Havan, Compass e BR Partners: por que essas empresas adiaram a abertura de capital
IPOs de Caixa Seguridade e You Inc também ficaram pelo caminho; mercado vê maior volatilidade e risco de companhias não conseguirem a precificação que desejam

O ano de 2020 tem sido movimentado na bolsa, mas nem todas as empresas seguem com o otimismo - ao menos por ora. Depois de anunciarem a abertura de capital, Havan, Compass e BR Partners deixaram os planos para depois. Caixa Seguridade e You Inc também ficaram pelo caminho.
A decisão tem em primeiro lugar a volta da preocupação do mercado financeiro em torno da sustentabilidade fiscal brasileira, desde que o modo de financiamento do Renda Cidadã foi anunciado. Com o cenário local mais influências externas, a bolsa está mais volátil.
Entraram em cena os bancos, recomendando que as empresas que estão próximas de lançar suas ofertas iniciais de ações que aguardem um momento um pouco mais calmo.
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Postergar o IPO (oferta pública inicial) - como no caso de Havan, Compass e BR Partners - tem o objetivo de melhorar os preços das ações das companhias.
Uma fonte de banco de investimento envolvido nos IPOs disse ao Broadcast que, no momento, só estão sendo mantidas as ofertas que já têm demanda suficiente para a operação. No jargão do mercado são aquelas que "já têm o livro coberto".
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Com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para abrirem capital há atualmente cerca de 50 candidatas.
O caso da Havan
O conselho de postergar a oferta foi dado à rede varejista do empresário Luciano Hang. A empresa de Santa Catarina com faturamento bilionário ouviu que não conseguiria alcançar o valor desejado na oferta.
A Havan começou as reuniões preliminares com investidores há cerca de 15 dias, e o preço que vinha sendo testado para a estreia da empresa era de um valor de mercado de R$ 70 bilhões, mas o mercado via algo entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões.
A ideia é que a empresa passe mais tempo em reuniões com investidores, segundo uma fonte. A depender das condições de mercado, a oferta da Havan poderá ser lançada ainda neste ano.
O receio tem razão também no histórico recente da bolsa. Na última segunda-feira, a empresa de logística Sequoia, investimento do fundo de private equity norte-americano Warburg Pincus, concluiu seu IPO, mas teve de enfrentar pressão de investidores.
Para ter sucesso, reduziu o preço em 13% em relação ao piso inicialmente proposto. Desde agosto, Pague Menos, Lavvi e Cury também reduziram os preços para viabilizar suas estreias na B3.
Grupo Mateus vem aí
Entre as empresas que seguem com os planos de IPO ainda neste ano está o badalado Grupo Mateus, que define o preço da ação na oferta nesta semana.
A rede de supermercados pode movimentar R$ 6,2 bilhões em sua oferta pública inicial, caso as ações sejam precificadas no topo da faixa indicativa de preço, que vai de R$ 8,97 a R$ 11,66.
Quarta maior empresa de varejo alimentar do país, de acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o Grupo Mateus é essencialmente familiar, controlado por Ilson Mateus Rodrigues, Maria Barros Pinheiro, Ilson Mateus Rodrigues Junior e Denilson Pinheiro Rodrigues.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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