Menu
2020-12-11T19:20:51-03:00
Estadão Conteúdo
Ex-secretário

Se aprendermos a sentar na mesa com quem não concordamos, reformas saem, diz Mansueto

A partir de meados de janeiro, o ex-secretário, que deixou o posto em julho, será sócio e economista-chefe do BTG Pactual.

11 de dezembro de 2020
19:02 - atualizado às 19:20
mansueto-almeida
Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional - Imagem: André Dusek/Estadão Conteúdo

Com governo e Congresso sob forte cobrança pela paralisia na agenda econômica, o ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, buscou nesta sexta-feira, 11, transmitir tranquilidade em relação ao tempo político das negociações e disse que não se pode carimbar como "fracasso" o fato de o ano terminar sem a aprovação das grandes reformas. Ele alertou, porém, que é preciso "aprender a sentar à mesa com quem não concorda" para construir pontes e um ambiente favorável a essas votações.

Leia também:

"Se a gente melhorar um pouquinho, respeitar o contraditório, aprender a sentar à mesa com quem a gente não concorda, vamos fazer as reformas que esse País precisa para crescer consistentemente nos próximos anos", disse Mansueto durante o 19º Fórum Empresarial LIDE. A partir de meados de janeiro, o ex-secretário, que deixou o posto em julho, será sócio e economista-chefe do BTG Pactual.

Para ele, a população muitas vezes critica a morosidade do mundo político com uma visão de distanciamento, sem considerar que isso pode ser reflexo da sociedade. "Muitas vezes a gente se coloca à margem do Estado, (dizendo) 'os políticos' não aprovam. Os políticos e o Estado somos nós", afirmou.

Mansueto citou as reformas tributária e administrativa, ambas adiadas para 2021. Hoje mais cedo, o senador Marcio Bittar (MDB-AC) anunciou que a PEC emergencial, que contém gatilhos de contenção de despesas, também ficará para o ano que vem diante da iminente desidratação da proposta para viabilizar uma aprovação ainda em 2020.

O ex-secretário traçou um paralelo com a reforma da Previdência, que dominou os debates por um período de três anos entre os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, até ser aprovada. Por isso, segundo ele, o debate da tributária e da administrativa este ano "não foi tempo perdido". "Temos que respeitar o tempo político", afirmou.

Mansueto defendeu a urgência da aprovação da reforma tributária para racionalizar as regras e deixar o sistema mais progressivo, com menos tipos de impostos. Mas amenizou o fato de uma posição definitiva ter ficado para 2021.

"Terminar o ano sem concluir o relatório da reforma tributária, não vamos considerar isso fracasso. Não vamos nos desesperar, porque o debate vai continuar no ano que vem", disse. Em seguida, ele ponderou que ter mais tempo será positivo para assegurar que haja uma boa discussão sobre as mudanças no sistema tributário. "Não vamos culpar os políticos. Não queremos deputados e senadores aprovando coisas em dois ou três dias sem debate."

O ex-secretário fez a mesma avaliação em relação à reforma administrativa, que mexe nas regras do funcionalismo. "Se vai levar cinco meses, oito meses, não é o ponto crucial. O ponto crucial é ter convicção de ser um bom projeto", afirmou, ressaltando que "divergências são naturais e vão ocorrer".

Mansueto defendeu a proposta, que altera a estrutura de carreiras de servidores. Segundo ele, a proposta "não é contra o serviço público". "Ninguém quer fazer administrativa contra funcionário público, mas para melhorar eficiência", disse.

Ele destacou ainda que, no histórico dos últimos quatro anos do País, a quantidade de reformas aprovadas o deixa "esperançoso" e lembrou que a situação econômica no fim do ano está melhor que o esperado em março, no início da pandemia, pois a queda do PIB será menor.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Perseguição ao bitcoin?

Irã fecha ‘fazendas’ de mineração de bitcoin para conter apagões no país; entenda

Governo culpa centros de processamento de criptomoedas por blackouts devido à ‘sobrecarga energética’ da rede de mineração; ao mesmo tempo, Irã usa o bitcoin para amenizar sanções bancárias dos EUA

Lei Orçamentária Anual

Ainda sem aprovação do Orçamento 2021, governo precisa controlar gastos

Manutenção do auxílio emergencial é dúvidas neste início de ano

Pé no freio

Incertezas políticas e fiscais mantêm estrangeiros cautelosos com o Brasil

Após meses de fuga do capital externo do País, os últimos meses de 2020 mostraram o começo do retorno dos investidores de portfólio, mas o ritmo ainda é insuficiente para reverter a forte saída de dólares do Brasil

Crescimento

Vale (VALE3) prevê investir US$ 2,7 bilhões na região norte até 2024

Companhia pretende ainda investir US$ 5,8 bilhões em 2021, dos quais US$ 1 bilhão serão apenas para expansão

ESTRADA DO FUTURO

Grafeno, urânio e lítio… cuidado com a obsessão de enriquecer com a próxima tecnologia do futuro

O boom de empresas de tecnologia alimenta uma esperança quase ingênua de enriquecer “horrores” descobrindo como esses materiais moldarão o nosso futuro. Vou ser totalmente transparente com você: não gosto da ideia.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies