Depois de Vladimir Putin, Xi Jinping: Lula desafia Trump e vai à China em meio a guerra comercial
O petista encerrou na manhã de sábado (10) a viagem para a Rússia e partiu para Pequim, onde começa a agenda na segunda-feira (12)

No auge da guerra de tarifas, o presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a dizer que cogitava obrigar os países a escolherem um lado: ou estariam com os EUA ou com a China. Enquanto a decisão dos parceiros comerciais ainda não precisou ser tomada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveita para visitar os rivais de Washington.
O petista chegou à China no fim da tarde deste sábado (10), depois de encerrar uma visita à Rússia, onde se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin.
Em Pequim, a agenda de Lula começa na segunda-feira (12), quando deve participar do encerramento do seminário empresarial China-Brasil. Já na terça-feira (13) fará um discurso na abertura do IV Fórum China-Celac.
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Na tarde do mesmo dia, estão previstos encontros bilaterais com o presidente da Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji; o primeiro-ministro da China, Li Qiang; e o presidente da China, Xi Jinping. Ainda, é esperada uma cerimônia de assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa. Na sequência, Lula retorna ao Brasil.
Pela rede social X, ele informou a chegada em Pequim. "É mais um grande passo na relação de amizade e proximidade estratégica com a China, maior parceiro comercial do Brasil desde 2009", disse.
Também desembarcaram do voo presidencial, segundo a imagem, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), entre outros membros da comitiva.
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Lula na Rússia
Lula encerrou na manhã deste sábado a visita à Rússia, iniciada na última quinta-feira (8 — e não poupou Trump de críticas.
Falando a jornalistas, o petista afirmou que o Brasil não é "quintal" de ninguém — uma resposta direta a uma expressão usada pelo governo norte-americano com relação à América Latina — e disse que deseja ser tratado com respeito pelos EUA.
E Lula não parou por aí. O petista se mostrou disposto a encarar Trump de frente ao afirmar que vai discutir, no Brics (grupo de países emergentes formado, entre outros, por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a adoção de barreiras comerciais pelos EUA.
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Vale lembrar que a cúpula do Brics será realizada em julho no Rio de Janeiro e que o presidente norte-americano já ameaçou taxar o grupo caso usem outra moeda além do dólar nas trocas de comércio.
A Rússia é alvo de pesadas sanções dos EUA e de países aliados por conta da invasão da Ucrânia — um conflito que começou em fevereiro de 2022 e que ainda não terminou. Essas punições também podem se estender a países que negociem com Moscou, mas não assustam Lula.
"Nós temos uma relação comercial deficitária aqui na Rússia. No fluxo de praticamente US$ 12 bilhões anuais, nós temos quase US$ 11 bilhões de déficit comercial. A minha vinda aqui foi para discutir comércio, para tentar equilibrar, porque trabalhamos com a ideia de que uma boa política comercial é uma via de duas mãos”, disse ele.
Lula lembrou que a Rússia é um parceiro importante na questão de óleo e gás e em pequenos reatores nucleares, "uma novidade extraordinária para que a gente possa ter energia garantida para todo o sempre".
*Com informações do Estadão Conteúdo
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