Menu
2020-09-23T13:29:15-03:00
Estadão Conteúdo
em evento

Taxa nominal de juro está bem abaixo da taxa de equilíbrio, diz Ilan Goldfajn

Ex-presidente do BC afirma que Brasil precisa fazer o “mínimo dever de casa”, se comprometendo com a consolidação fiscal

22 de setembro de 2020
12:16 - atualizado às 13:29
Ilan-Goldfajn-BC-Nov 2018
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. - Imagem: Beto Nociti/BCB

O ex-presidente do Banco Central e presidente do Conselho de Administração do Credit Suisse, Ilan Goldfajn, afirmou que a taxa nominal de juros atualmente (2%) está muito abaixo da taxa de equilíbrio, calculada por ele em torno de 6%.

"A taxa de juros não ficará em 2%, mas não voltará mais a dois dígitos", disse Ilan, em evento Painel TeleBrasil 2020. Mas, para tal, o ex-presidente do BC diz que o Brasil precisa fazer o "mínimo dever de casa", se comprometendo com a consolidação fiscal.

"Nos falta ainda passo relevante no mundo macroeconômico. Precisamos fazer a consolidação fiscal. Precisamos que nossa dívida seja percebida como estável ao longo do tempo. Entramos na crise com dívida a 75% do PIB e vamos sair dela com 95% a 100% do PIB. Vamos precisar de reformas: emergencial, no curto prazo, administrativa."

Atualmente, reforçou Ilan, a taxa de juros é bastante estimulativa, pois está em 2%, enquanto a inflação pode subir a 3% ou 3,5%. "Estou falando de juro real que vai se posicionar na casa do juro negativo", disse. "De fato, a queda de juros faz a diferença e é um motivo de recuperação, estímulo para a economia. Empurra a demanda e o investimento."

O ex-ministro da Fazenda e atual secretário de Fazenda em São Paulo, Henrique Meirelles, também destacou o papel da política monetária em reduzir a queda do Produto Interno Bruto (PIB) na crise provocada pelo coronavírus. Meirelles citou também o auxílio emergencial.

"Evidentemente, o auxílio emergencial não será sustentado, pelo déficit público, que já está enorme. Isso terá um certo efeito, mas as pessoas já estão voltando ao trabalho gradualmente e empresas já estão mais adaptadas. Vamos ver como vai desenvolver esse jogo", disse Meirelles.

Estabilidade da dívida

Também presente ao evento, o ex-ministro do Planejamento no governo Michel Temer, Dyogo Oliveira, destacou que os limites fiscais têm sido testados em todo mundo na crise provocada pela pandemia de coronavírus.

Aqui, disse que a questão está mais relacionada com administrar e diminuir no tempo a colocação do crescimento da dívida e criar confiança de trajetória estável da dívida. "A questão da trajetória é mais importante do que o nível. Hoje, algo que preocupa mais é a velocidade de crescimento dos agregados."

Oliveira afirmou que, em seus cálculos, somente R$ 330 bilhões das medidas realizadas para combater os impactos da pandemia têm impacto fiscal, já que muitas ações são apenas de alteração de fluxo de caixa. "Isso é importante para ter uma ideia do tamanho das medidas da pandemia."

Para possibilitar a estabilização da dívida, o economista afirmou que serão importantes a reforma administrativa, o pacto federativo e o teto de gastos. "É mais importante tomar ações que demonstrem comprometimento com a trajetória da dívida do que se preocupar com o nível. Isso está dado. Em virtude de tudo que aconteceu, o déficit deve ser da ordem de R$ 800 bilhões."

Henrique Meirelles também destacou que é importante manter o teto de gastos no período posterior à pandemia de coronavírus para estabilização da dívida pública. "Temos que voltar após a pandemia à absoluta obediência ao teto de gastos. Sei que a tentação é grande, após os fortes gastos necessários para a pandemia. Mas agora é importante retomar a obediência. Além do fator prático, o teto tem a questão da confiança, porque todos os agentes econômicos têm segurança de que a trajetória da dívida é sustentável."

Meirelles lembrou que a criação do teto de gastos durante sua gestão na Fazenda permitiu a redução do risco país, permitindo a queda dos juros e o crescimento econômico. Além disso, viabilizou a discussão orçamentária, uma vez que agora é preciso escolher os gastos mais importantes para a sociedade.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

DINHEIRO NO BOLSO

Neoenergia e Sanepar divulgam condições para pagamento de JCP

Ambas aprovaram pagamentos do provento no ano passado e marcaram para distribuir os valores a partir deste mês

em cima do laço

No limite do prazo, Bolsonaro sanciona Orçamento de 2021 com veto parcial

Até a sanção, governo vinha executando apenas as ações e programas considerados obrigatórios ou inadiáveis

SEXTOU COM O RUY

Quem realmente ganha dinheiro com as operações de day trade na bolsa

Se você realmente tiver interesse em viver de day trade, vai fundo. Eu apenas gostaria de lembrar que a tarefa é muito mais difícil (muito mesmo) do que as corretoras fazem parecer

IR 2021

Como a Receita calcula o imposto de renda devido e o valor das restituições

Jeito de calcular o imposto de renda devido e a eventual restituição varia de acordo com o modelo escolhido de declaração, se completo ou simplificado

seu dinheiro na sua noite

O IPO da Caixa Seguridade vem aí; vale a pena entrar?

Depois de algumas idas e vindas, o já mítico IPO da Caixa Seguridade finalmente vai sair. O processo de abertura de capital da holding de seguros da Caixa Econômica Federal foi paralisado duas vezes no ano passado, mas finalmente será concluído na semana que vem, com a estreia das ações na bolsa. O IPO da […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies