agência de notícias Reuters que a mudança "faz sentido", uma vez que o governo chinês tem oferecido apoio crescente a projetos que reduzam as emissões de poluentes ao mesmo tempo em que promove apertos monetário e regulatório sobre o setor imobiliário.
O caminho pretendido por Xu também está em linha com os rumos apontados pelos principais participantes da indústria automobilística global, que vêm multiplicando seus investimentos em veículos elétricos.
E enquanto a indústria automotiva atravessa uma grave crise devido à escassez de microchips, a Tesla, de Musk, acaba de reportar lucro recorde no terceiro trimestre de 2021.
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