Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-01-31T19:14:37-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
R$ 4,28

No mês do coronavírus e das tensões geopolíticas, o dólar chegou a uma nova máxima

Pressionado pelos diversos fatores de risco surgidos no exterior, o dólar à vista disparou quase 7% em janeiro e chegou a um novo recorde em termos nominais. O Ibovespa também encerrou o mês sob pressão: caiu 1,63% e voltou aos 113 mil pontos

31 de janeiro de 2020
18:55 - atualizado às 19:14
Dólar em alta
Imagem: Shutterstock

Durante boa parte do mês de janeiro, parecia que nada seria capaz de deter o bull market. Tivemos uma quase guerra entre Estados Unidos e Irã e um surto de uma nova doença — e lá estava o Ibovespa, firme e forte, perto das máximas. Só que, ao olharmos para o dólar à vista, podemos perceber que esse otimismo todo não era unânime.

Enquanto a bolsa conseguia se segurar perto do topo — vale lembrar que, na semana passada, o índice cravou um novo recorde, superando os 119 mil pontos — a moeda americana ia, pouco a pouco, se valorizando em relação ao real. E essa escalada culminou numa marca histórica.

Nesta sexta-feira (31), o dólar à vista fechou em alta de 0,65%, a R$ 4,2850, cravando um novo recorde de encerramento em termos nominais — a divisa nunca havia superado a barreira de R$ 4,28. Somente nesta semana, a moeda americana acumulou ganhos de 2,40%; em janeiro, o salto foi de 6,81%.

Essa escalada ocorreu de maneira mais ou menos constante, em linha com as tensões do noticiário externo. Pode parecer que faz tempo, mas os atritos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio ocorreram no começo de janeiro — e provocaram uma primeira onda de aversão ao risco no mercado de câmbio.

E, nas últimas semanas, um segundo movimento de cautela afetou o dólar: o surto de coronavírus, que já matou mais de 200 pessoas e contaminou quase dez mil. A doença misteriosa lança uma sombra de dúvida quanto aos possíveis impactos na economia da China e no nível de atividade global — e a incerteza é inimiga do mercado financeiro.

Em ambos os casos, os investidores recorreram a uma estratégia clássica no mercado de câmbio: saíram dos ativos de risco — como as moedas de países emergentes — e correram para opções mais seguras, como o dólar ou o iene.

Afinal, num cenário em que não há clareza quanto ao que poderá acontecer no curto prazo, é melhor não ficar desprotegido — o vulgo "é melhor um pássaro na mão que dois voando".

Veja abaixo o comportamento do dólar à vista ao longo do mês — uma tendência nítida de valorização da moeda americana frente ao real, em respostas aos fatores de risco que surgiram no horizonte:

Vale ressaltar dois fatores sobre essa escalada do dólar:

  1. Esse movimento foi impulsionado por fatores externos;
  2. Os gatilhos para a aversão ao risco — um possível conflito armado no Oriente Médio e o surto do coronavírus — não estavam no radar do mercado até dezembro.

Esses dois pontos deixam clara a natureza volátil do mercado de câmbio. As negociações de moedas são particularmente sensíveis às variáveis externas, estando sujeitas à imprevisibilidade do noticiário.

Além disso, também é importante ressaltar a ausência de fatores domésticos mais relevantes para a valorização do dólar. Estamos falando de uma conjuntura internacional, e não de um problema localizado no Brasil — o que diminui parcialmente a preocupação do Banco Central (BC).

Sim, é verdade: o BC promoveu um leilão de linha de US$ 2 bilhões nesta sexta-feira, tentando frear a alta da moeda americana. No entanto, em termos estruturais, o mercado brasileiro não apresenta disfuncionalidades e, assim, há pouca demanda por parte dos investidores por uma atuação da autoridade monetária.

É claro que uma puxada ainda mais forte do dólar fará com que o BC se mexa e tente alimentar a demanda do mercado. A situação, contudo, ainda parece sob controle.

O Ibovespa tentou, mas...

O gráfico do dólar à vista chama ainda mais a atenção quando comparado ao do Ibovespa ao longo de janeiro. A bolsa descolou do mercado de câmbio, não cedendo a um movimento de correção logo de cara.

O índice só passou por um ajuste mais forte nos últimos dias, quando o surto de coronavírus ganhou dimensões mais preocupantes. Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,53%, aos 113.760,57 pontos, acumulando perdas de 3,90% na semana e de 1,63% no mês.

O saldo final foi negativo, mas veja que o Ibovespa conseguiu ficar perto das máximas durante mais de dois terços de janeiro:

Há diversas explicações para esse comportamento do Ibovespa. Por um lado, a expectativa de retomada da economia brasileira em 2020 motiva um certo otimismo com a bolsa, uma vez que as empresas tendem a reportar lucros crescentes num cenário de atividade mais aquecida.

Também há a leitura de alocação estratégica: muitos investidores preferiram manter as apostas em bolsa, mas comprando dólares para proteger suas carteiras.

A ideia é continuar no mercado acionário para o caso de o cenário global não se deteriorar, mas ter uma posição em dólar para não ter perdas volumosas caso as coisas não corressem bem.

E foi exatamente isso que aconteceu nessa última semana: o coronavírus mostrou-se mais sério que o previsto e as bolsas caíram. Mas, quem tinha dólares na carteira, neutralizou as baixas das ações, já que a moeda americana subiu.

Top 5 no mês

Veja abaixo as cinco ações do Ibovespa que mais se valorizaram em janeiro:

  • Via Varejo ON (VVAR3): +25,34%
  • Natura ON (NTCO3): +23,04%
  • Magazine Luiza ON (MGLU3): +17,51%
  • Totvs ON (TOTS3): +15,65%
  • IRB ON (IRBR3): +15,10%

Confira também as maiores quedas do índice no mês:

  • Cia Hering ON (HGTX3): -27,09%
  • CVC ON (CVCB3): -16,67%
  • Cielo ON (CIEL3): -15,26%
  • BRF ON (BRFS3): -13,21%
  • Itaú Unibanco PN (ITUB4): -11,50%
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

de olho na inovação

Amazon sinaliza interesse por criptomoedas em anúncio de emprego

Empresa procura “um líder de produto experiente para desenvolver a estratégia e o roadmap de produtos e moedas digitais

balanço em foco

Lucro da Hypera Pharma aumenta 18% no segundo trimestre

Cifra chegou a R$ 470,6 milhões no período; companhia obteve alta de 43,5% na receita líquida, a R$ 1,5 bilhão

seu dinheiro na sua noite

Quebrando recordes na corrida dos ETFs

A pira foi acesa em Tóquio: os Jogos Olímpicos estão oficialmente abertos — e eu estou empolgadíssimo. Não sei vocês, mas eu adoro as Olimpíadas, principalmente os esportes não muito convencionais. Claro, é legal assistir futebol, vôlei e basquete, mas eu gosto mesmo é de ver as modalidades que nunca passam na TV. Duelo de […]

FECHAMENTO DA SEMANA

Inflação salgada pressiona juros, mas dados americanos amenizam alta do dólar — já a bolsa não escapou da queda

Em semana recheada de ruídos políticos e incertezas, o Ibovespa acumulou uma queda de 0,72%. Já o dólar à vista subiu 1,86%, a R$ 5,2105

de olho no ir

Alta da arrecadação não dá ‘total liberdade’ para reduzir impostos, diz secretário do Tesouro

Jeferson Bittencourt considerou também que a reforma do IR ainda está em aberto, com muito para se discutir

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies