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Ivan Sant’Anna
Seu Mentor de Investimentos
Ivan Sant’Anna
É trader no mercado financeiro e autor da Inversa
2019-01-14T15:43:44-02:00
Seu mentor de investimentos

Sobre objetivos e a hora de parar

Encontrar a hora certa de “stopar” pode fazer você levar uma bolada para casa

14 de janeiro de 2019
15:43

Por mais incrível que possa parecer, só conheci o conceito de stop em 1983, quando já tinha um quarto de século de mercado e comecei a operar única e exclusivamente nas bolsas internacionais de futuros e opções.

Até então, eu “stopava” minhas operações, sem usar esse nome, nas seguintes circunstâncias:

O capital acabava

De tanto teimar com um long ou um short, que seguia em direção contrária ao objetivo, ficava sem caixa.

“Liquida essa porra”, dizia para meu corretor, após ter comprado Banco do Brasil (que aqui entra apenas como exemplo) a 10 cruzeiros e ver o papel cair para 9,50, 9,00, 8,50, 8,00, 7,50...

Desnecessário dizer que tão logo eu vendia (ou recomprava, no caso de vendas a descoberto) o mercado começava a se recuperar. Foi quando aprendi o que significava RSI (Relative Strenght Index – Índice de Força Relativa), fórmula que indicava quando as cotações estão overbought (supercompradas) ou oversold (supervendidas).

Um papel, ou commodity, ou futuro em baixa para de cair quando surge o último vendedor. Nesse caso, na ausência de ursos, aparecem os primeiros touros. O RSI mede isso direitinho.

Meus nervos entravam em colapso (segunda hipótese)

Isso acontece com qualquer um que teima em remar contra a maré. Tipo:

“Ah, a três centavos é impossível o açúcar cair mais”. E não é que caía. Até, é claro, eu liquidar minha posição.

Pois, tal como escrevi acima, de 1983 para cá deixei de me considerar o dono da verdade. Até hoje, passados mais 36 anos, sempre que compro ou “shorteio” parto da premissa de que posso estar enganado. Por isso ponho um stop.

“A Reforma da Previdência vai passar. Vou comprar Ibovespa a 93.500 com stop a 92.900.” É assim que me forço a agir.

Há outras maneiras de fazer stops. Uma de minhas preferidas é o stop cirúrgico. Mantendo o foco no Ibovespa, digamos que você veja, nos gráficos, um suporte importante, cotação na qual o mercado já bateu lá três vezes e subiu. 91.800, só para citar um número.

Nesse caso, usando o stop cirúrgico, você dá a seguinte ordem ao seu corretor:

“Compre Ibovespa a 91.900 com stop a 91.790. Nesse caso, você vai perder 110 pontos. Talvez um pouco mais por causa do slippage. Trata-se da diferença entre o preço de sua ordem e aquele no qual ela será executada. A gente sempre leva uma enrabadinha.

Um stop pode também ser MOC (market on close). Ou seja, só será concretizado se o mercado fechar abaixo (acima, no caso de vendas a descoberto) do seu preço de compra (ou de venda).

Esse tipo de ordem não é muito usado no Brasil, mas é arroz de festa no mercado internacional.

“Buy two hundred S&P at two thousand and six hundred even with a stop MOC at two thousand and five hundred (Compre duzentos contratos de S&P a 2.600 redondos com um stop MOC a 2.500.)

O perigo da ordem acima é você ser “stopado” muito abaixo do seu preço de compra, realizando um prejuízo grande. Mas de todo modo irá dormir zerado.

Em minha opinião, objetivos são muito mais difíceis de serem definidos do que stops. Simplesmente porque o lucro é um alucinógeno, que tem como efeito principal o medo de deixá-lo escapar.

No trade mais lucrativo de minha vida, realizado em 1988 no mercado futuro de soja da CBoT em Chicago (eu já falei dele diversas vezes em minhas crônicas), fixei três objetivos aleatórios.

Não me lembro exatamente dos preços, mas comprei um lote jumbo de soja Novembro. Digamos que foi a 7 dólares o bushel. Pois bem, mandei vender um terço a oito dólares, um terço a nove e o terceiro terço a 10. O mercado ainda foi a 11 e depois desabou.

O objetivo pode também ser fixado em função de um acontecimento e não de um preço.

Digamos que você comprou Ibovespa futuro a 88.000, com stop a 86.900, no primeiro dia útil após a posse de Bolsonaro. “Parabéns! Tá ganhando uma baba.”

Mas, e agora? Quando e a que preço vender? Lembre-se que o Ibovespa é um contrato que pode ser rolado para o vencimento seguinte, o que significa que você pode ficar comprado eternamente.

Minha primeira sugestão é elevar o stop para 89.900. Acontecendo isso, você vai lucrar 1.900 pontos, coisa que, tenho certeza, lhe deixará frustrado.

“Ah, eu podia ter vendido a 91.000, a 92.000, a 93.000, a 93.500...” Você vai chorar feito uma criança que deixou o picolé cair no chão. Mas o mercado é assim.

Pois bem, com o lucro garantido, seu dilema agora é saber quando vai pular fora. Tenho certeza de que no seu inventário não vai estar lá: “100 Ibovespa futuro.”

Nesse caso, vou dar uma sugestão que me ocorreu agora.

Quando o governo Bolsonaro enviar para o Congresso a mensagem de Reforma da Previdência, venda a metade. Após a votação, o saldo. Com um tremendo lucro se a reforma for aprovada.

Provavelmente ganhando uma merreca se rejeitada, consideradas as duas vendas. Uma coisa é certa: se você comprou lá na bacia das almas, dinheiro não vai perder.

Esses objetivos que citei se referem a mercados futuros, alavancados. Compra de ações à vista é um negócio diferente. Você pode adquiri-las visando dividendos ou simplesmente para ser sócio de uma companhia lucrativa. Neste último caso, o stop deve acontecer não somente em função de preços, mas de percepção de que ela está perdendo mercado ou o setor em que atua, entrando em obsolescência. São milhares as variáveis operacionais. Stops e objetivos são só duas delas.

Nas próximas colunas vou falar de outras. Quero compartilhar meus conhecimentos de modo que o caro amigo leitor ganhe mais do que ganhei nos trades em que tive êxito e perca menos do que naqueles em que me ferrei.

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