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Uns crescem, outros recuam

Desigual, recuperação do mercado imobiliário se concentra no Sudeste

Construtoras mantiveram a política de fechamento de postos de trabalho em 14 Estados em 2019

24 de fevereiro de 2020
11:42 - atualizado às 11:48
Prédios em construção
Imagem: Shutterstock

Enquanto em São Paulo a indústria da construção civil começa a se recuperar de uma das maiores crises de sua história, em grande parte do Brasil o setor ainda demora a reagir. No ano passado, as construtoras mantiveram a política de fechamento de postos de trabalho em 14 Estados, segundo levantamento do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

De acordo com a pesquisa, porém, a média no número de empregos na construção aumentou 1,88% no Brasil em 2019. Em parte, esse crescimento foi impulsionado pelo Estado de São Paulo, que, no ano passado, concentrou 27% das vagas do setor no País.

Os dados do SindusCon indicam que a recuperação de um dos principais motores da economia está concentrada principalmente no Sudeste, um pouco no Sul e em algumas capitais do Nordeste. Em regiões como o Norte, onde a economia depende mais de políticas públicas e nas quais o Minha Casa Minha Vida tem maior relevância, a recuperação ainda não deu sinais.

Até no Estado de São Paulo, onde os números são positivos, a retomada é desigual. Ela se concentra sobretudo na capital. Pesquisa do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) mostra que o número de lançamentos na cidade cresceu 49,6% no ano passado, enquanto na região metropolitana diminuiu 4,1%.

A economista Ana Maria Castelo, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), pondera que entre 2006 e 2013, período em que a construção deu um salto, o crescimento também não começou com a mesma intensidade em todo o País, mas logo acabou se espalhando. "Teve o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo, um fator que contribuiu para que o crescimento acontecesse no País inteiro. Hoje, não tem uma força dinâmica com a mesma intensidade", diz ela.

Situação crítica

Tocantins, Roraima e Ceará foram os Estados com os piores indicadores de emprego na construção em 2019, com uma queda média de 19,9%, 8,7% e 6,25% no número de vagas, respectivamente.

De acordo com o presidente do Sinduscon do Ceará, Patriolino Dias de Sousa, no entanto, a sensação é que a construção cearense começou a se recuperar a partir do segundo semestre do ano passado. "Antes tinha muito estoque e quase não havia lançamentos. Nos últimos quatro anos, as incorporadoras só concluíam obras. Mas a queda dos juros começa a favorecer as vendas."

Como as obras costumam começar apenas seis meses após os empreendimentos serem lançados, a expectativa é que as construtoras cearenses iniciem as contratações agora. No ano passado, foram lançados imóveis que somam um valor de vendas de cerca de R$ 700 milhões no Estado. Para 2020, Sousa espera que os lançamentos cheguem a R$ 2 bilhões - ainda longe dos R$ 3,2 bilhões de 2014.

Economistas e profissionais do setor, porém, não acreditam em uma grande mudança no modo de recuperação da construção neste ano. O vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, afirma que, para haver um crescimento em todo o País, seria necessário uma alta nos investimentos mais significativa.

"Quando se faz um investimento, metade do dinheiro passa nas mãos da construção. Por isso, é tão importante que haja uma melhora. Se o investimento continuar como está, a construção vai andar mais ou menos como no ano passado", afirma Zaidan.

Ana Maria, do Ibre, também acredita que 2020 deve ter um comportamento semelhante ao de 2019, podendo haver uma expansão um pouco mais forte no nível do emprego no fim do ano. "Se os leilões (de privatização) avançarem, podemos ter uma melhora no ânimo."

Nível emprego longe das máximas

Apesar da melhora - ainda que irregular pelo País -, a construção civil está longe de demonstrar o vigor que apresentava em seu auge, nos primeiros anos da década passada. Hoje, o nível de emprego no setor equivale a 69% do registrado em dezembro de 2012. A Região Sul é a que está mais próxima do patamar de sete anos atrás, com 83%, já a Norte, a mais longe, com 57,8%.

Até nos Estados onde a recuperação dá sinais mais convincentes, ainda se nota um certo desânimo entre os empresários. "É uma recuperação lenta. Foram 20 trimestres de queda. Só no fim do ano passado começou a melhorar", diz Marcos Kahtalian, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná.

No Paraná, o total de empregados no setor corresponde hoje a 80% do registrado no fim de 2012, segundo dados do SindusCon-SP. É o terceiro melhor resultado do País, atrás de Roraima e Santa Catarina.

O empresário paranaense Hamilton Franck, dono da incorporadora H. Franck, conta que havia suspendido os lançamentos desde 2016. Retomou no ano passado, com dois projetos que somam 200 apartamentos.

O número de unidades já é o mesmo do pré-crise, mas o faturamento deve ficar 25% abaixo, porque os preços de venda recuaram.

Há, porém, Estados sem nenhum motivo para alívio. A situação mais difícil é a de Rondônia, onde o número de empregos na construção equivale a 28,2% ante dezembro de 2012. Lá, porém, é improvável que se volte ao patamar recorde. "É um Estado mais complicado, porque teve grandes obras de infraestrutura que impulsionaram o mercado imobiliário", lembra a economista Ana Maria Castelo, do Instituto Brasileiro de Economia.

Depois de Rondônia, Pernambuco e Rio são os Estados mais longe do nível pré-crise, com 42,6% e 56,1%. Em São Paulo, equivale a 76,9% do observado em dezembro de 2012 .

*Com informações do Estadão Conteúdo e jornal O Estado de S. Paulo.

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