Milei veta aumento das aposentadorias na Argentina, mesmo após aprovação no Congresso
Presidente diz que medida ameaça o equilíbrio fiscal e avisa: se derrubarem o veto, vai à Justiça

Clima tenso entre os hermanos. O Congresso aprovou. O presidente vetou. Agora, o aumento das aposentadorias na Argentina virou mais um cabo de guerra entre Javier Milei e os parlamentares.
O veto foi oficializado nesta segunda-feira (4), por meio de um decreto publicado no diário oficial. De acordo com o governo, o reajuste colocaria em risco a principal bandeira da gestão libertária: o equilíbrio das contas públicas
“A administração dos recursos públicos deve ser realizada de forma responsável e de acordo com os propósitos públicos e o princípio da boa administração”, afirma o texto assinado pela Casa Rosada.
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Milei já tinha avisado
A decisão não foi exatamente uma surpresa. No mês de julho, quando a proposta ainda tramitava no Congresso, Milei antecipou que barraria o reajuste.
“Todos sabem o que vou fazer. Vamos vetar. E mesmo na circunstância de que o veto seja derrubado, vamos judicializar”, disse o presidente, durante discurso na Bolsa de Comércio da Cidade de Buenos Aires.
Apesar de não ter maioria no Congresso, o governo tem mantido uma postura inflexível. Após a aprovação do projeto no Senado, integrantes da equipe econômica voltaram a dizer que a política de superávit fiscal é “permanente e inegociável”.
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“Não há dinheiro”
Logo após a publicação do veto, a Presidência argentina divulgou um comunicado criticando a forma como a medida foi aprovada no Congresso — sem definição das fontes de financiamento — e repetiu o mantra que já virou marca da gestão Milei.
“Este presidente prefere dizer uma verdade incômoda a repetir mentiras confortáveis: não há dinheiro”, afirma a nota oficial.
Clima de campanha
O veto ocorre a menos de três meses das eleições de meio de mandato, marcadas para outubro. O pleito será o primeiro grande termômetro da popularidade de Milei desde que assumiu a Presidência, no fim de 2023.
Apesar da queda na inflação anual, que chegou a ultrapassar os três dígitos antes de sua posse, o custo social do ajuste tem gerado críticas — especialmente entre aposentados, servidores e beneficiários de programas sociais.
Pelo visto, com ou sem desgaste, Milei já definiu sua prioridade. E os aposentados ficaram no fim da fila.
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