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2021-05-25T18:22:09-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Investimento seletivo

Pensando em investir em IPOs? Gestores da Truxt, SPX e Clave recomendam cautela

Com o grande número de IPOs na bolsa brasileira desde 2020, gestores da Truxt, Clave e SPX dizem que é preciso calma na hora de investir

25 de maio de 2021
18:22
IPOs IPO
Imagem: Shutterstock

A bolsa brasileira passa por uma explosão de IPOs: foram 26 aberturas de capital em 2020 e, neste ano, outras 19 companhias chegaram à B3. É um mercado que atrai investidores, mas que não está livre de riscos — e profissionais da Truxt, SPX e Clave, três das mais tradicionais gestoras de recursos do país, pregam cautela com o boom.

Afinal, com tantos prospectos sendo lançados, muitas vezes é difícil encontrar tempo para se debruçar sobre os números e estudar os planos de negócio — um cenário perfeito para que erros de análise sejam cometidos.

"Com empresas novas, é preciso ter um cuidado maior", disse Leonardo Linhares, sócio da SPX, em evento promovido pelo BTG Pactual. Além da questão do tempo, ele ainda destaca que a falta de um histórico de comportamento das companhias em ambientes de crise é outro fator que dificulta a tomada de decisão.

Bruno Garcia, CIO da Truxt, deu um exemplo prático para ilustrar o aquecimento dos IPOs: ele contou que, somente no primeiro trimestre deste ano, 76 empresas procuraram a gestora a respeito de uma potencial abertura de capital — apenas 13 de fato concluíram o processo.

IPOs 2021

"IPOs são maravilhosos, adoramos olhar para empresas novas, setores novos", disse Garcia. "Mas, no curto prazo, há certo exagero".

O gestor da SPX ainda destaca que tem sido comum ver altas ou baixas muito fortes nos primeiros dias de negociação de um papel — um comportamento que pode indicar uma definição de preço mal feita e que, em certa medida, pode ser fruto dos longo período sem IPOs no Brasil.

IPOs e os temas do mercado

André Caldas, CIO da Clave Capital, ainda aponta outro fator que favorece as distorções nos IPOs: os chamados "temas quentes" do mercado.

Ele dá um exemplo: na esteira do sucesso da Rede D'Or e do bom desempenho das ações de Hapvida e NotreDame Intermédica, muitas empresas desse segmento estão tentando entrar no mercado. A percepção de que todo um setor tem boas perspectivas acaba criando distorções e problemas de avaliação.

"Quando tivermos uma Localiza, uma Natura, uma Renner [fazendo IPO], é claro que queremos achar", disse Caldas. "Mas com o excesso de liquidez, muitas empresas que não estão prontas estão vindo para a bolsa".

Segundo dados da CVM, há 31 companhias com pedidos de IPO em análise; outras 34 desistiram dos IPOs ao longo do ano.

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