Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Estadão Conteúdo

voz da experiência

‘Articulação de Bolsonaro é desanimadora’, diz ex-presidente do Banco Central

Perto de completar 80 anos, Pastore, que comandou o Banco Central, entre 1983 e 1985, diz que a reforma da Previdência não é uma “bala de prata” responsável por resolver todos os problemas do País

Estadão Conteúdo
2 de junho de 2019
12:10
Economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central
O economista Affonso Celso Pastore - Imagem: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

Para o economista Affonso Celso Pastore, o governo do presidente Jair Bolsonaro tem a equipe econômica certa, com potencial para encaminhar o País rumo às reformas necessárias para afastar o Brasil da insolvência e colocar o País novamente nos trilhos. O que atrapalha, ele avalia, é a falta de articulação política. “Nesse ponto, é desanimador.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Perto de completar 80 anos, Pastore, que comandou o Banco Central, entre 1983 e 1985 - em meio à crise da dívida externa, que fez o Brasil ficar sem recursos para pagar suas importações -, diz que a reforma da Previdência não é uma “bala de prata” responsável por resolver todos os problemas do País. Após a sua aprovação, é preciso abrir a economia, reformar o sistema tributário e aumentar a competitividade, diz o economista da consultoria A.C. Pastore e Associados.

Na próxima quinta-feira, o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) vai promover um seminário em homenagem a Pastore, com debates entre economistas. Ele começou a atuar como professor titular da instituição em 1999. Leia, a seguir, trechos da entrevista.

Como foi presidir o Banco Central em um período de crise aguda, como a dos anos 80?

Eu peguei uma verdadeira tempestade, que foi a crise da dívida externa, e tive de atuar como um dos elementos que fizeram a primeira fase da renegociação da dívida. O convite para o Banco Central foi feito por Ernane Galvêas, ministro da Fazenda na época, mas não tenho dúvida de ter sido recomendado pelo Delfim Netto, que tinha sido meu professor e estava no Planejamento. Foi um período dificílimo. Tomei posse em setembro de 1983 e logo quis entender qual era a situação do País. O Brasil não tinha mais reservas internacionais. Era uma situação em que se paralisaram todos os pagamentos internacionais e as linhas de financiamento de exportação tinham sido canceladas, não tinha como financiar a exportação. A recessão daquele período foi tão profunda como a dos anos recentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O principal desafio era tentar administrar essa grave crise?

Leia Também

Sim. No Banco Central, a primeira coisa que tive de fazer era ser um administrador de crises. Tinha de procurar os bancos, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Clube de Paris. Isso também envolvia o Ministério da Fazenda e o do Planejamento. Foi um momento extremamente tenso, porque a gente não sabia o que viria. Nunca tinha enfrentado um desafio - nem o País. Estávamos tateando no escuro. A economia começou a voltar em 1984. A experiência foi rica, no sentido de pegar um País que estava sem reservas e colocá-lo em um caminho normal. Mais tarde, teve uma segunda fase de renegociação da dívida e várias outras ações que precederam o Plano Real, em 1994.

O País mudou muito desde que o sr. saiu do Banco Central?

O Brasil é um outro país, bem diferente. Lá atrás, tinha uma inflação crônica, que vinha de um processo de financiamento da dívida com emissão de moeda. A gente não tinha dívida, mas tinha inflação. O Plano Real conseguiu acabar com a inflação a um custo muito pequeno, mas falhou por não ter feito a reforma do lado fiscal. Lá começamos a construir um problema fiscal que veio crescendo até hoje. Desde a Constituição de 1988, a despesa primária do governo central, em termos reais, cresce a 6% ao ano. Se o Produto Interno Bruto (PIB) crescesse no mesmo ritmo, não teria problema, a receita pagaria a despesa. Só que o PIB nesse período cresceu em torno de 2% ao ano. A despesa foi crescendo e os governos ‘atacaram’ esse problema aumentando impostos e afogando o setor privado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nada foi feito?

