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Cansados do óbvio industrial, consumidores e bartenders exploram a agave em destilados artesanais ainda pouco conhecidos
Seja em shots em festas ou na clássica Margarita, a tequila (quase) sempre foi sinônimo de destilados mexicanos. Notícia boa é que esse repertório vem mudando. É que bebidas fora da produção em escala estão dando um espaço inédito para a agave. Mezcal, Raicilla, Bacanora e Sotol deixam de ser aquelas curiosidades trazidas de viagens e passam a ocupar bares com cartas autorais e prateleiras de quem gosta de garimpar boas garrafas.
“Nos últimos anos, houve uma migração natural do interesse do público da tequila, já bem estabelecida e globalizada, para destilados mais artesanais e identitários”, observa Kleber Gomes, bartender do Marie Cuisine.

Para entender como essa virada ganhou força, conversamos com especialistas, que explicam por que a busca por identidade está dando nova cara aos destilados mexicanos.
A hegemonia da tequila industrial, muitas vezes padronizada para agradar o paladar comum, criou um espaço que agora é preenchido por bebidas com personalidade. Segundo Caio Tucunduva, sócio do Café Hotel, a tequila foi, por muito tempo, associada ao México de forma quase automática, mas o foco mudou. “Estamos observando uma ruptura sutil: o foco agora se desloca para destilados menos conhecidos, mais artesanais e pertencentes a uma espécie de região oculta do agave”, explica.

Essa migração de interesse vem do cansaço do paladar em relação ao óbvio. “Há uma saturação da tequila genérica e uma busca por novidade e identidade; bares e consumidores querem sair do mainstream e encontrar algo menos óbvio”, afirma Caio. Kleber Gomes concorda e acrescenta que “se trata de uma mudança motivada essencialmente pela busca de originalidade, procedência e complexidade”.
O especialista aponta que o boom do mezcal permitiu a entrada de novidades. “Tipicamente, esses destilados menores carregam uma narrativa mais rica, envolvendo solo, altitudes, agave silvestre, fornos de pedra e fermentação com leveduras selvagens, o que agrega valor e fascínio para o público consumidor mais exigente”.
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“O mezcal abriu essa porta, mostrando que o agave é muito mais diverso que a tequila industrializada costuma refletir”, completa o bartender do Marie Cuisine.
Um dos maiores erros é acreditar que o agave é sinônimo de uma única planta. Enquanto a tequila é restrita legalmente ao uso do Agave Tequilana Weber, o agave azul, o universo desses destilados é bem maior. “Existem mais de 250 espécies de agave”, conta Tucunduva, destacando que essa biodiversidade é o que dá a complexidade sensorial que desafia o mercado atual.
“A espécie importa tanto quanto a uva no vinho: agaves diferentes, como Espadín, Tobalá, Tepextate e Lechuguilla, mudam completamente o aroma, o corpo e a intensidade da bebida”, compara Gomes. A raicilla, por exemplo, muitas vezes produzida na região costeira ou serrana de Jalisco, utiliza variedades como a Maximiliana ou Rhodacantha. Já a bacanora, típica do estado de Sonora, baseia-se no Agave Angustifolia.

Também há o caso do sotol. Frequentemente agrupado na categoria de agaves, ele é, tecnicamente, derivado de outra planta. “O sotol não usa agave, mas sim Dasylirion Wheeleri ou Cedroanum”, esclarece Caio.
Enquanto a indústria de massa aposta em autoclaves e difusores para acelerar a produção e garantir homogeneidade, com os produtores de mezcal, raicilla e sotol não é bem assim. Agaves silvestres podem levar de oito a 12 anos para atingir a maturação ideal, absorvendo as características do solo e do clima. “O tempo de maturação influencia o preço e a sustentabilidade”, lembra Kleber.

E o resultado não é para quem está acostumado com suavidade e sabores artificiais. São bebidas de textura rústica e perfis funky. “No Mezcal típico, por exemplo, o coração do agave é assado em fornos de chão ou pedras quentes, resultando em notas de fumaça e defumação bem marcantes”, diz Tucunduva.
Essa rusticidade é, ao mesmo tempo, o maior atrativo e o maior desafio. “A diversidade de espécies e métodos tradicionais gera uma complexidade e imprevisibilidade em que os perfis não seguem linhas retas, exigindo do bartender maior atenção à dosagem, acidez e açúcar”, completa o especialista.
O perfil sensorial pode variar do salino da raicilla ao mineral do sotol. “A raicilla apresenta perfis florais e quase selvagens, com acidez alta e um final funky. Já o sotol é mais herbal e vegetal, com uma mineralidade única que funciona muito bem com cítricos”, diz Kleber.

