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No podcast Touros e Ursos desta semana, Tatiana Pinheiro, economista-chefe e sócia da Galápagos Capital, fala sobre o que esperar da economia brasileira nos próximos meses
O cenário local tem ficado em segundo plano no acompanhamento e nas análises do mercado financeiro nos últimos dias. O tarifaço de Donald Trump e as turbulências no campo internacional ganharam a cena. Mas, afinal, a ameaça fiscal passou? As contas públicas se alinharam? A economia local não tem mais relevância?
Para Tatiana Pinheiro, economista-chefe e sócia da Galápagos Capital, nada disso saiu do radar do mercado financeiro. O tema fiscal deve voltar com força no final deste primeiro semestre, na opinião da economista.
Em entrevista ao podcast Touros e Ursos desta semana, Tatiana Pinheiro acredita que o tema que irá trazer o debate para a mesa é a discussão no Congresso Nacional sobre a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
“O relator do projeto, Arthur Lira, disse que pretende ter a matéria finalizada antes do recesso de meio de ano. Para isso acontecer, o debate terá que ser intenso agora, a partir de junho e meados de julho”, disse Pinheiro.
Se isso acontecer, a economista acredita que o tema fiscal deve sobrepujar o tarifaço de Donald Trump.
Mas há um porém. Para que isso aconteça, será necessário que o presidente dos Estados Unidos mantenha essa postura conciliadora e disposta a negociações, como visto nos últimos dias. Caso ele volte para o enfrentamento, o cenário internacional tende a roubar a cena novamente.
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Nesta sexta-feira (23), a postura de enfrentamento ganhou os holofotes novamente, com o republicano ameaçando elevar as tarifas para a União Europeia para 50%, após impasse durante as negociações.
“O calendário de eventos está concorrido. Mas, se continuarmos vendo esse Trump negociador, o nosso tema fiscal volta e volta com uma chance de ser mais benigno. Bem mais benigno do que foi no ano passado”, diz Pinheiro.
Diferentemente do dezembro sangrento que o mercado financeiro protagonizou em dezembro de 2024, Tatiana Pinheiro acredita que as perspectivas para 2025 são muito mais amenas nos dois cenários que espera.
Para ela, existem duas possibilidades para a agenda dos agentes financeiros no segundo semestre: acompanhar as contas públicas do governo (como foi ano ano passado), ou antecipar as análises políticas sobre as eleições 2026.
“Essas duas perspectivas têm efeitos completamente diferentes para os preços de ativos do mercado”, disse durante o podcast.
No caso de acompanhar na minúcia o dado fiscal, as contas públicas estão mais comportadas neste 2025 do que no ano passado, mas a tendência é que ainda culmine em uma conclusão negativa.
Já uma antecipação das discussões políticas é outra coisa, pois o cenário está completamente em aberto esse ano.
“A gente não tem a menor ideia do que vai acontecer no ano que vem, mas dois eventos nos países vizinhos tendem a aumentar o otimismo com o Brasil e pode ser bastante positivo em termos de resultado de preços de ativos”, diz Tatiana.
O primeiro evento são as eleições presidenciais no Chile. As pesquisas indicam uma alternância de poder com a saída de Gabriel Boric para a entrada da oposição, dita de “direita”.
Já o segundo evento são as eleições de meio de mandato da Argentina, para compor a bancada do Congresso. A expectativa é de que Javier Milei consiga mais apoiadores.
A economista conclui que a bonança observada nos ativos brasileiros nas últimas semanas depende dessa disposição dos agentes financeiros, em optar olhar para os números crus das contas públicas ou prestar mais atenção no cenário político.
“No final das contas, a matéria principal é a mesma, que é o estado das contas públicas. Mas pode ser que a gente termine com um efeito completamente diferente para os preços dos ativos neste ano do que foi no ano passado”, disse.
No caso de o mercado optar pelo escrutínio das contas públicas, Pinheiro vê 2025 mais comportado do que o ano anterior. Ela cita três dados que indicam um fechamento melhor ao fim do ano.
O primeiro são os dados dos primeiros meses. “O primeiro trimestre registrou um superávit primário de R$ 50 bilhões. É bastante coisa para um primeiro trimestre. A forte atividade, economia resiliente e boa arrecadação deram uma gordura para o governo no resultado primário.”
Soma-se a isso a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 sem surpresas. A expectativa para o resultado primário se manteve para o próximo ano, o que foi considerado positivo do ponto de vista dos gastos públicos.
“O terceiro ponto vai ser posto à prova, que é o relatório de receitas e despesas”, disse Pinheiro.
No dia do podcast, o relatório ainda não tinha sido divulgado, mas saiu na última quinta-feira (22) — e surpreendeu: o documento sinalizou um total de R$ 31,3 bilhões de contenção fiscal, muito acima do esperado pelo mercado.
Porém, a reação positiva foi limitada pela informação de que o governo aumentará a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em empréstimos, Previdência e câmbio.
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