Esse problema não foi atacado no governo Fernando Henrique Cardoso, nem no governo Lula nem no governo Dilma. Quando chega no governo Temer, e esse foi um ponto que merece elogios, ele diz o seguinte: ‘temos de parar de subir impostos, para não matar a economia’. Foi o teto de gastos. Mas essa emenda constitucional só sobrevive com uma reforma da Previdência que leve em consideração a transição demográfica ocorrida nos últimos anos. Só tem uma saída possível: aumentar a idade mínima de aposentadoria e olhar para os privilégios que existem hoje.

A reforma da Previdência tem aparecido na maioria das análises econômicas recentes. Ela é, de fato, crucial para o País?

Sim. Qualquer caminho que se pense para a recuperação do Brasil não vai funcionar se o problema da insolvência do setor não for eliminado, e para isso é preciso uma reforma da Previdência robusta. Lá atrás, tinha uma crise de balança de pagamentos internacionais. Agora, trata-se de uma crise de crescimento econômico. A reforma da Previdência não é uma bala de prata, que vai resolver todos os problemas do País, mas ela é uma condição necessária para que as outras medidas sejam possíveis. Depois de aprovada, é preciso abrir a economia para o comércio internacional e tornar a economia brasileira mais competitiva. O empresário tem de ser pressionado pela competição para poder ser eficiente, em vez de ir a Brasília buscar subsídio para manter o lucro. Também precisa acabar com a guerra fiscal entre os Estados e fazer a reforma tributária, como a que propõe o Bernard Appy (diretor do Centro de Cidadania Fiscal).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Que balanço o sr. faz do governo Bolsonaro até agora?

Esse governo tem gente muito boa, todas as informações que recebo indicam que o ministro da Infraestrutura (Tarcísio Freitas) faz um bom trabalho. A equipe econômica é preparada. No Banco Central, também. Mas do ponto de vista da articulação política, é muito desanimador. Também fico abismado com a ideologia tacanha que hoje conduz a educação no Brasil. Além disso, o presidente precisa entender que ele não tem maioria no Congresso e os parlamentares também foram eleitos legitimamente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DIREITOS HUMANOS

Dia dos Povos Indígenas: organizações cobram demarcação de terras e proteção

19 de abril de 2026 - 15:03

Neste 19 de abril, lideranças reforçam a pressão por avanços na regularização territorial dos povos originários

DISPUTA ACIRRADA

Lula e Flávio Bolsonaro empatam no segundo turno, mas um deles sai na frente, mostra a Genial/Quaest; veja como está o cenário para as eleições

15 de abril de 2026 - 9:54

Os dois políticos polarizam a disputa também no primeiro turno, ainda sem serem ameaçados por outros pré-candidatos

ELEIÇÕES 2026

Lula perde vantagem no 2º turno, e Flávio Bolsonaro aparece à frente pela primeira vez, mostra Datafolha

12 de abril de 2026 - 11:03

O presidente e Flávio Bolsonaro também são os pré-candidatos mais conhecidos pelos eleitores

FORA DO RADAR

“Eleições ainda são só ruídos, a gente não ‘treida’ ruído”, diz gestor do Bradesco. Mercado vê oposição ganhando força, mas ainda não cravou suas apostas

7 de abril de 2026 - 18:01

Em evento do BBI, gestores afirmam que cenário global predomina e eleições ficaram no segundo plano

ELEIÇÕES 2026

Já regularizou o título de eleitor? Prazo para resolver pendências acaba em um mês; saiba como ficar apto a votar

4 de abril de 2026 - 15:44

O prazo vale também para quem pretende tirar o título de eleitor pela primeira vez ou alterar o local de votação

TOUROS E URSOS #265

Fim da escala 6×1 propõe uma revolução ou o caos? Veja o que pode mudar na economia e nas contas das empresas

1 de abril de 2026 - 13:01

Cláudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, fala no Touros e Ursos desta semana sobre um estudo que mensura os possíveis efeitos da redução da jornada no varejo e na economia

DANÇA DAS CADEIRAS

O que muda no governo depois de Lula ter confirmado Alckmin como vice e anunciado a saída de 18 ministros

31 de março de 2026 - 16:55

Segundo Lula, mais auxiliares podem deixar a Esplanada, mas ainda precisam avisá-lo

DIREITOS CIVIS

Enquanto o Brasil começa a ampliar licença-paternidade para 20 dias, um país já paga até 1 ano de salário para o pai ficar em casa com o filho

31 de março de 2026 - 13:40

Licença-paternidade foi instituída no Brasil com a promulgação da Constituição de 1988. Mesmo com ampliação, benefício seguirá muito aquém do observado em países mais desenvolvidos.

