O que é um bom investimento? Parece óbvio, mas depende do ponto de vista
Uma vez minha mãe me disse que meu pai estava bebendo muito. Traumatizada por um histórico familiar de alcoolismo, ela não suportava ver as doses de Black & White (ele adorava esse whisky, vai entender…) se acumulando. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Olhei para a garrafa sendo gradativamente esvaziada e dei razão […]

Uma vez minha mãe me disse que meu pai estava bebendo muito. Traumatizada por um histórico familiar de alcoolismo, ela não suportava ver as doses de Black & White (ele adorava esse whisky, vai entender…) se acumulando.
Olhei para a garrafa sendo gradativamente esvaziada e dei razão para minha mãe.
No dia seguinte, meu pai veio reclamar da minha mãe. Falou que ela estava muito impaciente e, nas palavras dele, “enchendo o saco” com aquela história da bebida. Ela não poderia terceirizar para ele a responsabilidade pelo próprio trauma. Estávamos de férias no Guarujá com os amigos. Se ele não pudesse beber um whiskynho com a turma na piscina do apartamento alugado, o que mais lhe restaria?
Achei que meu pai estava certo.
O que é falso? E o que é verdadeiro? Quem tinha mais razão? Há resposta pra isso ou tudo seria apenas uma questão de perspectiva e narrativa?
O protagonismo da retórica na Economia e, como corolário, nas Finanças já foi devidamente documentado. Deirdre McCloskey e Pérsio Arida representam os maiores expoentes nesse campo. McCloskey publicou em revista acadêmica antes e, por isso, costuma levar mais méritos. Bairrismos à parte, acho o artigo do Pérsio bem mais elegante e erudito.
Leia Também
A conta que você não pode atrasar, os encantos da China e o que mais mexe com seu bolso hoje
A guerra do delivery pelo seu restaurante, o fim do ‘aceita VR?’ e o que esperar dos mercados hoje
Em uma investigação histórica de vários embates entre teorias econômicas distintas, percebe-se a prevalência de uma sobre a outra não por superação positiva. Mas, sim, pelo oferecimento de melhores regras de retórica. Em outras palavras, dentro de uma perspectiva dialética, ou seja, a maneira como tipicamente se faz ciência, uma tese é confrontada com sua antítese. Daí emerge uma síntese. Se houvesse superação positiva, o resultado final carregaria o melhor de cada um dos lados. A evidência empírica, contudo, mostra que ganha apenas a tese ou antítese mais convincente, não necessariamente a melhor.
Os autores estão absolutamente certos. Talvez não lhes tenha ocorrido, porém, ou se lhes ocorreu não foi explicitado nos artigos, que esta não é apenas uma característica da Economia. Essa é uma tendência humana. Procuramos narrativas críveis e convincentes, muito mais do que dados empíricos. O verossímil transcende a verdade. E, como sabemos, há coisas verossímeis que não são verdade; e há verdades que não são verossímeis. Os artigos de McCloskey e Pérsio apenas detectam um caso particular de um fenômeno geral das ciências sociais e até mesmo da vida cotidiana.
Eu me preocupo com o Brasil neste momento. Por duas razões: i) a narrativa está toda contra a gente; e ii) precisamos de um choque liberal e, como tratamos no episódio do podcast RadioCash com Salim Mattar, o liberalismo enfrenta grandes dificuldades retóricas.
Deixe-me elaborar melhor sobre cada um dos pontos. O ponto até aqui é que, às vezes, a narrativa importa mais do que a realidade objetiva — até porque é muito difícil conhecer a realidade objetiva em ambientes de complexas interações sociais.
Vejamos a questão do ambiente. Podemos passar muito tempo debatendo o quanto, de fato, esta gestão é pior do que as anteriores, conforme prega a imprensa local e internacional. Mas, no fundo, há algo acima disso. A percepção é péssima. E isso afasta o investidor estrangeiro.
Em vez de ficar reclamando da imprensa local e estrangeira e acusá-la de golpista (aliás, esse não era um mote petista?), precisamos mudar essa percepção, seja ela falsa ou verdadeira. Ficar batendo de frente apenas vai nos causar ainda mais alijamento do fluxo de recursos internacional.
Quando das últimas eleições, o mercado acreditou na narrativa de que, sob uma suposta conversão liberal, garantida pela presença de Paulo Guedes (fundador do Pactual, lembre-se e, portanto, representação canônica de um dos “nossos”), teríamos um ciclo de reformas, privatização, um choque de capitalismo.
Ao mesmo tempo em que teríamos moralização da política, combate à corrupção e enfrentamento dos desafios de segurança. Tínhamos uma história em que acreditar — seja ela certa ou errada.
Três anos se passaram e estamos onde estamos. Falta-nos uma história para acreditar, sabe? Teremos no próximo ciclo a repetição do ciclo dos últimos anos ou estamos condenados a enfrentar o aparelhamento petista novamente?
Esse é um problema conjuntural. Mas há algo mais estrutural. Precisamos do tal choque de capitalismo liberal, que sempre nos é prometido, mas nunca chega. Como tê-lo? Como a retórica liberal pode superar o discurso bonzinho da esquerda intervencionista?
O primeiro pretende retirar o Estado e, por meio de benefícios indiretos, melhorar o bem-estar da população. O segundo já promete uma ajuda direta vinda do Estado. Qual das teorias carrega as melhores regras de retórica e convencimento?
Vivemos o eterno retorno de Nietzsche ou o Dia da Marmota de Bill Murray. Repetimos sucessivamente o sonho liberal enquanto vivemos o dia a dia de derrotas para a monstruosidade do Leviatã. A vitória do Orçamento inexequível sobre o pragmático Waldery Rodrigues.
A ideia da retórica vale para o macro, para a política e para as ações de empresas também. Para mim, Soros superou Buffett em termos teóricos ao formular sua teoria da reflexividade. A expectativa das pessoas e as interpretações interferem na realidade objetiva. Ou seja, as empresas são afetadas por valores externos além dos seus próprios. O valor intrínseco dá lugar ao extrínseco, sendo esse último muito mais afetado por retórica, histórias, narrativas, temas momentâneos.
Banco Inter vale quase R$ 60 bilhões. Faz sentido? A depender do que você se contar, faz. Ou pode ser um absurdo completo também.
Incorporadoras são um bicho difícil. Ciclo longo, impactadas por juros subindo. Ou podem estar bem baratas e, se escolhidas bem, oferecer dividend yields de até 15%. A tese faz sentido. A antítese também.
Itaú estava certo em sua propaganda sobre os coletinhos da XP. Teve de tirar a campanha do ar, porque perdeu a batalha da narrativa. Os bancos são sempre os vilões, destarte. Na XP, é tudo sobre a narrativa. Difícil ganhar.
Oi pode ser incrivelmente barata nesses níveis, mas vai ter que entregar antes, porque a percepção sobre a empresa é péssima.
Stone vale R$ 120 bilhões, e Cielo, a despeito dos resultados ruins, vale R$ 10 bilhões. É razoável? Bom, sei lá, uma hora tese e antítese se fundem na síntese e essa discussão retórica termina.
INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
Eleições: o pêndulo virou e o fiscal entrou no preço
6 de outubro de 2026 - 7:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A ação que aguenta o tranco do segundo turno e o que esperar dos mercados hoje
5 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O ESG na análise de risco, o impacto das eleições na Petrobras (PETR4) e o que mais move o mercado hoje
2 de outubro de 2026 - 8:24SEXTOU COM O RUY
Por que você deveria ter Petrobras (PETR4) na carteira — independentemente de quem ganhar as eleições?
2 de outubro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O risco do aluguel atrasado, o candidato favorito do mercado e os preços do petróleo: o que mexe com a bolsa hoje
1 de outubro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno
30 de setembro de 2026 - 20:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O caso dos CEOs bumerangue, a disputa eleitoral e o que movimenta os mercados hoje
30 de setembro de 2026 - 8:34O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O voto na curva de juros, o plano de R$ 1 bilhão da SkyFit e o que mais movimenta as bolsas hoje
29 de setembro de 2026 - 8:17O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A nova estratégia do Inter, segundo seu CEO, o novo impasse entre EUA e Irã e o que mais move os mercados hoje
28 de setembro de 2026 - 8:09DÉCIMO ANDAR
O desconto dos FIIs de shopping conta toda a história? Entenda os riscos e veja um fundo imobiliário do segmento para investir agora
27 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Qual será o novo imposto sobre bens e serviços, a carteira de ações para as eleições e as conversas entre EUA, Irã e China: o que move o mercado hoje
25 de setembro de 2026 - 8:15SEXTOU COM O RUY
Quer saber como construir uma carteira preparada para as eleições? É mais fácil do que você imagina
25 de setembro de 2026 - 7:10O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O sumiço das LCIs e LCAs com rendimentos de 95% a 100% do CDI, a nova guerra do mercado automotivo e o que mais ler hoje
24 de setembro de 2026 - 8:18EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Dólar x real — tem mais ainda para colhermos no câmbio
23 de setembro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Tubarões saem dos FIIs, o título que ainda paga IPCA+ 14% ao ano, o acordo entre Trump e Irã: o que move o mercado hoje
23 de setembro de 2026 - 8:30AINDA TEM DESCONTO
Saudade do Tesouro IPCA+ 8%? Este investimento ainda oferece até IPCA+ 14% — com isenção de imposto de renda
23 de setembro de 2026 - 7:05O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O fantasma que assombra as eleições e as contas públicas, a reunião entre EUA e China e o que mais move o mercado hoje
22 de setembro de 2026 - 8:38INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
Dois gigantes à mesa, um mundo em combustão: o que está em jogo no encontro entre Trump e Xi Jinping
22 de setembro de 2026 - 7:48O MELHOR DO SEU DINHEIRO