2020-04-02T16:33:51-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Dia de recuperação

Ibovespa opera em alta, impulsionado pela Petrobras e pelo salto no petróleo

O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira, beneficiado pela forte valorização do petróleo. Novos comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, aumentam ainda mais a percepção de que um acordo entre sauditas e russos para pôr fim à guerra de preços da commodity está a caminho

2 de abril de 2020
10:34 - atualizado às 16:33
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Após duas sessões em baixa, o Ibovespa consegue respirar nesta quinta-feira (2). O índice brasileiro abriu em alta e chegou a avançar mais de 4% no melhor momento do dia, ajudado pela valorização do petróleo e pelo salto das ações da Petrobras.

Por volta de 16h30, o Ibovespa avançava 1,66%, aos 72271,07 pontos, após bater os 73.861,00 na máxima (+4,08%). No exterior, as bolsas da Europa fecharam com um leve viés positivo e os índices dos Estados Unidos apenas flutuam perto da estabilidade.

No câmbio, o dólar à vista tem uma sessão pouco movimentada: no mesmo horário, subia 0,06%, a R$ 5,2657, buscando novas máximas — lá fora, a divisa americana tem oscilações reduzidas em relação às demais divisas de países emergentes.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados acionários nesta quinta-feira. Veja abaixo:

O motor por trás da alta do Ibovespa é a Petrobras: as ações ON da estatal (PETR3) disparavam 11,12%, enquanto os papéis PN (PETR4) tinham ganho de 9,93%. Tudo isso por causa da forte valorização do petróleo, com o WTI (+24,67%) e o Brent (+21,02%) fechando em forte alta.

A commodity já vinha ganhando terreno desde o início da sessão, impulsionada por uma declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo acreditar que Rússia e Arábia Saudita chegarão a um acordo para encerrar a guerra de preços do petróleo.

Os ganhos decorrentes dessa fala, no entanto, eram muito mais tímidos, com o WTI e o Brent subindo cerca de 6% nesta manhã. A nova onda de valorização ocorreu somente após uma nova fala de Trump, desta vez no Twitter, reforçado a percepção de que um acordo entre sauditas e russos está cada vez mais próximo:

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/1245720677660925952

"Acabei de falar com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que conversou com o presidente Putin, da Rússia, e eu espero e acredito que eles vão cortar [a produção de petróleo] em cerca de 10 milhões de barris, talvez muito mais", escreveu Trump, há pouco. "Se isso acontecer, será ótimo para a indústria de petróleo e gás".

Apesar de o salto de mais de 20% nas cotações da commodity ser expressivo, vale ressaltar que os níveis de preço ainda estão relativamente baixos, na faixa entre US$ 25 e US$ 30 o barril — em abril do ano passado, o petróleo era negociado na faixa entre US$ 60 e US$ 70 o barril.

De qualquer maneira, trata-se de um estímulo importante e um alívio bem vindo num dos focos de tensão dos investidores nos últimos dias.

Cautela com o coronavírus

Apesar da injeção de ânimo no mercado de commodities, fato é que os investidores continuam bastante receosos quanto aos desdobramentos do surto de coronavírus para a economia global. No mundo todo, já são mais de 900 mil contaminados e quase 50 mil mortos por causa da doença.

Nesse contexto, novos dados decepcionantes do mercado de trabalho nos EUA redobram a cautela dos agentes financeiros, evidenciando o impacto da pandemia sobre o nível de atividade do país.

Os novos pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 28 de março dispararam para 6,648 milhões, quase o dobro dos 3,341 milhões registrados na semana anterior. É um novo recorde histórico e um número muito acima das projeções do Wall Street Journal, de 3,1 milhões.

O dado piorou o humor nas bolsas globais, fazendo as praças da Europa e dos Estados Unidos aprofundarem as perdas. Por aqui, o ânimo gerado pelo petróleo ainda é soberano, mas tem força limitada por causa do pessimismo externo.

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Juros em baixa

No mercado de juros futuros, o dia é ajustes negativos na ponta mais curta. Com mais um sinal de que a economia global será fortemente afetada pelo surto de coronavírus, os investidores aumentam as apostas em um novo corte na Selic e na manutenção das taxas em patamares mais baixos por um período prolongado:

  • Janeiro/2021: de 3,24% para 3,22%;
  • Janeiro/2022: de 4,21% para 4,09%;
  • Janeiro/2023: de 5,39% para 5,45%;
  • Janeiro/2025: de 6,97% para 6,98%.

Top 5

Além da Petrobras, outros papéis de empresas exportadoras, como Suzano ON (SUZB3) e as units da Klabin (KLBN11), também aparecem na ponta positiva do Ibovespa, beneficiados pelo patamar mais elevado do dólar à vista.

As ações de companhias aéreas, como Gol PN (GOLL4) e Azul PN (AZUL4), se recuperam das perdas expressivas de ontem. Veja abaixo as maiores altas do índice no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
PETR3Petrobras ON15,79 +11,12%
PETR4Petrobras PN15,72 +9,93%
CRFB3Carrefour Brasil ON 21,36 +8,32%
RENT3Localiza ON25,63 +8,14%
CVCB3CVC ON10,11 +7,55%

Confira também as maiores quedas do Ibovespa:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
COGN3Cogna ON3,63 -6,20%
VVAR3Via Varejo ON4,37 -6,02%
CYRE3Cyrela ON12,33 -4,86%
YDUQ3Yduqs ON20,66 -4,79%
ECOR3Ecorodovias ON8,66 -4,42%
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