Anatel promete leilão de frequências do 5G para 2020
Anúncio não deixa claro se leilão visa a obtenção de recursos para o governo ou terá como objetivo o incentivo à tecnologia

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou nesta quarta-feira, 27, ao jornal O Estado de S. Paulo, que pretende realizar até março de 2020 o leilão das frequências para o 5G, tecnologia de conexão móvel de quinta geração.
O presidente da agência, Leonardo Euler, havia adiantado a informação durante coletiva de imprensa na Mobile World Congress, principal feira de telefonia celular do mundo, em Barcelona, na Espanha. Segundo comunicado da Anatel, o edital para o leilão deve ser lançado ainda neste ano.
Ainda não está claro, porém, se o leilão será arrecadatório - ou seja, se visará a obtenção de recursos para o governo - ou se o principal objetivo será o incentivo à tecnologia, que visaria principalmente ao avanço da infraestrutura no País.
O leilão arrecadatório pode ajudar o Tesouro Nacional a captar recursos de forma rápida. Em 2014, o leilão de quatro lotes de faixas do 4G rendeu R$ 5,85 bilhões à União.
No entanto, fontes do setor dizem acreditar que, ao incentivar tecnologias de última geração, os benefícios viriam a longo prazo, tanto na forma de arrecadação de impostos quanto de atração de investimentos.
Essa segunda opção é a preferida das operadoras de telecomunicações, que dizem enfrentar obstáculos financeiros para construir a infraestrutura da nova geração de redes móveis.
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No Brasil, há teles que preferem recuperar recursos investidos no 4G antes de partir para o 5G. Em dezembro de 2018, a Telefônica/Vivo disse preferir que um leilão não ocorresse este ano, diante do alto investimento exigido pela nova tecnologia.
Procurada nesta quarta pelo jornal O Estado de S. Paulo, a Oi informou que aguarda a publicação do edital para estudar as condições a ser definidas pelo governo. A Vivo e a TIM não quiseram comentar o assunto. Já a Claro não respondeu até o fechamento da reportagem.
Um leilão de frequências do 5G pode ajudar o Brasil a avançar nessa tecnologia, que oferece conexões dez vezes mais velozes que as do 4G, além de vantagens no quesito segurança. Para especialistas, o 5G será necessário para viabilizar tendências como carros autônomos, internet das coisas e cidades inteligentes.
Em regiões como EUA e Europa, as teles já trabalham em redes do tipo, com oferta de planos 5G para usuários finais. Aqui, o cenário é diferente: segundo previsão da GSMA, associação global das operadoras de celular, o 5G só deve ganhar força no Brasil a partir de 2023.
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