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Troca de farpas

Bolsonaro recomenda não dar “munição” ao “canalha” e Lula fala em “libertar o Brasil da loucura”

Presidente evitou qualquer menção direta a adversários políticos que ganharam liberdade após a decisão do Supremo Tribunal Federal

Presidente da República, Jair Bolsonaro.
Imagem: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro escreveu em uma rede social nesta manhã duas mensagens em que conclama os "amantes da liberdade e do bem" e recomenda não dar "munição" "ao canalha, que momentaneamente está livre".

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"Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros", diz o post.

"Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num (sic) bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa", afirma.

Em um segundo post, o presidente da República escreve: "Iniciamos a (sic) poucos meses a nova fase de recuperação do Brasil e não é um processo rápido, mas avançamos com fatos".

[captacao]

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E repete: "Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa".

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Nos dois tuítes, Bolsonaro não cita nenhum nome e evita qualquer menção direta a adversários políticos que ganharam liberdade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a prisão após a condenação em segunda instância.

Livre da loucura

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo no Instagram, no fim da noite de ontem, em que afirma que o Brasil está vivendo uma "loucura" e que está livre para ajudar a tirar o País dessa situação.

"Quero dizer 'pra' vocês que 'tô' livre 'pra' ajudar a libertar o Brasil dessa loucura que está acontecendo no nosso País", diz Lula no vídeo.

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Leia abaixo a mensagem do vídeo.

"Queria falar com meus seguidores do Instagram. Quero dizer a vocês que sou um senhor muito jovem. Tenho 74 anos do ponto de vista biológico. Mas tenho 30 anos do ponto de vista de energia e 20 anos, de tesão. Só para vocês ficarem com inveja desse jovem que está falando com vocês. Quero agradecer do fundo do coração toda solidariedade de vocês (...) e dizer pra vocês que 'tô' livre para ajudar a libertar o Brasil dessa loucura que está acontecendo no nosso País. É preciso cuidar da educação, cuidar do emprego, do salário, da cultura. É preciso cuidar do prazer e da alegria. Aliás, a juventude não vive se não tiver prazer, motivação de vida. E é isso que nós temos para oferecer 'pra' vocês. Beijos."

Moro fala em respeito ao STF

O ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu respeito à decisão do STF em que um condenado tem o direito à liberdade até o fim de todos os recursos judiciais. Em sua conta no Twitter, o ex-juiz publicou um texto em que afirmou, no entanto, que a medida ainda pode ser alterada, "como o próprio Min. Toffoli (presidente do STF, Dias Toffoli) reconheceu pelo Congresso", diz a publicação.

"Lutar pela Justiça e pela segurança pública não é tarefa fácil. Previsíveis vitórias e revezes. Preferimos a primeira e lamentamos a segunda, mas nunca desistiremos", ressaltou Moro no tweet acompanhado de um vídeo.

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Ontem, Moro defendeu o direito do Legislativo de alterar a Constituição para prever a prisão após condenação em segunda instância. A declaração foi dada ao Estado um dia depois de o STF vetar a possibilidade por 6 votos a 5. "O Congresso pode, de todo modo, alterar a Constituição ou a lei para permitir novamente a execução em segunda instância, como, aliás, reconhecido no voto do próprio presidente do STF, Dias Toffoli", disse o ministro. "Afinal, juízes interpretam a lei e congressistas fazem a lei, cada um em sua competência."

Uma proposta sobre o tema deve ser votada na segunda-feira (11) em comissão da Câmara e, segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pode ir a votação no Plenário caso seja aprovada.

Eduardo e Carlos repudiam soltura

Os filhos do presidente Bolsonaro, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) usaram suas respectivas contas no Twitter para repudiar a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demais políticos considerados "criminosos".

Hoje, Carlos Bolsonaro republicou um vídeo em que seu pai pede para a população não dar "munição ao canalha que momentaneamente está livre", sem citar nominalmente o petista. "Calma, cambada de bandido, o Brasil não é de vocês! Comemorem, criminosos! Estão liquidados política e criminalmente! O Brasil vai dar certo!", enfatizou o vereador na postagem.

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O deputado federal foi mais taxativo e afirmou, ontem, que "além de Lula, Zé Dirceu e outros quadrilheiros, milhares de criminosos serão soltos no País, fazendo com que você fique à mercê de seus atos malignos". Eduardo Bolsonaro questionou se é isso que queremos para o Brasil e disse que "lutaremos até o fim".

A publicação ainda vem acompanhada por uma imagem com o texto: "Eles estão rindo da sua cara! O povo brasileiro não aguenta mais temer pela própria vida enquanto vê bandido se dando bem, chega! Repudiamos a soltura do chefe e dos integrantes da quadrilha que destruiu o Brasil, além dos milhares de outros criminosos".

*Com Estadão Conteúdo.

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