Pix internacional: Banco Central trabalha para expandir sistema de pagamento para fora do Brasil enquanto Trump esbraveja
Pix já funciona de maneira limitada em algumas localidades estrangeiras, mas Banco Central prepara internacionalização mais abrangente da ferramenta que tira o sono de Donald Trump

O pix caiu rapidamente nas graças dos brasileiros. Lançado em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos precisou de apenas dois anos para desbancar os cartões de crédito e débito e o dinheiro vivo como meio mais utilizado para pagar contas e realizar transferências em solo nacional. Agora o pix está prestes a se transformar em artigo de exportação.
O Banco Central (BC) prepara-se para lançar em breve o pix internacional. E quem deve perder mais algumas noites de sono por causa do meio de pagamento preferido dos brasileiros é Donald Trump.
Não consta que o presidente dos Estados Unidos tenha feito um pix alguma vez na vida, mas o sistema desenvolvido pelo Banco Central do Brasil vem sendo alvo recorrente do governo Trump desde que ele retornou à Casa Branca, no ano passado.
Trump contra o pix
O ataque mais recente ocorreu na semana passada. Um relatório divulgado pelo governo norte-americano alega que o pix cria "desvantagem" para as gigantes de cartão de crédito — mais precisamente a Visa e a Mastercard.
"O Banco Central criou e regula o pix; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores norte-americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do PIX é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas", diz o documento.
Enquanto o governo Trump sai em defesa dos interesses das empresas norte-americanas ameaçando o Brasil com sanções, outros países pedem ao BC que exporte a tecnologia para eles.
Leia Também
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
Mistério sobre a origem da vida: Nobel de Química premia dupla que resolveu enigma de mais de um século
O pedido mais recente veio de Gustavo Petro. O presidente da Colômbia pediu publicamente ao Brasil que estenda o pix a seu país.
Já é possível usar o pix no exterior
O fato é que já é possível usar o pix no exterior. Basta dispor de conexão à internet em qualquer lugar do mundo para consumar transações que envolvam contas de origem e destino brasileiras.
Ao mesmo tempo, algumas fintechs permitem que o usuário pague via pix para uma empresa brasileira. Nesses casos, o destinatário recebe em real enquanto o valor é liquidado no exterior por meio de arranjos próprios, cartões ou transferências internacionais tradicionais nos bastidores.
Além disso, é possível pagar com pix em alguns lugares do mundo populares entre turistas brasileiros. Uma dessas localidades é Miami, nos EUA de Donald Trump. Também é comum encontrar estabelecimentos que aceitam pix na Argentina, no Uruguai, no Paraguai, em Portugal e na França.
No entanto, isso ainda é pouco perto do que o Banco Central pretende fazer em relação ao pix.
Desde 2020, o pix vem sendo implementado de acordo com um rigoroso cronograma de etapas.
Entre as novidades previstas para 2026 está a cobrança híbrida, por meio da qual boletos com código de barras também passarão a contar com QR code para pagamento via pix. A cobrança híbrida já está em vigor de maneira facultativa, mas se tornará obrigatória a partir de novembro.
Outra novidade esperada para este ano é a adaptação do pix ao sistema de pagamento de impostos em tempo real, desenvolvido em conjunto com a Receita Federal.
Já o calendário de 2027 prevê a entrada em funcionamento do pix internacional. E ele vai muito além de uma mera conveniência para turistas. A ideia é transformar o sistema instantâneo de pagamentos em uma experiência global, estável, padronizada e interoperável.
O que falta para o pix internacional
A data exata para a entrada em funcionamento do pix internacional ainda depende do cumprimento de uma série de exigências regulatórias, da superação de gargalos tecnológicos e do fechamento de acordos com outros países e sistemas de pagamento.
Não se trata exatamente de exportar o pix, mas de interligá-lo à plataforma Nexus, criada pelo Banco Internacional de Compensações (BIS, na sigla em inglês). Ainda em fase de testes, a Nexus pretende conectar dezenas de países que já dispõem de sistemas próprios de compensação financeira similares ao pix.
Se tudo der certo, a partir de 2027, será possível receber e enviar dinheiro de e para cerca de 60 países da América Latina, da Europa, da Ásia e da África por meio do pix internacional.
Em poucos segundos, a plataforma calculará o câmbio entre as moedas de origem e destino e realiza a compensação. A expectativa é de que as transações internacionais fiquem mais rápidas, seguras e baratas.
O barateamento viria da redução da dependência de cadeias longas e caras como o swift, os bancos correspondentes e os cartões de crédito internacionais.
Para além da defesa dos interesses das gigantes norte-americanas de cartão de crédito, o que mais parece preocupar Donald Trump é a tendência de diminuição da demanda por dólares no mercado de câmbio se o pix internacional efetivamente contornar o dólar na compensação.
NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO
Henry Kissinger, o Nobel da Paz que tentou devolver o prêmio, mas não conseguiu
2 de outubro de 2026 - 15:05SEQUÊNCIA DE ERROS
Peter Handke: o vencedor do Prêmio Nobel que reabriu a pior crise da Academia Sueca
30 de setembro de 2026 - 16:32A MAIOR RECOMPRA DA HISTÓRIA
Jensen Huang coloca US$ 150 bilhões na mesa: por que as ações da Nvidia ficaram irresistíveis para a própria Nvidia
28 de setembro de 2026 - 19:18CONSUMIDOR OU SÓCIO
De R$ 96 mil a R$ 2,3 milhões: o que aconteceria se você tivesse trocado cada iPhone por ações da Apple
28 de setembro de 2026 - 14:30VISÃO DO GESTOR
Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria; entenda
27 de setembro de 2026 - 11:00UM FENÔMENO, EFEITOS DIFERENTES
O Brasil no olho do furacão: o efeito do super El Niño em cada país da América Latina — e como afeta seus investimentos
25 de setembro de 2026 - 19:30ADIARAM A BRIGA?
Amigos, amigos, negócios à parte: o que Trump e Xi acertaram (e o que ficou na gaveta) no 2º dia dos encontros
25 de setembro de 2026 - 17:27DIVERSIFICAÇÃO INTERNACIONAL
S&P 500 pode subir mais 15% mesmo com alta dos juros nos EUA; XP recomenda investir na bolsa norte-americana
25 de setembro de 2026 - 15:42TRÉGUA COM SORRISO AMARELO
Grande amizade, tarifas e até pandas: um resumo do encontro entre Trump e Xi na Casa Branca após uma década
24 de setembro de 2026 - 19:58BALANÇOU O MERCADO
O tremor que fez os títulos de dívida de 30 anos dos EUA romper recordes em décadas em chegar a 5,44%
24 de setembro de 2026 - 15:03CAOS AÉREO
Falha em GPS cancela 80 voos da Azul, afeta mais de 8 mil passageiros e provoca novos transtornos. As demais companhias operam normalmente?
23 de setembro de 2026 - 19:30ROLOU QUÍMICA?
O que você precisa saber sobre o discurso de Lula na ONU — e o que Trump disse também
22 de setembro de 2026 - 13:37O MELHOR ESTÁ POR VIR?
A maré virou para Mark Zuckerberg — Meta sobe quase 15% e analista diz: “agora a empresa tem uma história para contar”
21 de setembro de 2026 - 19:05EFEITO CASCATA
A realidade dos juros em 5% nos EUA: saiba o que acontece com sua carteira se a taxa disparar por lá
20 de setembro de 2026 - 16:45TODO MUNDO QUER SABER
O encontro Trump-Xi vai sair? O que o mercado espera da cúpula — e para onde você deveria estar olhando também
20 de setembro de 2026 - 10:03LONGE NO MAPA, PERTO DO BOLSO
Juros no maior nível em 31 anos: por que o aperto no Japão importa para você
18 de setembro de 2026 - 18:00TEMPO REI
Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire: “o tempo sempre vence”; saiba quem assume
18 de setembro de 2026 - 11:50CONTRA A INFLAÇÃO
Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos — e isso mexe diretamente com seus investimentos
16 de setembro de 2026 - 15:01TEM MÚSCULO
Bolsa americana aguenta juros mais altos; UBS GWM diz onde investir nesse cenário
15 de setembro de 2026 - 18:014X3