“Além disso, a textura e o corpo desses destilados costumam ser mais rústicos, podendo conter impurezas artesanais ou notas que remetem à terra”, completa Caio, reforçando que o consumo dessas bebidas exige uma abertura para experiências fora da curva da doçura comercial.
Para Kleber, “criar coquetéis com esses perfis exige atenção ao protagonismo da bebida: não se deve escondê-la, mas sim projetar a receita ao redor da personalidade do destilado”.
Além da descoberta de novos sabores, também está em alta o olhar para o processo produtivo. A demanda por destilados additive-free, livres de corantes e aromatizantes, está moldando as cartas de bares.
“Os consumidores estão muito mais conscientes sobre o que bebem, procurando rótulos additive-free, 100% agave, sem corantes artificiais ou açúcares”, observa Tucunduva.
“O termo additive-free virou palavra-chave. Na hora de escolher rótulos, isso pesa muito: busco quem realmente produz de forma limpa, transparente e artesanal”, afirma o bartender do Marie Cuisine. Essa pressão por transparência força uma curadoria mais rigorosa por parte de importadores e mixologistas.
Caio destaca a importância de dados técnicos que antes eram ignorados: “Passamos a exigir transparência: qual a espécie de agave? Qual o método? Há corantes ou açúcares? Qual a destilaria e a garantia de origem?”.
Essa valorização beneficia os pequenos produtores, que, mesmo com custos mais altos, dão uma autenticidade que a indústria química não consegue replicar.

A entrada desses destilados nos bares fez os bartenders repensarem suas técnicas. “O boom do mezcal provocou uma mudança estrutural nos bares e redefiniu a linguagem da coquetelaria contemporânea”, afirma Kleber.
Um dos erros, segundo Tucunduva, é a substituição direta. “O mais comum é tratar esses destilados como substitutos diretos da Tequila, trocando apenas o ingrediente em uma receita padrão sem ajustar a dose ou acidez, o que resulta em desequilíbrio”. Kleber reforça: “O principal erro é tentar esconder o destilado em vez de abraçar a sua personalidade, ou usar mezcal em excesso, deixando o drink com gosto só de fumaça”.
Para trabalhar com notas de fumaça, terra e vegetais, Caio cita o split-base. “Consiste em misturar o destilado de agave com uma base mais neutra ou equilibrada, trazendo o caráter do agave sem sobrecarregar o drink”.
“A clarificação é outra ferramenta importante, pois deixa o coquetel mais elegante sem matar o caráter da bebida. O fat wash funciona muito bem com mezcal, conferindo corpo e suavizando a fumaça”, complementa Gomes.
Aqui, ingredientes muito doces atrapalham. A preferência é pela acidez e pelo frescor para cortar a potência defumada. “Busco ingredientes de suporte texturais e terrosos, como bitters defumados, sal de mesquite ou licores herbáceos”, revela o sócio do Café Hotel. O objetivo é uma harmonização, em que a técnica deve “valorizar a identidade do agave, não apagá-la”.
Apesar do crescimento, raicilla e sotol ainda são de nicho e a democratização depende de uma estratégia de educação que transforme o consumo em aprendizado. Bares especializados têm investido em flights, réguas de degustação para introduzir o cliente aos novos sabores de forma comparativa.
“Estratégias eficazes incluem oferecer flights de degustação, onde pequenas doses de Raicilla, Bacanora ou Sotol são servidas lado a lado com uma Tequila conhecida, acompanhadas de um guia”, sugere Caio. “A educação do consumidor virou parte do serviço, com degustações, voos de mezcal e explicações sobre espécies e regiões”, diz Kleber.
A contextualização é outra parte importante. “A narração de origem tornou-se parte do menu; já não basta listar o nome da bebida, é preciso explicar a planta, a região e o método”.
Em meio a popularização, surge a pergunta: esses destilados podem competir com o uísque e o conhaque como sipping spirits, as tradicionais bebidas de contemplação? Para Caio Tucunduva, a resposta é sim. “Eles possuem perfil sensorial e narrativa suficientes para serem apreciados puros”, garante.
A complexidade de um mezcal de agave silvestre ou de uma raicilla de altitude oferece notas de solo, fumaça e final longo que rivalizam com os melhores single malts. “Mezcal, sotol e até algumas raicillas entregam complexidade, corpo e profundidade aromática no mesmo nível de um single malt ou de um conhaque”, endossa Gomes.
“A valorização do terroir, das pequenas produções e dos métodos ancestrais cria uma equivalência com uísques de malte único ou conhaques artesanais”, analisa. Mesmo com o desafio de superar o prestígio das bebidas europeias, o agave começa a migrar do universo festivo para um espaço de consumo mais cuidadoso e apreciado.

Para quem deseja explorar bebidas à base de agave, Tucunduva dá algumas dicas.
Na categoria raicilla, a recomendação são marcas que evidenciam a flora silvestre de Jalisco, como a Estancia Raicilla. Para o sotol, rótulos como Mil Lumbres ou La Higuera são citados como expressões fiéis do deserto de Chihuahua.
Já na bacanora, a busca deve ser por produtores de Sonora que utilizam fornos de rocha vulcânica. E mesmo no mundo da tequila, há esperança para a qualidade artesanal. Marcas additive-free e 100% agave, como a Billy’s Tequila, diz Caio, mostram que é possível produzir o destilado mais famoso do México com respeito à tradição.
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