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Estatal cortou produção e vem reduzindo custos, tendo como prioridade preservar caixa. Demanda por energia elétrica e derivados de petróleo já teve queda sensível no país
Mesmo com a queda da demanda doméstica por derivados de petróleo por causa da crise do coronavírus, a Petrobras tem conseguido ser bem-sucedida nas exportações, disse nesta quinta-feira (2) o presidente da estatal, Roberto Castello Branco.
“Estamos exportando e sendo bem-sucedidos, não em receita [dado que os preços estão baixos], mas em volume. As perspectivas para maio são boas, a China está se recuperando, e os chineses voltaram a comprar com intensidade, tanto petróleo cru quanto combustível marítimo”, disse durante uma transmissão ao vivo pela internet realizada pela XP Investimentos.
O presidente da Petrobras falou sobre como a estatal está lidando com a atual crise. Ontem, a Petrobras anunciou cortes na produção e disse que sua prioridade é preservar caixa, o que foi reforçado hoje por Castello Branco durante a live.
“Estamos numa situação nunca vista antes, de forte contração de demanda pelos nossos produtos e forte queda de preço. E uma volatilidade de preços enorme, maior do que a que se viu na crise de 2008”, disse Castello Branco.
A maior queda de demanda foi pelo querosene de aviação, combustível de aeronaves. Em segundo lugar, com 60% de retração, a demanda por gasolina. O diesel, disse o presidente, também viu uma redução de demanda expressiva, embora amenizada pela boa safra agrícola que o país está tendo.
“O único derivado de petróleo em que a demanda está se mantendo é o GLP [gás liquefeito de petróleo, usado nos botijões de gás de cozinha] porque as pessoas continuam comendo, seja em restaurantes ou em casa. Mas também porque há certo pânico: pessoas comprando para estocar. Mas eu queria assegurar aqui que não existe risco de desabastecimento”, disse o presidente.
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Ele explicou que apesar de a Petrobras ter reduzido a produção de GLP, as importações continuam e serão suficientes para atender à demanda. Aliás, Castello Branco assegurou que não há risco de desabastecimento de nenhum dos produtos da estatal.
Diante de tal conjuntura, a Petrobras cortou a produção, dado que não teria como estocar tanto petróleo produzido e não vendido. “Teríamos que contratar navios para manter os estoques boiando nos mares até encontrar comprador”, disse Castello Branco.
Além disso, vem focando em corte de custos para preservar caixa o máximo possível. “A prioridade é preservar a liquidez da companhia”, afirmou.
Apesar de perguntado a respeito, Castello Branco não adiantou nenhuma possível mudança nos planos de investimento da companhia para o ano.
“Estamos num ambiente de incertezas. Para riscos, a gente tem uma distribuição de probabilidade. Para incerteza, não. É como estar trancado num quarto escuro sem saber para onde se vai. Estamos monitorando o mês de abril diariamente, como quem monitora um paciente no CTI”, falou.
Em relação à guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia que tanto vem impactando a cotação das ações da estatal na bolsa, Castello Branco avalia que tal disputa é mais uma evidência de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) não tem condições de determinar preços a longo prazo.
Para o presidente da Petrobras, a guerra de preços mostra que não há concordância entre os países produtores de petróleo, pois para cada um a commodity tem um peso diferente na economia. Além disso, os sauditas não aguentam sustentar os preços baixos por muito tempo.
Para Castello Branco, a disputa entre os dois países "ficou irrelevante perante a crise", e os preços cairiam de qualquer forma porque a demanda caiu.
O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, também participou da live, e disse que, por ora, não há alterações no plano de investimentos da estatal para o ano, no valor de R$ 5,3 bilhões, conforme já havia sido anunciado.
Ferreira Júnior também admitiu a queda na demanda por energia elétrica no país. “O Brasil está operando hoje com 86%, em média, da energia com que operava antes”, disse.
Também estava presente na live o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, já recuperado do Covid-19, que lhe havia acometido. O ministro, entretanto, afirmou que a doença foi totalmente assintomática, e que ele apenas respeitou o prazo de quarentena.
O ministro disse que o órgão pretende tomar medidas para preparar o setor energético para o aumento súbito da demanda quando a situação se normalizar, para lidar com a possível inadimplência que pode acometer as distribuidoras e para preservar sua liquidez.
Quanto aos leilões previstos para este ano e que foram adiados, Albuquerque disse que de fato o ministério e os setores chegaram à conclusão de que era melhor adiar dada a imprevisibilidade da crise.
Já em relação ao andamento da capitalização da Eletrobrás no Congresso, o ministro se disse otimista.
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