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2020-12-28T07:52:28-03:00
Estadão Conteúdo
recuperação

Capital externo deve retornar em 2021

Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, com sede em Washington, projeta fluxos líquidos totais de não residentes ao Brasil de US$ 53 bilhões em 2021

28 de dezembro de 2020
7:52
Dólar em queda
Imagem: Shutterstock

Os mercados emergentes, incluindo o Brasil, voltaram com força ao radar dos investidores internacionais desde novembro. A opinião é de estrategistas de investimentos de bancos como JPMorgan, Bank of America e Morgan Stanley, e gestoras, como a BlackRock. O Brasil já tem se beneficiado do ambiente de apetite por ativos de risco, com fluxos recorde para a Bolsa e também para renda fixa. Especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast destacam, porém, que, em um segundo momento, vai aumentar a diferenciação de cada mercado e dois pontos vão ditar a intensidade dos aportes no País: o ajuste fiscal e o andamento das reformas estruturais, como a tributária e as privatizações.

O Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, com sede em Washington, projeta fluxos líquidos totais de não residentes ao Brasil de US$ 53 bilhões em 2021, uma recuperação em relação aos US$ 11,3 bilhões esperados para 2020 - considerados os investimentos externos diretos e em portfólio (bolsa e renda fixa). Os aportes para o mercado financeiro ainda devem seguir negativos, em US$ 1,5 bilhão no próximo ano, mas ainda assim é um avanço considerado o resultado estimado para este ano, quando houve saída de US$ 23,8 bilhões.

O economista do IIF Jonathan Fortun prevê que os "fluxos robustos" vão seguir fortes em direção aos emergentes, principalmente à Ásia, região que se recupera mais rápido dos efeitos da pandemia do Covid-19.

Em meio a uma queda na percepção de risco global, os aportes nos mercados de renda fixa e ações atingiram no quarto trimestre o maior nível desde 2013. Só em novembro, somaram US$ 76 bilhões, nível mensal recorde.

Para o presidente (CEO) da corretora BGC Liquidez, Erminio Lucci, em um primeiro momento, todos os emergentes se beneficiam da onda de busca por risco. Como a América Latina estava muito descontada em relação a outras regiões - ou seja, com preços atrativos -, acabou recebendo grandes aportes. No entanto, com os emergentes se recuperando da pandemia em 2021, a expectativa é que o interesse dos investidores continue alto, mas em um segundo momento, passada a euforia inicial, eles devem começar a diferenciar mais os mercados, ressalta Lucci.

A forma como o Brasil vai encarar o desafio fiscal e o andamento de reformas, como a tributária, e as privatizações vai determinar a intensidade dos fluxos, destaca ele, que ainda vê preços atrativos na região para os estrangeiros.

Mesmo com o rali observado na reta final de 2020, os ativos da América Latina ainda oferecem prêmios interessantes comparados ao mercado internacional, avalia o chefe de soberanos e mercados emergentes da BlackRock, Amer Bisat. Desde novembro, os investidores vêm fazendo uma certa vista grossa para problemas específicos de cada país, animados pela euforia em torno dos resultados positivos das vacinas, da definição da eleição americana e da liquidez alta no mundo. No entanto, a tendência é que passem a cobrar em seguida pelos desafios de curto prazo de cada mercado. "No curto prazo, as coisas estão bem, as rentabilidades são atrativas, mas há desafios que vão voltar", disse.

"O fluxo está muito dependente da solução fiscal que vai ser costurada para o Brasil", afirma o economista-chefe no País do Citi, Leonardo Porto. O ponto de inflexão, disse ele, é a questão fiscal, se o teto de gasto será ou não respeitado em 2021, em qual magnitude, e se isso vai se estender para os próximos anos, além de como a despesa maior será financiada.

Na avaliação de Porto, o afrouxamento do teto só ocorre em 2021. Ele espera recuperação do investimento externo direto, que pode somar US$ 56 bilhões no ano que vem, ante US$ 39 bilhões previstos para este ano.

Vulnerável

O Brasil aparece entre os três emergentes mais vulneráveis em 2021, junto com Turquia e África do Sul, segundo ranking elaborado pelo Bank of America, que avalia indicadores macroeconômicos e financeiros. A posição ruim do Brasil é culpa do elevado endividamento, segundo relatório do banco americano. Chamando atenção para a vulnerabilidade brasileira, o canadense TD Bank afirma estar otimista com os emergentes no geral, mas vê oportunidade para diferenciação em 2021 e destaca que o Brasil é especialmente problemático, por conta da situação fiscal muito deteriorada.

"Para vir um fluxo específico para o Brasil é preciso resolver a questão fiscal", destaca o estrategista em moedas e crédito globais da Ohmresearch Independent Insights, Daniel Miraglia, ressaltando que desde novembro o País está recebendo dinheiro de curto prazo que está indo para todos os emergentes, sem diferenciar mercados. "A gente vem de um processo de pandemia em que o mercado entendeu a necessidade de aumento de gastos, mas agora chegou o momento que o mercado quer ver se governo tem mesmo a responsabilidade fiscal desejada", afirma o especialista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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