‘O Brasil pode ser um porto para o capital mundial’, diz Trabuco, do Bradesco
Após Fiesp reunir ontem o presidente Jair Bolsonaro e ministroo, Trabuco disse que Brasil pode ser porto seguro e de rentabilidade para o capital mundial

Em um movimento para aproximar o governo da iniciativa privada, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniu ontem o presidente Jair Bolsonaro e seus principais ministros, entre eles, Paulo Guedes, da Economia, para discutir uma agenda de propostas para o País.
"Tivemos a primeira reunião formal hoje (ontem), que foi num formato dinâmico e funcional para manter os canais de diálogo vivos, não obstruídos", disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco.
O grupo vai se reunir em torno do recém-criado Conselho Superior de Diálogo pelo Brasil. Para Trabuco, apesar dos efeitos da crise global aberta pelo coronavírus, o Brasil teria instrumentos para "transformá-la em oportunidade". "O Brasil pode ser um porto de segurança e rentabilidade para o capital mundial." A seguir, os principais trechos da entrevista:
A Fiesp está criando um canal de interlocução dos empresários com o governo. Como avalia essa primeira reunião?
Ficou muito claro que há uma disponibilidade do governo pelo diálogo para troca de ideias. Houve muita disposição para ouvir e debater.
Quais foram as principais pautas desta reunião?
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A reunião foi uma convergência pelo Brasil. Independentemente dos problemas conjunturais, a gente reafirma a fé pelo Brasil. Há pouco mais de um ano, com as eleições e a posse, estávamos num clima forte de esperança. E essa esperança, com as reformas da Previdência, trabalhista e na microeconomia, com o início da revisão da taxa de juros, foi criando condição para que evoluísse para a confiança.
A iniciativa privada está mais confiante?
A esperança migrou para a confiança. Agora, para 2020, reafirmar a confiança depende das âncoras para sustentar isso. A confiança é um clima, um estado de espírito. E essas âncoras são as reformas - tributária e administrativa -, além de avançar nas privatizações. A gente tem de fortalecer a confiança.
E o diálogo com o governo foi propositivo?
Sim. Empresários de diversos segmentos foram dando sugestões de simplificações tributárias, que podem ser feitas de diversas formas para simplificar o Brasil. Eu avancei neste raciocínio. O mundo está passando por uma crise. Olha agora o coronavírus, que veio sucedendo à guerra comercial que ainda existe entre EUA e China, os conflitos no Oriente Médio. Essa crise está instalada. E o mundo está marchando por uma política monetária extremamente frouxa. Isto é, o quantitative easing (injeção de dinheiro na economia por meio do banco central) que vimos em 2008 vai ser aumentado. Se pegarmos a taxa do quantitative easing americano versus a taxa agora, se vê que o mundo não está dando retorno para capital. E onde está a oportunidade do Brasil? Nós temos um portfólio de investimento, principalmente em infraestrutura, que dará maior taxa interna de retorno do que qualquer projeto no mundo.
Mas há ambiente para isso?
Se estivermos em sintonia e coerência, eu diria que a gente pode aproveitar a crise e transformá-la em oportunidade. O risco país está em um dos seus mais baixos patamares histórico. Então, o Brasil pode ser um porto de segurança e rentabilidade para o capital mundial, que tem necessidade de retorno. Pode parecer bem paradoxal, mas a crise dá ao Brasil oportunidade.
Mas há fatores externos, como o coronavírus, que estão provocando uma instabilidade global e que ameaçam o PIB nacional…
O coronavírus chegou na economia e foi uma espoleta para jogar o mundo numa recessão. Isto é evidente com que aconteceu com as bolsas mundiais. E, com esta ameaça de recessão, qual foi a resposta que os bancos centrais deram? Redução na taxa de juros, que já era baixa. Esse tipo de comportamento não dá oportunidade. Então, esse foi o grande cenário discutido pelo grupo (de empresários) na reunião.
E quais foram suas diretrizes?
Também falei da política monetária no Brasil. Com juros extremamente baixos, ela ainda não deu a resposta máxima no nível da atividade. O que significa? Que nós temos um potencial de ela impactar no crescimento do PIB. Pontuei que o crescimento do crédito acima de 10% em todos os bancos significa que está contratado uma resposta no crescimento do PIB. Ninguém tomaria crédito se não fosse para investir no seu negócio para modernização. Então, independentemente do crescimento do PIB, o crédito está cimentando a contratação do crescimento futuro da economia.
Essas colocações foram bem recebidas? Como o governo se dispôs a discutir essa turbulência dos mercados?
Foi mais uma discussão, uma reflexão sobre a realidade. Sobre o câmbio, evidente que ele mudou de patamar, seja pela queda da taxa de juros ou por conta desse cenário internacional. Mas uma coisa que deve ser observada, embora o câmbio tenha mudado de patamar, é que o CDS (taxa de risco) do Brasil não teve o mesmo comportamento. Olhando para os próximos dois anos, teremos uma mudança muito favorável ao Pais, tendo em mente a confiança ancorada nas reformas que visam a modernizar a economia. A prioridade é no fiscal. Melhorou, mas tem de continuar melhorando.
O empresariado discutiu o calendário de aprovação das reformas?
O governo e o ministro da Economia, Paulo Guedes, estão em sintonia com essa necessidade, independentemente do cenário, de tornar o Estado mais eficiente. Esse é um compromisso. Por isso, a reunião foi um momento construtivo para debater. O importante é ancorar a agenda. Quem vai gerar emprego é a iniciativa privada. Quem vai fazer o PIB crescer são as pessoas e as empresas.
Recentemente, o governo entrou em rota de colisão com o Congresso. Manifestações estão sendo marcadas para o dia 15. O que o governo disse sobre isso?
Este assunto não foi discutido.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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