TERCEIRA VIA?

Caiado vem aí: PSD dá a senha para a pré-candidatura de Caiado à presidência da República

30 de março de 2026 - 11:42

Mesmo sem a confirmação oficial, integrantes do PSD começam a repercutir a escolha do governador de Goiás, em detrimento de Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul

ELEIÇÕES 2026

Lula empata com Flávio Bolsonaro nos dois turnos das eleições de 2026, mostra pesquisa BTG Pactual/Nexus

30 de março de 2026 - 8:22

O potencial de voto de Lula é um pouco maior e chega a 50%, enquanto Flávio Bolsonaro também tem 48% dos eleitores que admitem votar nele

O TSE EXPLICA

Mito ou verdade? Saiba se a regra dos 50% de votos nulos cancela uma eleição

28 de março de 2026 - 16:45

O equívoco nasce de uma leitura imprecisa do artigo 224 do Código Eleitoral. O texto menciona, de fato, a necessidade de novas eleições caso a “nulidade” atinja mais da metade dos votos

ELEIÇÕES 2026

Lula lidera entre eleitores de centro, mas cenário é de empate técnico no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, segundo Datafolha

28 de março de 2026 - 11:35

Apesar da vantagem numérica do petista no primeiro turno entre os moderados, a disputa se acirra em uma eventual rodada decisiva

AUXÍLIO-AUXÍLIO

STF veta auxílio-moradia, auxílio-panetone, auxílio-peru e auxílio-iPhone, mas a lista de penduricalhos agora vetados prima pela criatividade

26 de março de 2026 - 16:23

Decisão do STF limita verbas indenizatórias, suspende auxílios e tenta conter supersalários, embora preserve margem para penduricalhos na magistratura

MAIS UM NA LISTA

Cláudio Castro se torna o 7º ex-governador do RJ a ficar inelegível; entenda a decisão do TSE e relembre os casos de prisões, cassações e impeachments no estado

25 de março de 2026 - 16:31

A pena estipulada pelo TSE foi de 4 anos, retirando o ex-governador da corrida eleitoral deste ano e de 2030

MUDANÇA NO COMANDO

Quem é Dario Durigan: o “técnico” que pode substituir Haddad na Fazenda

11 de março de 2026 - 20:02

Atual secretário-executivo da Fazenda tem perfil mais técnico e pode assumir a pasta com o desafio de tocar a agenda econômica em ano eleitoral

A BANDEIRA DE LULA

Isenção do imposto de renda beneficiou 31% dos eleitores, segundo pesquisa Genial/Quaest

11 de março de 2026 - 18:00

Além do efeito da bandeira do governo Lula na renda, levantamento mostra que a violência permanece no topo das preocupações dos entrevistados

CUIDADO, ELEITOR!

De olho na IA nas eleições, TSE fixa regras contra deepfakes; saiba como denunciar

10 de março de 2026 - 19:29

Especialistas apontam que a observação detalhada da face e do áudio é o primeiro filtro de segurança, mas não é o único

AMIGOS?

O que Daniel Vorcaro conversava com Alexandre de Moraes? Veja as conexões encontradas no celular do banqueiro

6 de março de 2026 - 17:42

Investigação da PF encontra mensagens do ministro do STF no WhatsApp do banqueiro que apontam para uma relação de pelo menos dois anos

INAUGURAÇÃO OFICIAL

Haddad é responsável pelo equilíbrio da economia, diz Lula no pontapé da campanha em São Paulo

3 de março de 2026 - 19:27

Ex-governador de São Paulo e nome forte no Estado, Geraldo Alckmin também foi lembrado com elogios por Lula pela nova política da indústria brasileira

ESQUENTA

Lula e Flávio Bolsonaro têm empate técnico no primeiro turno das eleições, e pressão para Haddad concorrer ao governo de SP aumenta

27 de fevereiro de 2026 - 11:04

Os dados mostram também o filho de Jair Bolsonaro numericamente a frente de Lula no segundo turno, apesar da igualdade técnica entre ambos

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia