Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-04-21T16:05:53-03:00
Estadão Conteúdo
Commodities

Colapso do petróleo pode colocar mais pressão em emergentes, em especial México

Maiores temores são quanto à saída de capitais estrangeiros desses mercados e à piora nas contas públicas

21 de abril de 2020
16:05
Moeda do México
Peso mexicano: moedas emergentes vêm se desvalorizando ante o dólar. Imagem: Shutterstock

As notícias pioraram para alguns mercados emergentes nas últimas horas. Com o colapso dos preços do petróleo, cresceu a pressão sobre as moedas e a situação fiscal de países como Brasil e Rússia. Porém, dos países emergentes produtores de commodities, o que mais preocupa os analistas é o México.

Os mercados emergentes fora da China tiveram fluxos de saída em março que superaram os da crise financeira global de 2008, uma vez que os investidores fugiram de ativos mais arriscados em meio à incerteza criada pela pandemia de coronavírus. As moedas recuaram. Esses fatores pressionaram muito esses mercados, que já estavam enfrentando um crescimento lento, níveis crescentes de dívida e recursos limitados para enfrentar a covid-19.

A necessidade de estímulo fiscal sobrecarregou significativamente as contas públicas, levando o que a economista global do Bank of America, Aditya Bhave, descreveu em uma nota aos clientes como um aumento "impensável" dos déficits.

Em nota aos clientes na terça-feira, Chris Senyek, da Wolfe Research, destacou a dívida do mercado emergente como o topo da lista de preocupações com crédito. Ele lembra que, neste caso, o Federal Reserve tem capacidade limitada de intervir.

Drama mexicano

Entre os mercados emergentes, Senyek disse estar mais preocupado com o México, citando o forte declínio do peso, o impacto da queda nos preços do petróleo no orçamento do governo e a forte conexão com a economia americana, que provavelmente está em recessão.

As moedas dos mercados emergentes caíram cerca de 30% em alguns casos - geralmente um desenvolvimento inflacionário. Mas a baixa demanda e a queda acentuada dos preços do petróleo são desinflacionárias, dando aos banqueiros centrais dos mercados emergentes espaço para cortar taxas para níveis recordes, lembrou Jon Harrison, diretor-gerente de mercados emergentes da TS Lombard.

Por enquanto, o crescimento lento e os crescentes déficits fiscais significam uma deterioração da dinâmica da dívida em relação ao PIB, com moedas mais fracas exacerbando o risco. E nessa frente, o México está entre os piores colocados, diz Harrison. Ele espera que o PIB mexicano contraia em até 12% este ano.

O México também é motivo de preocupação para outros analistas. As saídas de carteira na primeira quinzena de abril dos mercados emergentes parecem ter diminuído e outras fontes de capital, como investimento estrangeiro direto e fluxos do setor bancário, parecem ser mais resilientes. Mas há uma exceção: a dívida soberana mexicana, segundo o economista de mercado da Capital Economics, Edward Glossop. Para ele, o baixo interesse em títulos do país se deve à "resposta fraca" do governo à crise e ao temor de injeção de capital na Pemex.

Oportunidade

Por outro lado, os analistas lembram que o colapso dos preços do petróleo é uma boa notícia para importadores como Índia e China. E mesmo as perspectivas entre os produtores de commodities mais atingidos não são claras.

Segundo o economista para o Brasil da TS Lombard, Wilson Ferrarezi, o real provavelmente ficará sob pressão, se houver o entendimento da piora fiscal com a queda do petróleo, especialmente pela necessidade de socorro de Estados dependentes de royalties, como o Rio de Janeiro. Mas há um vislumbre de boas notícias, de acordo com ele: uma moeda fraca torna as exportações agrícolas brasileiras muito mais competitivas.

De maneira mais ampla, dado o estresse e o aperto nas condições financeiras globais, os bancos centrais de mercados emergentes podem avançar em direção à flexibilização quantitativa, no estilo dos países desenvolvidos.

Existem, no entanto, grandes diferenças: os países desenvolvidos lançaram o relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) somente depois de atingirem o limite mais baixo das taxas de juros, enquanto os mercados emergentes começaram com taxas reais acima de zero, escreve Bhave, do BofA. Por causa disso, o analista diz que os investidores podem perder a fé nos mercados emergentes como uma classe de ativos.

No entanto, lembra o analista do BofA, se houver segurança dos operadores com os títulos desses países, a busca pelos rendimentos deles pode diminuir os juros de emergentes sem grandes perdas cambiais, criando um cenário favorável a essas economias. (Dow Jones Newswires)

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Prévia da estatal

Petrobras (PETR4) anuncia produção do terceiro trimestre hoje, mas os dados da ANP já antecipam o que vem por aí; confira

Os dados chegam ao mercado em um momento de fortes críticas à política de preços da companhia e ameaças de desabastecimento

Exile on Wall Street

Quem não tem teto de vidro? As implicações das ameaças ao teto de gastos sobre seus investimentos

Ameaça ao teto fiscal exige atenção redobrada sobre a necessidade de diversificação e algumas proteções para a carteira – e há possíveis bons hedges para o momento

bitcoin (BTC) hoje

É recorde! Bitcoin (BTC) atinge nova máxima histórica com o novo rali das criptomoedas

A aprovação do ETF nos EUA impulsionou a alta do bitcoin, mas a principal criptomoeda do mercado pode subir ainda mais, segundo analistas

MERCADOS HOJE

Ibovespa engata recuperação, mas segue sob pressão do risco fiscal; dólar tem alívio após leilão do BC, mas juros futuros disparam

A agenda local está esvaziada nesta semana, mas os investidores aguardam por um desfecho para a PEC dos precatórios

COLUNA DO JOJO

Bolsa hoje: estaria o governo querendo furar o teto?

Ignorando o bom humor internacional de ontem, nós brasileiros vivemos nossa própria realidade, muito afetados com o vaivém de Brasília, que prejudicou bastante os mercados e que promete prejudicar ainda mais nos próximos dias

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies