Federal Reserve mantém juros inalterados; bolsas reagem positivamente
Decisão já era esperada, mas o mercado aguarda sinais do futuro da política monetária do país

Nesta quarta-feira (17), o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc, na sigla em inglês) manteve inalterada a sua taxa básica de juros, entre 0% e 0,25% ao ano, em uma decisão unânime.
Reforçando o discurso que tem sido aplicado desde o ano passado, o Fed afirmou que a entidade seguirá aplicando todas as ferramentas disponíveis para apoiar a recuperação da economia até que sejam atingidos o pleno emprego e a estabilização dos preços. Além disso, a instituição afirmou que seguirá aumentando sua carteira de títulos públicos em pelo menos US$ 80 bilhões por mês.
A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado, mas ainda assim as bolsas globais reagiram positivamente. Em Nova York, o Nasdaq reduziu a queda, o S&P 500 zerou as perdas e o Dow Jones acelerou.
O Ibovespa também reagiu ao anúncio de forma positiva. Logo após a decisão o principal índice da bolsa brasileira operava em alta de 1,39%, aos 115.607 pontos.
Acompanhe o discurso do presidente Jerome Powell:
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Revisando projeções
No comunicado da decisão, o Federal Reserve não ignorou as preocupações recentes que têm atingido o mercado, mas descartou a pressão inflacionária.
Segundo o Fed, a economia de fato se recupera de forma mais moderada, com indicadores de atividade e emprego apresentando melhora. No entanto, o BC americano ressalta que os setores mais afetados pela pandemia do coronavírus permanecem com desempenho fraco. Com relação à inflação, a entidade destacou que ela segue abaixo dos 2% (a meta perseguida) e que as condições para uma política monetária acomodatícia se mantém.
"Com a inflação persistentemente abaixo dessa meta de longo prazo, o Comitê terá como objetivo atingir a inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo, de forma que a inflação média seja de 2% ao longo do tempo e as expectativas de inflação de longo prazo permaneçam bem ancoradas em 2%".
A mediana das projeções para o PCE em 2021 avançou de 1,8% nas projeções de dezembro para 2,4% na atualização divulgada juntamente com o comunicado de política monetária. Para 2022, a projeção passou de 1,9% para 2,0% e, em 2023, foi de 2,0% para 2,1%.
No comunicado divulgado há pouco, o Fed também revisou as suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. Para 2021, a estimativa passou de um crescimento de 4,2% para um de 6,5%. Para 2022 a projeção subiu de forma mais modesta, de 3,2% para 3,3%.
Aumento da carteira de ativos em pelo menos US$ 120 bi por mês
O Fed também informou em seu comunicado que continuará elevando sua carteira de ativos em pelo menos 120 bilhões por mês, além dos US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro americano, haverá US$ 40 bilhões em títulos hipotecários. Segundo a instituição, esta decisão será mantida até que um "progresso substancial seja feito em direção às metas de emprego e inflação" do Comitê Federal de Mercado Aberto.
No documento, o Fed argumenta que a compra de ativos ajuda a promover o funcionamento regular do mercado e mantém as condições financeiras acomodatícias, "apoiando assim o fluxo de crédito para as famílias e empresas".
A autoridade monetária também destaca que o Fomc estará pronto para ajustar a sua política caso surjam novos riscos aos objetivos do Fed.
"As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo leituras sobre saúde pública, condições do mercado de trabalho, pressões e expectativas inflacionárias, e desenvolvimentos financeiros e internacionais", conclui o comunicado.
Aumento transitório da inflação não garante alta juros, afirma Powell
O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou em coletiva de imprensa realizada nesta quarta, que o aumento “transitório” dos preços, como provavelmente será visto neste ano, não atingirão a meta do Fed.
“Esses aumentos únicos nos preços provavelmente terão apenas efeitos transitórios sobre a inflação”, comentou após a decisão de manter os juros entre zero e 0,25%.
Avaliações dos ativos são elevadas ‘por algumas medidas’
Powell também disse que, se olharmos para certas medidas, as avaliações de ativos - um termo amplo que captura os preços dos títulos em todo o mercado dos EUA - parecem um pouco elevadas.
O Fed analisa regularmente quatro vulnerabilidades potenciais para a economia, disse Powell. Incluem avaliações de ativos, dívidas de empresas e famílias, risco de financiamento e alavancagem entre instituições financeiras.
Ele abordou primeiro as avaliações de ativos: “Se você olhar para as avaliações de ativos, pode dizer que, por algumas medidas, algumas avaliações de ativos são elevadas em comparação com o histórico. Acho que está claro. ”
Sobre a inflação, Powell afirmou que um aumento temporário de inflação acima de 2% em 12 meses não significará que atenderá uma das principais metas do Fed. Ele ressaltou que "manteremos os juros até atingirmos" os objetivos de máxima geração de emprego e índices de preços na média de 2% no médio prazo.
"Almejaremos inflação acima de 2% por um certo tempo para compensar períodos anteriores", disse Powell, referindo-se a ciclos econômicos nos quais os índices de preços ficaram abaixo da meta. "Inflação segue abaixo da nossa meta de 2%. Aumento pontual de preços deve ter efeito temporário na inflação."
Jerome Powell ressaltou que a inflação pode subir em abril devido a efeitos estatísticos e também poderá avançar no final do ano com a recuperação do consumo das famílias americanas, o que ocorreria com a retomada mais avançada do nível de atividade do país.
*Com informações do Estadão Conteúdo
*Conteúdo em atualização
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